Mais do que ilustrar onde estarei daqui a um ano se me mantiver nestas funções nacionais e internacionais, importa referir a legenda da fotografia junto ao cotovelo esquerdo do dançarino: no child should die of cancer. Para os médicos, este ano pouco menos de 2000 na conferência, a motivação é esta. Para nós, Pais (mas também voluntários, sobreviventes, profissionais) a motivação é principalmente esta, mas também nos cabe o conforto quando o herói não sai a assobiar em direcção ao por do sol, mas fica pelo caminho.
Hoje deixo-vos com música que fui ouvindo durante a semana - num táxi, num jantar, numa conversa. Música boa, que merece ser ouvida.
Tenho estado a passar uns dias de férias numa praia a sul de Lisboa, numa casa agradável de que a minha mulher gosta, condição indispensável para que as coisas corram sem sobressaltos de maior. Acresce que a praia é boa, o tempo tem estado de feição e os amigos pródigos em atenções, encontrando-se pois reunidas condições favoráveis a uns dias de remanso bem passados.
Esta é uma boa altura para rebobinar o ano que passou e perspectivar o que se segue, em termos pessoais e profissionais, sabendo de antemão quão falíveis são as previsões (ou não víssemos nós o que vai por aí nessa matéria!). Lembrar sobretudo o que correu mal, e porquê, onde é que falhei e voltei a falhar, e quais as razões. Passar em revista as relações com os mais próximos. Redefinir as regras de vida e procurar cumpri-las. Desde logo aqui, cultivando o discernimento e a tolerância, como bem nos ensina o dono deste estabelecimento.
A música que escolhi é alegre e boa para curtir. Como estas férias, que agradeço ter gozado em tempos difíceis como estes. E que espero contribuam para que o novo ano que agora começa possa ser melhor.
Beauty has no other origin than the singular wound, different in every case, hidden or visible, which each man bears within himself(Jean Genet)
Gosto muito, muito de pintura. Já postei um texto sobre o Klimt e estou a pensar postar mais alguns sobre outros artistas. Hoje trago-vos um link (http://www.sandymallet.com) e dois quadros dum self taught painter, totalmente desconhecido do grande (e do pequeno!) público, que, por qualquer razão misteriosa, adoro. Acho-os duma suavidade e dum lirismo extraordinários. A meu ver, são quase femininos. E, no entanto, foram feitos por um homem. Sandy Mallet de seu nome. Meu ex-boss. Hoje em dia dedica-se à pintura a tempo inteiro (que eu saiba, confesso que já lhe perdi o rasto).
E porque é quinta-feira, a música. Uma música transparente que apetece ouvir ao volante dum carro a caminho do Algarve. Agosto, janela aberta, o dourado dum fim de tarde de Verão, uma mala com o indispensável, a guitarra inconfundível de Carlos Santana e a voz angelical de Sarah Mclachlan. O que se pode querer mais da vida?
Spend all your time waiting For that second chance For a break that would make it okay There’s always one reason To feel not good enough And it’s hard at the end of the day I need some distraction Oh beautiful release Memory seeps from my veins Let me be empty And weightless and maybe I’ll find some peace tonight
In the arms of an angel Fly away from here From this dark cold hotel room And the endlessness that you fear You are pulled from the wreckage Of your silent reverie You’re in the arms of the angel May you find some comfort there
So tired of the straight line And everywhere you turn There’s vultures and thieves at your back And the storm keeps on twisting You keep on building the lie That you make up for all that you lack It don’t make no difference
Escaping one last time It’s easier to believe in this sweet madness oh This glorious sadness that brings me to my knees
In the arms of an angel Fly away from here From this dark cold hotel room And the endlessness that you fear You are pulled from the wreckage Of your silent reverie You’re in the arms of the angel May you find some comfort there You’re in the arms of the angel May you find some comfort here