As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
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Músicas dos dias que correm
Meu Portugal Meu Amor
Ai meu país
De onde vens, p'ra onde vais
Com tanta gente a fazer
Dos teus dias os meus ais
Ai meu país
Minha terra portuguesa
De Camões que tu tiveste
Pelo ventre da tristeza!
Todos os dias te canto
A condição de ser tua
Neste fado, neste pranto
Eu por ti ainda canto
Descalça por qualquer rua!
Não sei se te cante ou chore
Não sei se te grite um dia
Que na força deste canto
Rasgo a alma e digo em pranto
Que eu por ti ainda morria!
Ai meu país
Que trazes nos olhos fado
Desse rei que não voltou
Ao seu povo desejado
Na minha boca
Trago sempre o teu sabor
Por isso te canto e digo
Meu Portugal, meu Amor
(música de Fontes Rocha, letra de José Luís Gordo)
19 fevereiro 2013
Duas últimas
Prontos, é isto. No fundo, no fundo, gosto de música triste.
Já devo ter contado este episódio aqui no estabelecimento. Nos meus passeios no paredão do estoril costumava encontrar uma amiga por quem tenho uma ternura muito grande. Era uma altura em que meu objectivo consistia em arejar o espírito, mais do que enrijar as coxas. Andava por ali, de auriculares postos, a olhar para o mar e para as minhas nostalgias que, como dizia o Balzac (ou seria o Dumas?) são a felicidade de estar triste.
- Olá João!
- Olá L...
- O que estás a ouvir?
- Fado.
- Estás triste?
Nem sempre estava, confesso. Mas também devo reconhecer que gosto de música triste. Um dia explicaram-me os motivos fisiológicos que justificam este gosto (não só meu, parece-me). E um dia também me explicaram por que motivos musicais os requiems são mais bonitos do que os te deums. Um pouco como se houvesse uma necessidade estética que é mais forte na lembrança dos mortos do que no agradecimento das graças. Esqueci ambas as explicações, pelo que nada de pseudo-científico tenho a abonar em minha defesa, a não ser uma tendência tristonha que se manifesta no gosto por mar alteroso, manhãs de nevoeiro, dias outonais, paisagens silenciosas.
Deixo-vos com três músicas quiçá menos alegres.
Se querem mesmo saber, não, não estou triste.
JdB
Deixo-vos com três músicas quiçá menos alegres.
Se querem mesmo saber, não, não estou triste.
JdB
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