José Régio, in 'Presença, Folha de Arte e Crítica, 1927-1940'
As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
21 outubro 2009
Pensamentos dos dias que correm
José Régio, in 'Presença, Folha de Arte e Crítica, 1927-1940'
31 agosto 2009
Pensamentos dos dias que correm
Marguerite Yourcenar, in "Sistina"
24 agosto 2009
Pensamentos dos dias que correm
22 agosto 2009
Pensamentos dos dias que correm
Eça de Queirós, in 'A Correspondência de Fradique Mendes'
18 agosto 2009
Pensamentos dos dias que correm
Para a primeira categoria - doenças, privações, a morte de amigos ou filhos -, que parece acarretar naturalmente dor e vexação, esta linha de Eurípedes deve estar à mão: "Ai! por que ai? É o quinhão da mortalidade que nos coube". Nenhum outro argumento lógico pode romper de forma tão efectiva a espiral descendente das nossas emoções, do que a reflexão de que somente através da compulsão comum da Natureza, um dos elementos da sua constituição física, é que o homem se torna vulnerável à Fortuna; nos seus aspectos principais e essenciais, permanece seguro.
Plutarco, in 'Do Contentamento'
17 agosto 2009
Pensamentos dos dias que correm
Jean-Paul Sartre, in 'Situações I'
13 agosto 2009
Pensamentos e músicas para o dia de hoje
Não consigo fugir ao lugar-comum: controlamos pouco a vida que vivemos, somos donos de algo mais do que nada. Os planos de uma mulher desfazem-se quando, no espaço de um instante, lhe é comunicada a sua infertilidade; a alegria quase incontida de uns pais é cortada se, numa observação de minutos, realizam a deficiência do seu filho ou são confrontados com uma doença grave que o atingiu; a carreira de um jovem termina numa curva da estrada e numa cadeira de rodas. No reverso da medalha, dois olhares estranhos que se cruzam na impessoalidade de uma festa podem dar origem a um encontro de almas; a leitura, inexplicável aos olhos da estatística, de uma carta surpreendente dá lugar a um novo encantamento; uma fotografia, um excerto de filme, uma música, pedaços de coisas que se ouvem ou vêem abrem um sorriso numa tristeza que se instalou sem regresso aparente. Em tudo - na luz e na sua ausência - há espaço para uma segunda oportunidade e para a pergunta: o que faço eu com isto que me aconteceu?
O post de hoje é dedicado a quatro pessoas (A, T, A e M) que sentiram bem esta ausência de domínio sobre os acontecimentos. Entre o contentamento e o desgosto, entre a gargalhada e o choro, entre a mão que acena numa alegria de regresso e a que vai à garganta para conter um soluço, há um instante, um fio de cabelo. Para elas vai a minha lembrança, a minha oração, e a confiança na capacidade que todos temos de reiventar o caminho e de olhar a vida de frente, na certeza de que o futuro é uma carta fechada que nos pede para ser aberta.
JdB
A morte nada é.
Eu estou apenas noutro lado,
Eu sou eu, tu és tu.
Aquilo que éramos um para o outro
Continuamos a ser.
Chamem-me como sempre me chamaram.
Falem-me como sempre me falaram.
Não mudem o tom da vossa voz.
Nem façam um ar solene ou triste.
Continuem a rir daquilo que juntos nos fazia rir.
Brinquem, sorriam, pensem em mim,
Rezem por mim.
Que o meu nome seja pronunciado em casa
Como sempre foi;
Sem qualquer ênfase,
Sem qualquer sombra.
A vida significa o que sempre significou.
Ela é aquilo que sempre foi.
O “fio” não foi cortado.
Porque é que eu,
Estando longe do vosso olhar,
Estaria longe do vosso pensamento?
Espero-vos, não estou muito longe,
Somente do outro lado do caminho.
Como vêem,
Tudo está bem.
Henry Scott Holland
12 agosto 2009
Pensamentos dos dias que correm
Em todos os males que nos acontecem, olhamos mais para a intenção do que para o efeito. Uma telha que cai de um telhado pode ferir-nos mais, mas não nos desola tanto como uma pedra atirada de propósito por uma mão maldosa. O golpe, por vezes, falha mas a intenção nunca erra o alvo. A dor física é a que menos se sente nos ataques da sorte e, quando os infortunados não sabem a quem culpar pelas suas infelicidades, culpam o destino, que personificam e ao qual atribuem olhos e uma inteligência disposta a atormentá-los intencionalmente.
É o caso de um jogador que, irritado com as suas perdas, se enfurece sem saber contra quem. Imagina que a sorte se encarniça intencionalmente para o atormentar e, encontrando alimento para a sua cólera, excita-se e enfurece-se contra um inimigo que ele próprio criou. O homem sábio, que em todas as infelicidades que lhe acontecem só vê golpes da fatalidade cega, não tem essas agitações insensatas; grita na sua dor, mas sem exaltação, sem cólera; do mal que o atinge só sente os ataques materiais, e os golpes que recebe podem ferir a sua pessoa, mas nenhum atinge o seu coração.
Jean-Jacques Rousseau, in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'
11 agosto 2009
Pensamentos dos dias que correm
Dirigirmo-nos a alguém com a missão de que se transforme noutro, é irmos com a embaixada de que ele deixe de ser ele. Cada qual defende a sua personalidade, e só aceita uma mudança na sua maneira de pensar ou de sentir, na medida em que esta alteração possa entrar na unidade do seu espírito e enredar-se na sua continuidade; na medida em que essa mudança se puder harmonizar e se conseguir integrar com tudo o resto da sua maneira de ser, pensar e sentir, e possa, por outro lado, enlaçar-se nas suas recordações. Nem a um homem, nem a um povo - que, em certo sentido, também é um homem - se pode exigir uma mudança, que desfaça a unidade e a continuidade da sua pessoa. Pode-se mudá-lo muito, quase até por completo; mas sempre, dentro da continuidade.
Miguel de Unamuno, in 'Do Sentimento Trágico da Vida'
10 agosto 2009
Pensamentos dos dias que correm
Às vezes também é preciso chegar até a embriaguez, não para que ela nos trague, mas para que nos acalme: pois ela dissipa as preocupações, revolve até o mais fundo da alma e a cura da tristeza assim como de certas enfermidades. E Líber foi chamado o inventor do vinho não porque solta a língua, mas sim porque liberta a alma da escravidão das inquietações; restabelece-a, fortalece-a e fá-la mais audaz para todos os esforços. Mas, como na liberdade, também no vinho é salutar a moderação. Crê-se que Sólon e Arcésilas eram dados ao vinho; a Catão, reprovou-se-lhe a embriaguez: mais facilmente se fará honesto esse crime do que Catão desonroso.
Séneca, in 'A Traquilidade da Alma'
10 maio 2009
Pensamentos dos dias que correm
Há dias aziagos.
Adeus, até ao meu regresso...
JdB
08 março 2009
Pensamentos dos dias que correm
Vasco P. Magalhães, sj
(Pensamento roubado aqui)
01 março 2009
Pensamentos dos dias que correm
(...)
Disse: Agora começo (Sl 76,11). Esta é a melhor devoção e mais útil penitência, e mais agradável a Deus, que podeis fazer nesta quaresma.
Tomar uma hora cada dia, em que só por só com Deus e connosco cuidemos na nossa morte e na nossa vida.
E porque espero da vossa piedade e do vosso juízo que aceitareis este bom conselho, quero acabar deixando‑vos quatro pontos de consideração para os quatro quartos desta hora.
Primeiro: quanto tenho vivido?
Segundo: como vivi?
Terceiro: quanto posso viver?
Quarto: como é bem que viva?
Torno a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva? Memento homo!
Uma boa hipótese de meditação para as semanas que se avizinham.
JdB
10 outubro 2008
Pensamentos dos dias que correm
Vasco P. Magalhães, sj
Acerca de mim
- JdB
- Estoril, Portugal