sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Crónicas de um viajante ao Japão (V)



Talvez uma das melhores metáforas para o fim do Natal enquanto festa cristã esteja nesta singela fotografia tirada a uma montra em Tóquio. A Wikipédia diz-me que a percentagem de igrejas cristãs no Japão é de 2,3%.  E no entanto, Tóquio e Kyoto estão pejadas de símbolos natalícios. Onde? No comércio, é claro, 

A fotografia ilustra uma realidade generalizada no Japão: não há restaurante que se preze que não tenha uma composição dos pratos que serve. Este estabelecimento, em particular, desejava aos clientes um feliz natal, quando ainda nem no Advento estamos.

O Natal ERA uma festa cristã. Pouco a pouco, com o beneplácito dos cristãos, foi sendo apropriada pelos não crentes, e transformada numa festa comercial, assente na troca de presentes. No Japão - ou neste estabelecimento, por exemplo, o Menino Jesus foi substituído por umas lulas, por uma guiozas que estarão disfarçadas, por um sushi que espreitará num local escondido da coroa de flores.

Imagino que grande parte dos japoneses (quiçá os imperadores...) festejem o Natal: trocam presentes, definem o amigo secreto, estabelecem um tecto para o valor das ofertas, porque a carestia da vida assim o impõe. Presumo que a maioria seja xintoísta mas, não obstante, farão tudo isto. O Menino Jesus? O google tradutor diz que em japonês se escreve assim: 少年イエス. É o melhor que temos...

JdB

1 comentário:

Laurus nobilis disse...

Não fazia ideia que o Natal já tinha entrado desta forma em quotidianos tão longínquos; claro que haverá cristãos, mas o peso do mercantilismo é bem mais forte. Mas não nos admiremos porque, aqui, todo o centro comercial que se preze também já tem bibelots alusivos à época...

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