Um dia, a conversar sobre solidão, dizia-me alguém que tem uma companhia esporádica: sabes, sinto-me muitas vezes sozinha@. Nem sempre tenho com quem conversar. Respondi-lhe que sim, que percebia muito bem a situação, mas que, no caso desta pessoa, havia promessa de beijos, significando que havia a expectativa de chegar alguém.
A expressão promessa de beijos é uma expressão bonita. É um verso de um poema mais comprido intitulado Uma casa Portuguesa. Cito um excerto:
Um cheirinho a alecrim
Um cacho de uvas doiradas
Duas rosas num jardim
Um São José de azulejo
Mais o Sol da primavera
Uma promessa de beijos
Dois braços à minha espera
É uma casa portuguesa com certeza
É com certeza uma casa portuguesa
O poema é singelo - há nele uma dimensão muito popular. O ponto que quero realçar é o encanto de dois versos num texto menos interessante. Uma promessa de beijos / dois braços à minha espera contam uma história. Na minha opinião não seria preciso muito mais nada.
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Tive um pensamento peregrino - e dei um salto quântico - e já falei disto neste estabelecimento.
No seu livro A Pesca à Linha - Algumas Memórias, António Alçada Baptista diz ter tido um extraordinário abalo quando soube, por um livro de António Ferro, que Salazar tinha no seu escritório o soneto de Plotin intitulado Le bonheur de ce monde: