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27 maio 2014

Duas últimas

Enchem-nos os ouvidos com o amor de mãe. Lailailailai que mãe há só uma e que com três letrinhas apenas se escreve a dita palavra. Escrevem-se textos piedosos nos boletins das paróquias, que o dia da mãe ainda está fresquinho de nem há um mês, e que tanta falta faz uma prendinha para a mamã que dinamiza o comércio local. Ai a minha mãe, ai a minha querida mãezinha, quem tem uma mãe tem tudo, que não tem mãe não tem nada. E lailailailai.

Ontem, ao ir para Lisboa almoçar com o meu querido amigo fq - num restaurante pequeno, nesse dia excessivamente barulhento, onde a Susana serve a preceito o que a Dona Carmina, sua mãe, cozinha ao fogão - ontem, dizia eu, dei por mim a ouvir este fado com que brindo o meu fiel e persistente auditório. Na circunstância era Tino Ferreira a repor a verdade do jogo, a alcandorar o amor de pai onde ele deve ser posto. Mai'nada! As três letrinhas são pró papá, o amor é do papá, que é tão bom que há gente que tem dois, porque as mães eram grandes de coração. Lailailailailai.

Armando Neves, onde quer que ele se encontre, é no panteão que está.

Façam o favor de se ser felizes - e de beijar as vossas mãezinhas que, apesar do amor que vos devotam ser menor, também merecem.

Manuel Dias, o genial criador, para vosso deleite.

JdB




AMOR DE PAI


Letra:Armando Neves
Música:José António Augusto da Silva
Repertório:Manuel Dias
Notas:Fado Bacalhau

Eu não sei porque razões
Porque indiferença ou desdém
Nesta vida que se esvai
Se escrevem tantas canções
A lembrar o amor de mãe
Esquecendo o amor de pai

Porque motivo afinal
O coração português
Não canta esse amor profundo
Ao amor de mãe, igual
O amor de pai é talvez
O maior amor do mundo

Cantando, sinto desejos
De bem alto proclamar
Todo o amor que um pai revela
A mãe, aos filhos dá beijos
Mas o pai sem os beijar
Dá-lhe mais beijos do que ela

Tanto a mulher, como o homem
Do amor de pai não se farte
Amor como esse não há
Pois o pão que os filhos comem
É a mãe quem o reparte
Mas é o pai quem o dá

19 março 2013

Duas últimas

Hoje, mas há doze anos, dia do Pai, eu começava o ano zero da minha existência, dava início a uma viagem que não teria retorno. De lá para cá, porque não sou mais nem menos do que a generalidade do mundo, a vida foi tudo: foi-me grata e foi madrasta, foi pacífica e turbulenta, mostrou-me o que devia ser-se e aquilo de que deveria fugir. Acima de tudo, a vida ensinou-me muito, talvez porque eu também quisesse aprender. Tudo  - ou quase tudo - começou, como disse, no dia do Pai, hoje mas há doze anos.

Todos os meus Amigos são filhos, isto é, têm um Pai. Todos os meus grandes Amigos são Pais, e um ou outro estendeu a paternidade para além do círculo restrito da biologia, confirmando o lugar comum que nos diz que a família não é só o sangue. Com todos eles aprendo, com um ou outro mais próximo falo deste dever que é educar quem herda (também) os nossos genes e o nosso nome e nos perpetua nos filhos que terá, e que nos chamarão avô. Com todos medito na minha própria condição de Pai, no que falhei e no que acertei, no que devia ter feito e não fiz por incapacidade, desvalorização de importância, esquecimento, noção errada das prioridades. 

Deixo-vos com três músicas relacionadas com o dia de hoje: um fado que realça o amor de pai de uma forma particularmente curiosa (é preciso tomar atenção à letra e não desvalorizar aos primeiros acordes da voz...); Cat Stevens, numa música do meu tempo de jovem e que continua a ouvir-se com gosto; e uma faixa de um filme da Disney, que ponho porque foi sugerido por quem me constitui também como Pai, e que tem feito de mim muito do que sou.

Bom dia do Pai.

JdB





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