Aviso à navegação: este post não é para gente que queira coisas contentinhas pela manhã.
O Eça falava no som triste do oboé mas eu tenho para mim que som triste mesmo é o do violoncelo. Talvez não haja instrumento tão triste, mesmo quando (e não é este o caso) toca uma música agitada. Há no som do violoncelo uma nostalgia, uma gravidade e uma tristeza bela que são independentes, quase, daquilo que interpretam.
O violoncelo não é, digo eu que nada sei, um instrumento de Primavera, menos ainda de Verão: é outonal, sobretudo: reflexivo, convidando à interioridade, ao dobrar-se sobre si mesmo para efeitos de protecção do que agride e que vem do exterior, que por vezes não é mais do que o interior que parece que vem de fora.
Talvez este canto dos pássaros que aqui vos trago não seja o que os traz para cá, mas o que os leva para fora. É um movimento de partida, porque outonal, porque acompanhado pelos dias que encurtam e que convidam à memória - esse refúgio que todo o homem procura em tempos de intempérie.
E talvez este cinema paraíso seja todo ele feito de preto e branco, de lembranças, de beijos roubados e de fogos que tudo levaram, menos aquilo que nenhum fogo consome.
E talvez este cinema paraíso seja todo ele feito de preto e branco, de lembranças, de beijos roubados e de fogos que tudo levaram, menos aquilo que nenhum fogo consome.
Não é, repito, um post para gente contentinha. Para isso há estabelecimentos melhores.
JdB