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27 agosto 2013

Duas Últimas

Dois inputs aparentemente desconexos contribuem para o meu post de hoje:

1) um livro que mão especialmente amiga me incentivou a ler;
2) uma frase que apanhei por aí, na minha ronda de blogues.

O livro chama-se O que o dia deve à noite (Yasmina Kahdra, editado pela Bizâncio em 2009) e conta a vida de um argelino, desde antes da 2ª Guerra Mundial, passando pela guerra da Argelia e terminando nos dias de hoje. Durante uma vida longa, Younes - ou Jonas, como também o tratam, como se fosse sinal de uma inexistência de identidade definida - deixa que tudo lhe passe ao lado: não se afeiçoa ao tio a quem é entregue, não estabelece relações sentimentais com raparigas ou mulheres, não toma posição no conflito que opõe a França à Argélia, recusa uma relação afectiva com a que seria o amor da sua vida.   

A frase, que traduzo livremente do italiano, diz que brevíssima é a vida dos que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. E afiança Séneca, o autor do pensamento, que os desgraçados que assim pensam só no fim percebem que estiveram ocupados a fazer nada. 

O nosso espírito tem destas artimanhas: apanha informações soltas no ar e junta-as, criando dentro de si próprio a ilusão de que o casamento é perfeito, que há nexos causais lógicos e que as relações que se estabelecem definem o princípio incipiente de um raciocínio. E eu, que tenho uma visão muito singular destas coisas, descortinei uma ligação muito clara entre o argelino e o Séneca: o tempo cronológico e o que fazemos com ele. 

Misturar o passado, o presente e o futuro num caldeiro e daí retirar uma vida plena tem uma dificuldade que está muito além da (in)capacidade humana. Resta-nos, por isso, a tentativa e o erro. Por vezes olhamos demasiado para trás; por vezes o presente assume foros de importância determinante; por vezes é apenas o futuro que interessa acima de tudo o resto. Por vezes é o inverso de tudo isto, transformado num resultado caótico porque se esqueceu, negligenciou ou temeu. Been there, done that... 

Younes - ou Jonas, como também o tratam - é um rapaz argelino, um adolescente argelino, um adulto argelino, por quem a vida passa sem que ele apanhe o comboio que o levará a um destino risonho. Não se afeiçoa, não se compromete, não luta. Ocupou a vida a fazer nada, gerindo mal o que tinha sido, o que era no momento e o que poderia vir a ser.

***

Deixo-vos com um perfume de música (também) do Mali, oferta do homem de Azeitão.

JdB


20 dezembro 2011

Duas últimas


Morreu no sábado passado Cesária Évora, verdadeira alma musical de Cabo Verde e principal responsável pela grande divulgação e projecção alcançadas pela morna, o mais importante género musical e de dança desse arquipélago.

Em sua homenagem, escolhi este dueto com Mayra Andrade, uma cabo-verdiana da nova geração quase com idade para ser neta de Cesária, num espectáculo realizado há pouco mais de um ano em Pequim. 

Gosto da música e dos ritmos e cadências africanos, e da morna em particular, do seu vagar e romantismo, e Cesária Évora é uma excelente representante e interprete de tudo isso.

Espero que gostem!

fq


28 novembro 2008

Músicas dos tempos que correm



Hoje era dia de gi publicar o seu post. Razões ponderosas não o permitem, mas onde está, está bem. Fica a Cesária Évora, a cantar petit pays, je t'aime beaucoup. E não está sozinha, seguramente.

JdB

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