Mostrar mensagens com a etiqueta Ricardo Ribeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ricardo Ribeiro. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de março de 2018

Duas Últimas

Ontem fui aos 40 anos de casados de amigos recentes, mas cuja amizade prezo. Embora sejam pessoas mais velhas do que eu, e tenham casado relativamente cedo, são gente da minha geração. Mandaram celebrar missa no mesmo sítio onde casaram, rezada pelo mesmo padre que os casou - agora com 86 anos. Nestas bodas de esmeralda (aprendo ontem) estava gente que não estava há 40 anos, gente que repetiu as cerimónias, faltavam pessoas - porque morreram - que estiveram ali ontem, mas há 4o anos. Nada de muito surpreendente na dinâmica da vida. 

40 anos é mais do que uma vida. Daquele casamento nasceram filhas e netos. Daquele casamento, como de outros que vou conhecendo mais ou menos com a mesma idade, nasceram ideias de casamentos perfeitos - não porque isentos de discussões e zangas, mas porque isentos de desistência. Tal como um santo é um pecador que não desiste, um casamento perfeito é aquele do qual não se desiste, em busca de uma felicidade que é um caminho, não um destino.

A longevidade destes casamentos representa tudo - uma dimensão de sorte, de esforço, de cedência mútua, de negociação, talvez até de vontade de mandar tudo às malvas.  Mas significa, acima de tudo, a ideia de exequibilidade, de possibilidade. Sim, é possível nos dias de hoje festejarem-se 40 anos de casados, contra todas as ideias que vão em sentido contrário. Não significa isto que o fim de alguns casamentos não tenha sido um inevitabilidade. Sim, alguns acabaram porque tinham de acabar, assim como outros acabaram sem que isso fosse uma inevitabilidade. 

40 anos é uma vida. E pode ser uma vida cheia, assim as pessoas queiram e o destino ajude. 

Deixo-vos com uma dupla que já por aqui passou, talvez mesmo com este belíssimo poema de Pedro Homem de Mello. "Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu."

JdB


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Duas Últimas

Se a chuva ocasional de ontem, forte e intensa, foi para uns momento de neurastenia, a mim-me deixou prenúncios benfazejos, ainda que prematuros, de Outono.  De janela aberta, a meio da manhã, cheirei o cheiro da terra molhada e imaginei, ingenuamente, o mercúrio do termómetro a descer, os dias a encurtar, a necessidade de resguardo. Sei que será chuva de pouca dura, que Setembro pode ser um bom mês para quem ainda ambiciona praia e dias ao sol.

Ontem, numa conversa breve, uma amiga dizia-me que gostava do Outono porque os dias curtos demoravam menos tempo a passar. São motivos diferentes os que me levam a apreciar esta época do ano: o Outono, tal como a música mais triste (e já aqui falei sobre isto) é centrípeto, convida ao recolhimento, à interiorização das ideias, à descoberta do sentido das coisas, à protecção que se encontra em locais familiares. Talvez, num certo sentido, seja uma estação do ano mais segura (importante?), porque mais propícia a decisões sérias. Para quem faz do regresso a casa um tema fulcral nas suas deambulações metafísicas, o Outono tem de ser uma presença - talvez mesmo uma dominância. 

Deixo-vos com um conjunto bonito de aspectos estéticos: Monserrate, a viola de Pedro Jóia, a voz de Ricardo Ribeiro e, não menos importante, uns belíssimos versos de Pedro Homem de Mello. 

Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu.

JdB  




Entrega

Descalço venho dos confins da infância
Que a minha infância ainda não morreu.
Atrás de mim em face ainda há distância
Menino Deus, Jesus da minha infância,
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu

Venho da estranha noite dos poetas,
Noite em que o mundo nunca me entendeu
Vê trago as mãos vazias dos poetas.
Menino Deus, amigo dos poetas,
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu

Feriu-me um dardo, ensanguentei as ruas
Onde o demónio em vão me apareceu.
Porque as estrelas todas eram suas
Menino irmão dos que erram pelas ruas
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu

Quem te ignorar ignora os que são tristes
Ó meu irmão Jesus, triste como eu
Ó meu irmão, menino de olhos tristes,
Nada mais tenho além dos olhos tristes
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu!

Pedro Homem de Mello

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Duas Últimas

Atrapalhado com a feitura do primeiro draft da tese de mestrado - o tempo é curto e a sabedoria pouca... - falta-me a inspiração para escritas bloguistas. 

Deixo-vos com Pedro Jóia - numa parceria com Ricardo Ribeiro e num solo.

JdB


Acerca de mim

Arquivo do blogue