Breves comentários sobre alguns temas amplamente noticiados pela comunicação social nos últimos tempos, normalmente sempre no sentido da "cartilha" e do "politicamente correcto" (seja lá o que isso for), que discordar dá trabalho e pode originar contratempos:
Eutanásia - A AR decidiu bem. Todavia, se a votação fosse secreta, não sei se o resultado seria o mesmo. Os derrotados pareciam ter ganho, tal a impertinência e tiques de superioridade habituais demonstrados. Que esperem, só lhes faz bem.
Espanha - No poder os que perderam as eleições (onde é que já vi isto? ; situações diversas, apesar de tudo). Por cá, satisfação geral. Veremos daqui a uns tempos se sensação se mantém. Como sabemos, a situação de Espanha é crucial para Portugal.
Itália - Os populismos lá se entenderam para formar Governo, mas só o de direita é que é mau....
Sporting - BdC até nem começou mal, identificando males endémicos do futebol cá da terra. Depois guinou para dentro, e mostrou-se verdadeiramente (se queres ver o vilão....). Não tem todas as culpas, e vão-se ver gregos para correr com ele.
Belenenses - Poucos adeptos, e desavindos. Um clube, duas lideranças que se detestam. Poderá acabar a jogar em Leiria ou, quem sabe, em algum estádio mais próximo que fique entretanto vago...
Bahamas - Excelente para férias. Para negócios (lícitos, já se vê), espero conseguir responder daqui a uns tempos.
Deixo-vos com duas mulheres que no mínimo têm em comum duas grandes vozes. Para além, claro, do "y" nos nomes próprios.
Caros audiophiles, it seems these days that every week I am commemorating the life and death of another musical artist.
This week, of course, we have been shocked by the terrible events in Norway, tragic because of the pointless inhumanity of the killer and the innocence of his victims.
Less innocent, less unexpected, but still tragically sad, was the death of Amy Winehouse. My first thought was "surely somebody could have done more to help her?", a mixture of anger and sadness that she was not able to avoid what many people had observed was inevitable.
But I do not want to judge something I do not know enough about. I prefer to reflect on her talent for singing, her amazing voice steeped in blues and soul, and her lyrics so witty and honest and unsentimental which seemed to document her life..
The first two videos I have chosen show her performing live, in happier health and mood, even if the lyrics concern the breakdown of her marriage.
"Back to Black":
"Love is a Losing Game":
This next song, "To Know Him is to Love Him", appeared on the special edition of her Back To Black album, one of a selection of acoustic songs with just Amy and her guitar. The lyrics just make you wonder how different her life perhaps could have been.
The final video is one of Amy's favourite songs, "So Far Away", played at her funeral, composed and performed by the brilliant Carole KIng:
Li, nestas férias, um livro de auto-ajuda. Intitula-se Soul Mates - Honoring the Mysteries of Love & Relationship. O seu autor, Thomas Moore, é americano, ex-monge e actualmente casado. Os seus interesses assumidos são a poesia, a filosofia, a religião, a psicologia… tudo o que se prende com a alma, a imaginação, o tao, o eros, os arquétipos, Jung, Freud, Ficino, Platão, you name it. Não achei o livro brilhante, já que tinha lido um outro dele anteriormente – O Sentido da Alma – que achei francamente melhor. Este é um pouco a repetição do anterior mas mais focado nas relações humanas. Não tendo a profundidade dos tratados – trata-se dum livro para o grande público - dá para perceber que o autor sabe do que fala. Não há uma dúvida que o livro apresenta insights muitíssimo interessantes sobre a linguagem da alma na vida humana. Linguagem que por ser tão encriptada, é trabalho (e que trabalho) para uma vida inteira!
Por junto, Thomas Moore defende que a linguagem da alma deve ser honrada, não-julgada e sempre seguida. O que significa que sempre que seguimos a nossa alma (que em muitos casos se confunde com o coração ou com a intuição), estamos no bom caminho. Independentemente do resultado. Que pode ser, aliás, catastrófico. Por outras palavras, Thomas Moore defende a teoria da fidelidade a si próprio. Até aqui tudo bem. A questão é que TM defende um tipo de fidelidade livre (tanto quanto se pode ser) de convenções sociais, morais ou religiosas. Sistematicamente livre, fazendo da “liberdade” o “verdadeiro” caminho. Mas uma fidelidade vivida, subentende-se, com responsabilidade, maturidade e lucidez. Depreende-se, portanto, que o sujeito da escolha tem plena consciência que acção gera resultado, que o que sentimos, fazemos e dizemos tem consequências no Outro e no mundo.
O outcome do viver na fidelidade a si próprio é o abandono ao mistério, é a construtiva (ou destrutiva?) expansão de nós próprios, é o viver a vida duma forma plena, intensamente criativa, alternando luz e sombra (às vezes profunda sombra, profundo sofrimento), num let it flow permanente. Mas sempre num espírito de aceitação, de entrega e de confiança que a Vida é muito maior e poderosa do que nós próprios.
Impressionaram-me várias partes do livro. Transcrevo uma das mais intensas e polémicas: If we imagine ourselves as being every bit as huge, deep, mysterious and awe-inspiring as the night sky, we might begin to appreciate how complicated we are as individuals, and how much of who we are is unknown not only to others but to ourselves. Our natures will always be largely uninterpretable. If we were only to stop interfering with this vast potentiality of the soul, there would be no telling what we could achieve or how much life would flow through us.
