domingo, 10 de março de 2013

4º Domingo da Quaresma

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

A Igreja passa tempos difíceis. Tempos de mudança, de espera de um novo Papa, mas tempos de ataques a membros importantes da estrutura local ou mundial. Fala-se de lobbies, do relatório Vatileaks que deveria ser divulgado pelos cardeais, de pedofilia, de homossexualidade, do que verdadeiramente levou o Papa a resignar, de interesses escondidos. Fala-se da necessidade de actualização da Igreja, da ordenação das mulheres, do celibato dos padres, dos recasamentos, da comunicação deficiente, da política sobre sexualidade. Fala-se de tudo, mesmo do que tem menos interesse. Quando o Papa for eleito falar-se-á dele, e os jornais esmiuçarão tudo, dos sapatos ao corte de cabelo, do exame em que copiou no liceu, do que fez e disse, do que não fez e não disse, que posição tomou nos casos mais mediáticos e nos temas considerados mais importantes. Saberemos tudo - o que é verdade e o seu contrário.

Jantava no outro dia com um casal na casa dos trintas. Dizia um dos interlocutores, educado catolicamente e que abandonou (pelo menos para já) a prática, que a geração dele pouco precisa da Igreja, que conseguem procurar o caminho da perfeição no dia a dia sem mediações, até porque se revoltam, de alguma forma, com a hipocrisia vigente, com uma certa intolerância do clero que não é coerente com modos de vida próprios. Falámos de comunicação, da salvação fora da Igreja, dos corações contritos dentro do templo e que destilam defeitos fora dele, e de outras coisas que agradarão menos a quem comigo conversava com discernimento e educação.

Pertencer-se à Igreja nem sempre é fácil, confesso. Nem sempre se convive bem com uma certa ideia de Frei Tomás, faz o que ele diz não faças o que ele faz... Nem sempre se convive bem com uma ideia que apanhei num filme: há gente que em nome da moral mata a virtude. Nem sempre se convive bem com os escândalos da pedofilia - praticada ou encoberta -, ou com a dureza com que são tratadas algumas realidades carnais, porque a Igreja sempre lidou mal com o tema da carne. Nem sempre se convive bem com a ideia crescente de que o Papa resignou por outros motivos que não o de saúde. Nem sempre é fácil, repito.

Como resolvo eu o tema interiormente? Nem sempre sei. Repetindo que amo a Igreja, e que não amamos só a perfeição. Repetindo que não quero saber se quem comunga o pode ou não fazer, porque isso está no domínio da consciência de cada um. Repetindo  que vamos à missa para ser santos, não porque o somos já. Repetindo que a mensagem de Cristo é maior do que todos nós e nos sobreviverá a todos. Repetindo que vou lá buscar o caminho da perfeição, não espiolhar vidas alheias. Repetindo que por cada padre mau há mil anónimos bons, e que por cada banqueiro incoerente há mil consagrados dedicados. Repetindo que há a fé na Igreja e na iluminação do Espírito Santo. E repetindo que há um tempo para tudo, mas que talvez seja cedo para perceber que tempo é este.

Bom Domingo para todos.

JdB

***         

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
os publicanos e os pecadores
aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem.
Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo:
«Este homem acolhe os pecadores e come com eles».
Jesus disse-lhes então a seguinte parábola:
«Um homem tinha dois filhos.
O mais novo disse ao pai:
‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’.
O pai repartiu os bens pelos filhos.
Alguns dias depois, o filho mais novo,
juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante
e por lá esbanjou quanto possuía,
numa vida dissoluta.
Tendo gasto tudo,
houve uma grande fome naquela região
e ele começou a passar privações.
Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra,
que o mandou para os seus campos guardar porcos.
Bem desejava ele matar a fome
com as alfarrobas que os porcos comiam,
mas ninguém lhas dava.
Então, caindo em si, disse:
‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância,
e eu aqui a morrer de fome!
Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe:
Pai, pequei contra o Céu e contra ti.
Já não mereço ser chamado teu filho,
mas trata-me como um dos teus trabalhadores’.
Pôs-se a caminho e foi ter com o pai.
Ainda ele estava longe, quando o pai o viu:
encheu-se de compaixão
e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos.
Disse-lhe o filho:
‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti.
Já não mereço ser chamado teu filho’.
Mas o pai disse aos servos:
‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha.
Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés.
Trazei o vitelo gordo e matai-o.
Comamos e festejemos,
porque este meu filho estava morto e voltou à vida,
estava perdido e foi reencontrado’.
E começou a festa.
Ora o filho mais velho estava no campo.
Quando regressou,
ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.
O servo respondeu-lhe:
‘O teu irmão voltou
e teu pai mandou matar o vitelo gordo,
porque ele chegou são e salvo’.
Ele ficou ressentido e não queria entrar.
Então o pai veio cá fora instar com ele.
Mas ele respondeu ao pai:
‘Há tantos anos que eu te sirvo,
sem nunca transgredir uma ordem tua,
e nunca me deste um cabrito
para fazer uma festa com os meus amigos.
E agora, quando chegou esse teu filho,
que consumiu os teus bens com mulheres de má vida,
mataste-lhe o vitelo gordo’.
Disse-lhe o pai:
‘Filho, tu estás sempre comigo
e tudo o que é meu é teu.
Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos,
porque este teu irmão estava morto e voltou à vida,
estava perdido e foi reencontrado’».

1 comentário:

LA disse...

Sei que nao estas no Facebook mas pela a alguem que esteja para abrir o que postei hoje. A astrologia do conclave da' algumas indicacoes relevantes para o teu post. Sob a interpretacao depois falamos.

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