As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
08 fevereiro 2011
Alguém tem soluções para o futuro do país?
23 julho 2009
Carta ao presidente Obama
Siga a pista aqui, no site do i.
Mónica Bello
09 abril 2009
Horizontes dos dias que não correm

Mónica Bello
02 abril 2009
O furacão



Mónica Bello
12 março 2009
Uma redacção nova

Quatro dias depois da estreia, um tapete vermelho continua a dar-nos as boas vindas todas as manhãs. O tempo corre. Sem tempo para respirar. Aproxima-se o dia i.
Mónica Bello
05 março 2009
A última edição
Deixo aqui o filme “Final Edition” do “Rocky Mountain News”. Vinte e um minutos e alguns segundos de uma história bem contada. Uma história triste. Bom jornalismo.
26 fevereiro 2009
Uma orquestra no caos
Mónica Bello
19 fevereiro 2009
Dancem com ele
Já agora, faça zoom só na produção dos passos de dança na companhia de alguns “homens de peruca Huli” (tradução literal de “Huli Wigmen”) nos confins da Papua Nova Guiné.
Uma boa maneira de percebermos que vivemos todos no mesmo mundo.
Sorriam. Tenham um bom dia.
Mónica Bello
12 fevereiro 2009
Outro dia
Mónica Bello
05 fevereiro 2009
29 janeiro 2009
Um desejo
Uma ideia simples. Sair à rua e fazer a mesma pergunta a 50 pessoas. Cinquenta pessoas com quem cruzamos na rua todos os dias, que não conhecemos, nem conheceremos. Caras desfocadas que se diluem num mar desfocado de caras. Mas que se transformam em pessoas quando respondem a uma única pergunta. Que desejo gostaria que se tornasse realidade até ao fim do dia?
Um bom exercício de simplicidade. E de proximidade. Este foi feito em New Orleans. (Apesar de ter um minuto e meio a mais – no início – para ser perfeito.) Mas podia ser gravado em qualquer parte do mundo.
Se me perguntassem a mim?
E a ti?
E a vocês, aí fora?
Mónica Bello
22 janeiro 2009
Back to basics
Agora que mergulhei de cabeça no “admirável mundo online” e nos desafios para a informação online, confesso que aquilo que me apetece é twittar. Ou seja, vou continuar a percorrer no “Adeus…” este meu caminho errático. Que espero não seja errático de mais para quem lê ou vê.
Twitt desta semana: Food for thoughts. A missão do sr. Gebregiorgis. Ou back to basics.
Mónica Bello
15 janeiro 2009
O cimento antes de secar
Estou a tentar abrir uma porta.
Não sei para que lado a chave vai quebrar
nem sei como chegou à minha tentativa
o interdito com que de novo procuro.
Alguma coisa está a ser calcada
no interstício dos gonzos, na dobradiça
cercada de estrelas mortas a fulgir.
Atravessou entre pinheiros.
O vento levantava areia,
enterrava-se no côncavo da represa.
Faltava a esse amor a ilusão
do amor. O céu mordente.
Esse rastilho quase animal.
Toda a explosão do mundo.
De golpe incendiaram-se as plantas,
as que de mês a mês vemos crescer
até às flores as que dão flor,
a novos ramos as que só dão folhas.
Mês a Mês, ramo a ramo, flor a flor,
a mentira bate na lagoa e dança
no tecto com as venezianas corridas.
Ficámos a falar por muito tempo.
Tinha o corpo de betão.
Mostrei-lhe livros, discos, labaredas
que falham quando procuramos
as palavras que já os olhos disseram.
E há um silêncio entre gestos cegos.
O mármore pulsa com os pontos cardeais.
Parece o coração. Bátegas
de encontro ao fechamento, obscuras.
Escuta, continua a escutar, a treva
solta-se da terra inacessível
onde os diamantes prefiguram
a nossa petrificação.
Vivíamos no canal de lava da rua,
no último café a fechar,
as solas sobre um vidro em ebulição
e perdíamos.
É muito de manhã. Acorda
a dor humana que me faz companhia.
Estou a sair de tua casa
a caminho de lugar nenhum,
a minha casa, esse vazio
com a música arrumada,
o cinzeiro, o aspirador, a cortina míope,
a gelatina da cama
onde não mais queria voltar.
Joaquim Manuel Magalhães, in “a poeira levada pelo vento”