Não acho simples defender esta teoria que parece colocar o Homem no centro da Vida, pleno actor e arquitecto da sua própria existência, removendo Deus para um plano distante, para um papel de mero observador e, sobretudo, de não-Pai. Sim, não, talvez? Cada um sabe de si, cada um tem o seu olhar sobre Deus. Mas também não é fácil viver seguindo consciências excessivamente balizadas que, no limite, podem ser castradoras e não favorecedoras da plena expansão e expressão individuais.
Estou em crer, no entanto, que os Santos e gurus por esse mundo fora e ao longo da História, após anos de reflexão, estudo e sofrimento libertador, chegaram ao ponto que Thomas Moore defende. Naturalmente, e sempre, em total liberdade e consciência, optar pelo Bem, fazer o Bem, gostar do Bem. É chegar a um ponto em que o ego deixa de existir e se funde com o plano divino. Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Esta mensagem de São Paulo é, evidentemente, cristã. Mas extravasa a Cristandade se entendermos o significado das grandes religiões. Todas falam nessa vivência de profundidade, de comunhão com Algo de maior.
No fundo é como se estes homens tivessem eliminado a cegueira que impede os olhos do coração de verem mais longe (não era disto que tratava a tragédia grega?). É como se estes homens tivessem sintetizado em si a essência de Deus e a essência da Vida. Que, no campo metafísico se fundem, mas que, no plano físico, se tendem a dispersar. Nas palavras de Gandhi, numa felicíssima descrição do que é a Felicidade: Felicidade é quando aquilo que pensamos, sentimos e fazemos se encontram em perfeita harmonia.
Mas quantos de nós estão neste ponto? Quantos de nós chegarão a este ponto ao longo desta vida? Sim, porque não acredito, de todo, na reincarnação e em aprendizagens em vidas subsequentes.
Entretanto, faz-se o que se pode: ouvir, ou não, a voz da consciência. Fazer o que nos apetece ou aquilo para que fomos “programados”. Viver pelo princípio do prazer ou pelo do dever. Viver umas vezes egoisticamente, outras deixando os outros falar mais alto. Ser animal, ou ser espiritual. Resumindo, nas palavras dum amigo muito querido: todos os dias Nossa Senhora me fala, e todos os dias eu escolho não a ouvir.
Verdadeiramente, a liberdade é um mistério, a vida é um mistério, nós somos um mistério (para os outros e até para nós próprios). Por isso, se calhar, é melhor mesmo carpe diem, let it flow, e acreditar que tudo isto da vida é excessivamente grande, bom e felizmente inexplicável para que tentemos dominar ou sequer perceber (nas palavras de outro amigo muito querido).
Meu Deus, cheguei ao início do meu raciocínio! Se calhar Thomas Moore está coberto de razão…ou não estará?
E agora a música, porque é de música que as quintas-feiras tratam. Uma repeater da qual não me canso (tal como do Rui Veloso). Amy Winehouse e a sua forma inconfundível de estar, cantar e sentir a música.
Ainda rabisquei um texto para acompanhar a minha escolha desta semana. Imaginei uma carta escrita por uma mãe totalmente desesperada que tenta, pela 57ª vez (seria a 57ª carta), recuperar uma filha da inevitável degradação provocada pelo consumo das drogas. Imaginei uma carta pungente, um amor derramado em palavras feitas de dor e de coragem, de perdão e de desespero, de apelo à razoabilidade e de orgulho desmedido por um talento e um carisma inegáveis. Imaginei-me a mãe da Amy Winehouse, a minha escolha desta semana. Mas depois pensei: uma carta desesperada? Mas quem é que quer ler isso? Uma carta duma mãe? Mas eu nem sou mãe! E que sei eu da vida da Amy, para dar algum substrato, alguma consistência a um texto que se pretende minimamente interessante? Pouco ou nada, só as patetices da imprensa sensacionalista ou da televisão … não! Decididamente não escrevo nenhuma carta. Ia ficar uma coisa muito lamechas, muito parvinha…
Não quero nada disso para a minha “convidada”, passo a presunção da expressão, desta semana. De quem sou fã absoluta. Lamento profundamente o caminho que tem seguido. Não acredito que seja feliz e que faça feliz quem a rodeia. Mas a vida tem destas coisas e que sei eu, ou quem sou eu, para a julgar, condenar, criticar, apontar o dedo? Gostava muito que se recuperasse, isso gostava. Sei que o mundo ficava a ganhar. Não acham?
PS1: como hoje escrevi pouco, resolvi incluir dois vídeos. Um mais clássico, mais puro, mais jazz, que exemplifica na perfeição, a meu ver, o tremendo talento da minha “convidada”. No outro, vemos uma Amy mais motown/blues/soul (não sei se estou a definir bem…), com um look muito mais cool, a interpretar um famoso original do Marvin Gaye. De realçar o belíssimo acompanhamento musical da Jools & His Rhythm and Blues Orchestra.
PS2: para me decidir por estes dois vídeos, tive de ver vários (no YouTube), como é óbvio. E tive a MAIOR dificuldade em escolher os que vos queria apresentar. Aconselho-vos a fazer uma pesquisa para a conhecerem melhor…