quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Moleskine

Urgências. Por motivos irrelevantes para o presente escrito, há duas semanas estive nas urgências do hospital de Santa Maria. Fui como acompanhante e quedei-me por lá entre as 15.30h e as 20.30h. A visita às urgências de um hospital civil pode ter vários olhares: a escassez dos meios, a demora para consultas e exames complementares, a exiguidade do espaço que transforma a arrumação das macas num tetris humano, o mais que certo descontentamento do pessoal médico e seus derivados. Mas há uma dimensão que não se deve perder - a do relativo abandono a que são votados os que lá entram: gente normalmente com poucas posses, pouca instrução, pouca rede social, apoiados no seu desconforto por quem está ao lado a viver outro desconforto, porque pouca gente aparece para ter uma palavra de carinho. Num balcão, onde as informações convivem com os curativos, alguém dava indicações a uma idosa: vira aqui à esquerda, depois na segunda à direita, entra por um corredor e segue em frente, quando já não conseguir andar mais é aí... Temi o pior, porque já não conseguir andar mais é um conceito subjectivo para um ancião. É uma parede ou uma exaustão?

Acreditar. Realizou-se no passado sábado a festa de Natal da Acreditar. O recinto era bom e confortável, a casa estava cheia, o ritmo foi bom e os artistas mantiveram uma boa animação. Havia muitas crianças, algumas das quais evidenciavam os sinais da doença que as afecta. Vi muitas com energia, a quererem participar na festa, inchadas, sem cabelo, com menor mobilidade. Cruzei-me com dois ou três Pais que já passaram por isto e que se mantêm na Associação (seja em que condição for) porque dos grandes dramas também se faz o sentido para a vida. Que eu tenha sempre o discernimento de olhar para estes Pais e não me escassear a admiração, de olhar para estas crianças e não me faltar a disponibilidade. 

Discos de amigos. Reproduzo parte do que vem no site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura: O cancioneiro popular português é a matriz da colectânea de canções de Natal reunidas no mais recente CD do Coro Gulbenkian, dirigido pelo maestro Jorge Matta. As harmonizações foram compostas por Lopes Graça, Croner de Vasconcellos, Sampayo Ribeiro e Eurico Carrapatoso, entre outros. Sou amigo do Jorge, mas não precisava de o ser para garantir a qualidade do disco.


Votos. Já o escrevi noutro local: todo este tempo nos convida – talvez mesmo nos incite - à Alegria. Não a um contentamento saltitante, feito de coisas onde o Amor não tem lugar porque o olhar autocentrado ocupou tudo, mas à Alegria, expressão que se confunde, etimologicamente, com dar vida a. É esta Alegria, que se traduz num sorriso, num abraço, numas pazes que se fazem, num orgulho que se engole, numa tolerância que se evidencia, que desejo a todos os meus fiéis e surpreendentes leitores mas, sobretudo, aos meus colegas bloguistas que ajudam a manter este espaço vivo, com qualidade e diversidade. Um Santo Natal para todos!
        


JdB

3 comentários:

Ana LA disse...

Aproveito a deixa para desejar um Santo natal e um excelente 2012 a todos os participantes e leitores deste blog. Até sempre

Anónimo disse...

Um Santo Natal e um melhor ano para todos! pcp

Maf disse...

Para todos, Mestre, bloguistas, cronistas pontuais, comentaristas, leitores e afins, um Santo Natal!

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