Mónica Bello
08 janeiro 2009
Arrumações
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Gottfried Fritz voltaria a Berlim quatro anos e oito meses mais tarde, em finais de Janeiro de 1950. Esse intervalo da vida, de que nunca falou, passou-o em dois campos de internamento, como lhes chamavam, à época, e o maior período, quatro anos e um mês, esteve no Campo Especial nº 2, ex-campo de concentração nazi de Buchenwald, transformado pelo comando soviético em campo de prisioneiros. Gottfried, ex-agente da Krippo, a versão alemã da polícia judiciária, foi um dos 28.455 homens e mulheres (cerca de mil mulheres, algumas acompanhadas de crianças pequenas) internadas em Buchenwald no pós-guerra. Nenhum deles foi julgado.
Cheguei a Buchenwald numa manhã fria e de céu encoberto. Um dia de Inverno, quatro décadas e meia depois de Gottfried ter partido com um livre-trânsito da Cruz Vermelha na mão e licença para apanhar um comboio de regresso a casa. Cheguei num desses dias em que o mundo fica da cor do chumbo e a terra parece suar em frio. Buchenwald está afundado em sombras. Onde os pesadelos tomam conta do ar. Primeiro, o pesadelo dos 50 mil que aqui morreram de fome, doença, maus tratos e puro assassinato às mãos dos nazis; depois, o dos sete mil, enterrados sem nome na floresta que se adivinha ao fundo, durante a administração soviética do campo.
Quase seis décadas depois, nada disto tem importância e importa ainda a muito poucos. Na Grolmanstrasse, nº 15, em Berlim, ergue-se hoje um edifício moderno, onde tem sede uma consultora imobiliária, com negócios centrados na Alemanha, em França, na Europa Central e de Leste. Hans Mulka, o administrador do velho prédio arrasado por uma bomba aliada desapareceu há muitos anos. O testemunho que escreveu naquele dia 29 de Maio de 1945, seria anexado, em 1950, ao processo de “desnazificação” de Gottfried, que viveu até aos 100 anos. Sobreviveu para ver o muro cair em Berlim e a Alemanha reunificada.
Este fim-de-semana arrumei papéis. Velhos papéis que herdamos um dia. E que um dia deixamos que nos contem histórias de uma história que intuímos, como uma recordação que nunca vivemos.
Lembro-me bem das mãos do meu avô. Grandes e ásperas como a vida. E que guardavam as minhas quando me levava de passeio pelos jardins do palácio de Charlottenburg.
Mónica Bello
01 janeiro 2009
Vidas cruzadas
Martin Adler nasceu em Estocolmo, em 1958, de mãe britânica e pai sueco. Estudou antropologia em Londres, optou pelo jornalismo e juntou-se a um pequeno grupo de profissionais em vias de extinção - os repórteres de guerra. Esteve praticamente em todos os cantos onde o mundo ameaçava vir a desabar ou já se desmoronava: de Caxemira ao Ruanda, do Sri Lanka à Guatemala, do Afeganistão à Chechénia, no Iraque, em Darfur, na Indonésia, na Somália, no Congo, na Serra Leoa, na Libéria, na Bósnia, na Eritreia, no Burundi, na Nigéria. Começou por escrever e fotografar, passou depois a carregar também uma máquina de filmar. Preferia ser freelancer e dono do seu destino. Trabalhou sobretudo para jornais e televisões em Inglaterra e na Suécia e recebeu inúmeros prémios (em 2007, o Rory Peck Trust, instituição que apoia jornalistas freelance e respectivas famílias em todo o mundo, instituiu o Prémio Martin Adler). Em Portugal, foi colaborador permanente da revista “Grande Reportagem”, depois de “O Independente”, e durante mais de uma década os textos e as fotografias publicados nessas páginas foram a maior prova do seu profissionalismo e objectividade. E da sua enorme coragem.
