terça-feira, 2 de março de 2010

Berlim

Começo esta crónica de viagem com uma nota histórica, para ver se consigo transmitir alguma credibilidade a quem me lê. A construção de Berlim foi inspirada em Paris. O arquitecto responsável pelo projecto, Sr. X (nome fictício por questões de privacidade, seguramente não por eu não fazer a menor ideia do nome do senhor), imaginou uma cidade com avenidas largas que vão dar a um ponto comum, jardins e muitas árvores. Claro que eu não sabia isto, nem sequer pesquisei na internet ou em livros da especialidade. No meio dos passeios apanhei um tour de turistas chineses e juntei-me a eles o tempo suficiente para ouvir algumas curiosidades. E curioso é também o facto de as árvores em Berlim estarem todas numeradas.

Posto isto, posso falar sobre a minha viagem. Foi de certeza muito menos intelectual do que a dos chineses acima, todos com máquinas a tiracolo e sempre a tirar fotografias a tudo o que o guia apontava. Conselho para quem viaja: sempre que precisarem de um estranho para tirar a fotografia de grupo da praxe, escolham estes amigos de olhos em bico. Dominam o aparelho com uma perícia de quem cresceu a fazer aquilo, abanam a cabeça com um ar sorridente e não querem fazer conversa, não fazem perguntas do género de ‘onde é que carrego para tirar?’, e têm uma bela noção de enquadramento. São sempre apostas garantidas.

Voltando agora à viagem em si. Acho que já esgotei todos os apartes que tinha a fazer; sigamos. Não decorei um único nome das ruas por onde passei. Para mim era tudo ‘aquela rua ao pé da filarmónica, e a outra perpendicular ao tiergarten e paralela à praça do parlamento’. Tinha dificuldade em ler os nomes das estações, quanto mais decorar palavras com oito e nove consoantes.

Impressões de Berlim? Para alguém com formação ou olho para arquitectura, a cidade deve ser única. Arquitectonicamente parece-me muito bem conseguida. Edifícios avant-garde que ligam muito bem com outros mais óbvios e tradicionais. Isto, claro, sou eu a dizer. Pode ser uma parvoíce como outra qualquer. Ainda desenho as casas da mesma maneira que desenhava na segunda classe, com aqueles telhados em perspectiva que aos 7 anos são um avanço técnico gigante. Deixo abaixo um desses edifícios avant-garde de que falei atrás e que foi, talvez, o que mais gostei - a Filarmónica de Berlim.



Diz quem lá foi que a sala principal é do calibre do edifício, e que a acústica é única. É como ouvir o concerto ao colo do maestro. Infelizmente não posso comprovar isso.

Uma das ideias com que fiquei é que Berlim é uma grande cidade para artistas ou aspirantes a. Um dos sítios obrigatórios a visitar é um prédio em ruínas que foi ocupado por várias pessoas que lá trabalham e fazem negócio. E o trabalho / negócio passa principalmente por escultura e pintura. O ambiente é estranho e pouco apelativo, mas vale a pena ir, mesmo não se gostando do que lá se vende. Tudo o que eu possa escrever é vago e não transmite o que é realmente o sítio. A fotografia abaixo faz melhor trabalho.



As pessoas que lá vi são da estranheza do sítio e dos trabalhos...

Outro ponto obrigatório em Berlim é o memorial do Holocausto. Não tem uma parede gigante com nomes, números ou outros factos da 2ª guerra. Não precisa, toda a gente conhece o que aconteceu e os números da guerra. E talvez por isso o impacto seja tão grande. A fotografia abaixo é só para dar uma ideia do que estou a falar.


E isto não faz, de todo, justiça ao original. Isto é apenas uma pequena parte do memorial. São centenas destas campas de pedra. Sem um único nome, uma única inscrição, um único número.

Como despedida, obrigado e até ao próximo destino!

SdB (III)

4 comentários:

Anónimo disse...

Gostei imenso da sua crónica. Pela simplicidade, pela humildade, pela imagem da pessoa sentada ao colo do maestro (achei uma delícia). A fotografia das campas é verdadeiramente impressionante. Sobretudo por serem tão totalmente anónimas. Quase que dói essa fotografia. Quanto às árvores serem numeradas: se for como em Munique, os habitantes da cidade podem "comprar" árvores e ser responsáveis pela sua manutenção. Uma ideia que eu adorava que houvesse em Portugal. Faltam árvores a Lisboa e ao país em geral. Muito rico o seu post. Fiquei com imensa vontade em ir. Segundo um amigo meu, Berlim é a próxima Londres. Será? Não sei. as é uma ideia gira. Obrigada. pcp

Segismundo disse...

pcp,

Se será a próxima Londres não sei, mas a verdade é que fui para lá sem expectativas nenhumas (toda a gente fala de Londres, Paris, Barcelona, Roma, etc., e ninguém comenta Berlim), e talvez por isso tenha gostado tanto da cidade. Recomendo muito!
Essa ideia das árvores de Munique é muito engraçada, mas penso que em Berlim não funciona assim. É só por uma questão de organização, mas não tenho certezas.
Obrigado pelo comentário
SdB(III)

Ana LA disse...

Viajante dos sítios, das cores, das sensasões e emoções. Queremos mais viagens. Bjo

Micas disse...

Berlin é uma cidade fantástica e única, talvez a mais alternativa que conheco. Viver em Berlim é sem duvida uma das melhores experiencias que se pode ter, adoro Berlim, para mim bastante melhor que Londres ou Paris, porque nem Londres nem Paris conseguem um conjunto tao harmonioso de todos os factores, arquitectura, cultura, historia, nivel de vida, habitantes, diversao. E sobre a acustica da Filarmónica, tem toda a razao, é quase como estar ao colo do maestro ;D)
Gostei das suas palavras sobre a cidade onde me sinto em casa.

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