quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Das estratégias fabris


No meu post de 2ªf abordei uma técnica relacionada com recursos humanos que aprendi nas minhas actividades de empregado fabril. Estes últimos tempos, por motivos que não vêm ao caso, tenho falado de Qualidade. Curiosamente, numa ronda por relógios velhos que estavam dentro de uma caixa, deparei-me com um exemplar, oferecido pela multinacional que me empregou, a comemorar o sucesso do SIG - Sistema Integrado de Gestão (para o qual dei um contributo de que me orgulho) que juntava as vertentes certificadas da Qualidade, Ambiente e Segurança. Por último, um destes dias encontro referência ao livro acima. Não o li, mas depreendo que estará muito relacionado com uma técnica chamada 5S (criada por japoneses, é claro, e muito utilizada na fábrica onde trabalhei) que ajuda a arrumar espaços de trabalho, desde um simples gabinete até uma zona fabril cheia de máquinas, paletes, pessoas e empilhadores em circulação. Uma técnica identificada por uma frase simples: um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar.  

Sou revisitado ultimamente por temas fabris. Ainda que seja um homem muito dado aos sinais, não encontro nas coincidências referidas no parágrafo anterior nenhuma mensagem subliminar: não é provável que volte a trabalhar em full-time numa fábrica. E no entanto acho curioso encontrar cruzamentos entre técnicas usadas num ambiente fabril - Qualidade, arrumação, recursos humanos - e a vida corriqueira de cada um de nós. Basta pensar na importância que as Normas ISO dão à correcção das não conformidades, à utilização das acções imediatas ou das acções correctivas e perceber que isso se aplica em tantos aspectos do nosso dia-a-dia. Ou imaginar que arrumar uma casa é sinal de arrumar uma vida. E tantos outros que o respeito pelo precioso tempo dos meus ainda fiéis leitores me impede de elencar.

Uma fábrica pode ser, curiosamente, muito mais do que um local onde se transformam matérias primas e materiais de embalagem em produtos acabados prontos para comercialização. Uma fábrica pode ser a replicação de uma vida que se vive sozinha ou em conjunto com pessoas diferentes mas que deveriam trabalhar para o mesmo fim. Uma fábrica é um cosmos próprio onde se assistem a lutas de poder, se criam estratégias de negociação, se estabelecem objectivos ou se definem necessidades de formação para enriquecimento dos seus colaboradores. Muitos relacionamentos de amigos / casais / famílias teriam a aprender com uma visita a uma fábrica e com as estratégias que aí são utilizadas para a tornar mais eficiente - isto é, mais perfeita.  

JdB

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