quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Diário de uma astróloga – [40] – 5 de Dezembro de 2012

Sagitário e as Viagens

O símbolo do Sagitário é um centauro com um arco e flecha a apontar para o céu, ou pelo menos virada para cima. Este símbolo tem-se mantido ao longo dos séculos, como se pode ver pela iluminura tirada de um Livro de Horas medieval e uma tatuagem contemporânea. O centauro tem uma explicação mitológica de que falarei noutra altura, mas a flecha é importante para o post de hoje. O símbolo usado por astrónomos e astrólogos é também a flecha, o que dá uma justa imagem da necessidade principal de Sagitário:  ir mais longe relativamente ao ponto onde se encontra. 
  


Ir mais longe quer dizer explorar: exploração física através de aventuras e viagens, intelectual através de estudos superiores ou espiritual, quando metaforicamente nos dirigimos ao céu na procura de Deus. 

Assim, o Sagitário é o viajante do Zodíaco e, como estamos no mês em que o Sol está nesse signo, apropriadamente li “A Arte da Viagem” de Paul Theroux, escritor americano que me tem fascinado, entretido e feito sonhar com livros sobre as suas viagens.

Quando me refiro a energia “sagitária” considero, não só as pessoas que fazem anos entre 22 de Novembro e 20 de Dezembro mas, também, as que têm vários planetas em Sagitário, uma casa 9 repleta ou Júpiter, o planeta que rege este signo e a casa 9, num ponto de destaque na carta natal.

A condição da casa 9 explica que tipo de viajante somos. Com Neptuno em Balança na casa 9, eu sonho  com viagens por mar (Neptuno), com cruzeiros em barco à vela onde a beleza e o elemento ar (balança) estão em evidência. Um grande amigo com Mercúrio (planeta da comunicação, escrita e aprendizagem) em Sagitário na casa 9 (dupla dose) depois de ter tido a inspiração de começar um blog a seguir a uma viagem, embarcou recentemente numa viagem intelectual. 

Paul Theroux não tem Mercúrio na casa 9, mas tem Júpiter muito forte em conjunção e no midpoint Saturno e Urano. Esta localização dá-lhe a capacidade de ter uma filosofia de vida e de escrita onde os caminhos trilhados (Saturno) são analisados de uma forma nova, fresca, original (Urano).  

Na “Arte da Viagem” falou da viajante que mais admira, a irlandesa Dervla Murphy, uma excepcional “sagitária”,  agora com 81 anos, mas que fez viagens extraordinárias toda a sua vida e a maior parte delas de bicicleta. Nasceu no dia 28 de Novembro de 1931 numa aldeola no seio de uma família muito modesta. Descreve assim quando e como íniciou a sonhar com viagens:  

Quando fiz 10 anos os meus pais deram-me uma bicicleta em segunda mão e o meu avô mandou-me um atlas também em segunda mão. Eu já gostava de andar de bicicleta mas nunca tinha tido uma e pouco tempo depois do meu aniversário resolvi ir de bicicleta à India. Nunca me hei-de esquecer o local exacto onde tomei essa decisão, numa colina ingreme perto de Lismore. A meio da subida olhei orgulhosamente para as minhas pernas que pedalavam com esforço e pensei que se continuasse a fazer este movimento por muito tempo chegaria à India.”

E aos 31 anos, depois de ter tratado do pai e da mãe até ao fim da vida deles, chegou à India; foi sozinha de bicicleta, demorou 6 meses e gastou 64 libras. Escreveu um livro – o primeiro de muitos – “Full Tilt – From Dunkirk to Delhi by bike”. Quando lhe perguntam se é corajosa ela diz que não, que é optimista e explica:  “Os optimistas só acreditam nos desastres depois de eles acontecerem, e por isso não são medrosos, que é o contrário de ser corajoso.”


De acordo com rectificação que fiz da sua carta, Dervla é uma fortissima “sagitária” porque tem o Sol, Mercúrio, Marte, Vénus e o Ascendente nesse signo. Júpiter e Neptuno estão na casa 9 por isso sonhou (Neptuno) e realizou (Júpiter) viagens (casa 9) toda a sua vida, e foi durante essas aventuras (Sagitário) que se relacionou com afegãos, etíopes, madagasquenhos ou russos da sibéria (Vénus), teve uma prolífica carreira de escritora (Mercúrio) o que lhe permitiu viver a vida nos seus termos, com autonomia, desafiando as convenções da época (Marte). Viveu plenamente o seu potencial de aventureira (Sol) e conseguiu tudo isto em parte porque encarrou o mundo com optimismo (Ascendente em Sagitário), certa de que a sua flecha iria longe e chegaria ao alvo. 



Dervla Murphy jovem durante uma das suas viagens


Luiza Azancot
astrocape@gmail.com                                                                               

5 comentários:

Anónimo disse...

Que gira, a personalidade da Dervla Murphy! Sobretudo por vir donde veio, ter nascido numa época em que não se fazia nada disto e ter-se literalmente atirado à vida. Digna da maior admiração, a meu ver. Obrigada! pcp

Astrid Annabelle disse...

Fiquei encantada com esta história Luiza...vá se saber qual é o elo que me encantou...mas senti um eco enorme aqui dentro!
Parabéns por este texto...
Astrid Annabelle

ACC disse...

Minha querida amiga, que texto maravilhoso.
Quero saber mais sobre esta viajante. Identifico-me imenso com a sua versão de optimista.
Sabes que uma sagitária lá em casa, mas não a revejo aqui nem um bocadinho.
bjos

JdB disse...

Desde muito cedo que gostei de viajar, e fi-lo muitas vezes sozinho. Como escrevi uma vez, o prazer da partida assentava no prazer do regresso. Como se a totalidade só se cumprisse com um bilhete de ida e volta. Perdi o gosto pela viagem solitária, faz-me falta a companhia. Talvez me tenha enchido de inseguranças que aos 20 não tinha, talvez seja apenas o desejo da partilha que me acompanha em muitos outros aspectos da vida.
Embarquei numa viagem intelectual, de facto. Uma viagem estimulante, desafiante - e difícil. Tenho um bilhete de "muita" ida (porque não sei onde irei parar), tenho a sorte da partilha com quem domina melhor estes temas, tenho a mesma curiosidade que tinha aos 20 anos, temperada pela idade que nos dá mais sabedoria e menos capacidade. Só me falta perceber como enquadro o prazer do regresso, que sempre me foi tão fundamental...
Belo post, como sempre. Obrigado pela referência ao editor e dono do estabelecimento.

Anónimo disse...

É fantástica a leitura do mundo através da sabedoria da "Astróloga"...

Xi coração

João Diogo

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