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10 maio 2019

Duas Últimas

Enviado ontem por mão muito amiga - e não só a mão foi e é amiga, como foi providencial. Afinal, o dia tinha-se acabado, e eu, cansado com uma overdose (boa) de S. Tomás de Aquino (por motivos profissionais), sem qualquer inspiração, não sabia o que por. Eis se não quando aparece a Marisa Monte e a Sophia de Mello Breyner de mãos dadas, enviada por uma muito recente mãe. E aqui está...

JdB

***


O espírito da vida estremeceu quando 
No escuro percebi que eras tu, Maria, 
A minha filha adorada, boa como o pão
e fonte de alegria
(ilegível)

Pareceu-me que era felicidade a mais ficares
Até altas horas decifrando o azul escuro 
Dos rostos da noite e era para mim a inteira
Maria, bela, misteriosa, boa

E tudo em mim ficou confiança e amor partilhado 
E Deus tinha derramado sobre nós
A benção da sua mais alta estrela
E a beleza da noite nos acompanha
Hoje onze de Agosto 
E a noite parecia encantada



16 agosto 2016

Duas Últimas

Mais uma sugestão do meu filho, na sua playlist de Verão. Eu, pelo título, é mais saudade do Outono que tende a demorar-se, tal é o meu incómodo com o calor que me derrete energia, criatividade, decência e bons costumes. Não quero chuva, confesso, mas uma brisa fresca, uma humidadezinha, um ar menos seco e uma relva menos amarela.

Sejam felizes, ainda que cheios de calor.

JdB



Retirado do álbum "Canto" (2014)
Música: Marisa Monte
Letra: Arnaldo Antunes
Animação: Nicolau.pt

CHUVA NO MAR

Coisas transformam-se em mim,
É como chuva no mar,
Se desmancha assim em
Ondas a me atravessar,
Um corpo sopro no ar
Com um nome p’ra chamar,
É só alguém batizar,
Nome p’ra chamar de
Nuvem, vidraça, varal,
Asa, desejo, quintal,
O horizonte lá longe,
Tudo o que o olho alcançar
E o que ninguém escutar,
Te invade sem parar,
Te transforma sem ninguém notar,
Frases, vozes, cores,
Ondas, frequências, sinais,
O mundo é grande demais.
Coisas transformam-se em mim,
Por todo o mundo é assim.

12 março 2013

Duas últimas

Pixinguinha é, neste blogue, uma sensação de déjá écouté.

Ontem, ao fim da noite, debatia-me com uma falta de inspiração tremenda para o post de hoje, tentando não desmerecer da qualidade de escrita e escolha do meu querido amigo fq. Pedi sugestões ao meu filho porque, ao contrário do que poderá acontecer com outras pessoas, a dificuldade que sinto é a da escolha musical, porque a redacção do texto é (quase) sempre fácil.

A resposta do jovem foi rápida, e apresentou-me ao Yamandú Costa, a cantar o Carinhoso. Melhor, a tocar o Carinhoso à viola (oito cordas), enquanto o público do teatro canta primorosamente uma toada lindíssima. Estamos habituados ao público português que se pela por bater palmas a compasso, mesmo que se toque o Requiem de Mozart. Não sei se o homem do violão canta ou não. Aqui, neste youtube, não o faz, e o resultado é fantástico.

Depois, não contente com a sugestão feita, o rapaz arrimou-se e mandou-me o link para a mesma música, mas cantada deliciosamente pela Marisa Monte, acompanhada por Paulinho da Viola. No fundo, no fundo, isto é como uma esplanada num verão muito quente - há que beber sempre duas imperiais. A primeira, deliciosa, para limpar a goela de securas. A segunda, deliciosa, para apreciar lentamente, enquanto o sol se põe ao longe no mar, ou numa qualquer estrada monumental. Qual é a mais deliciosa das duas? Pois não sei...

Apreciem o Carinhoso - a música, a letra, a interpretação. São duas imperiais fantásticas. E agradeçam ao meu filho, que eu pouco fiz.

JdB   



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