Martin preferia cobrir os conflitos e as misérias humanas de que ninguém se lembrava ou que o mundo fazia por esquecer. Nos intervalos voltava a Vasteras, na Suécia, onde vivia com a mulher e as duas filhas. Nos intervalos reactivava contactos e planeava as próximas reportagens. Era nesses intervalos que o telefone tocava. Que ele cruzava a vida com as vidas dos outros.
Talvez seja da época. Ou destes dias de chuva intermitente. Ou das más notícias que chegam de Israel, do Zimbabué ou sobre a crescente tensão entre a Índia e o Paquistão. Ou talvez seja só a estranha saudade de uma noite de Verão e de conversa em Lisboa.
Take care, Martin. Como noutro tempo.
http://br.youtube.com/watch?v=VSX4ZfFGXnU
On Patrol with Charlie Company, no Iraque, a reportagem emitida pelo canal de televisão norte-americano PBS que, em 2004, valeu a Martin Adler o Prémio Rory Peck.
Mónica Bello
25 dezembro 2008
Christmas play
Vou passar devagarinho à sala do lado, fechar a porta e os olhos e deixar correr estes pouco mais de sete minutos do Concerto de Natal de Corelli - dirigido e interpretado por Roy Goodman e o Brandenburg Consort. Replaying.
Mónica Bello
18 dezembro 2008
Um murro no estômago
“Condition: Critical”, como lhe chamam abreviadamente, dá-nos a pior imagem de África. O inferno que se instalou no Congo é exemplo das piores notícias que costumam chegar daquele continente. Mas apesar de todo o horror, de toda a selvajaria, de toda a demência e desolação - em que as imagens de um Jesus crucificado só parecem dramatizar ainda mais a ausência de salvação para os que conseguem sobreviver -, ainda é possível encontrar uma semente de vontade entre as centenas de milhar de refugiados da região de Kivu - mulheres e homens bons, disponíveis para voltar a casa e reconstruir a vida.
“De que é que um gajo ainda se queixa?”, perguntam-me aqui ao lado.
Mónica Bello
11 dezembro 2008
Uma lição de vida em seis minutos e cinquenta e um segundos
É uma lição de jornalismo de dois fotógrafos profissionais norte-americanos, Charla Jones e Jayson Taylor, que há um ano decidiram dedicar-se ao vídeo jornalismo. “Farm Family”, como o nome indica, é a história de uma família rural - do Maine. De uma segunda oportunidade. De coisas simples e tão complicadas como o amor e uma família.
Vale a pena parar durante seis minutos e cinquenta e um segundos para conhecer a família Tibbetts.
Mónica Bello
04 dezembro 2008
A 6 de Outubro deste ano, Tan Dun dirigiu a London Symphony Orchestra na estreia da Internet Symphony No. 1 "Eroica", para o Youtube, da autoria deste compositor e maestro chinês.
Vale a pena ver e ouvir.
A primeira orquestra sinfónica global
A estreia da primeira orquestra sinfónica global está marcada para o dia 15 de Abril de 2009, em Nova Iorque, no Carnegie Hall – cem músicos de todo o mundo dirigidos por Michael Tilson Thomas, o maestro da orquestra sinfónica de São Francisco.
As inscrições e as audições estão abertas online.
Vale a pena esperar.
Mónica Bello
27 novembro 2008

Mónica Bello
Acerca de mim
- JdB
- Estoril, Portugal