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29 novembro 2022

Músicas dos dias que correm *

 

* último álbum de Katia Guerreiro, nesta faixa com uma colaboração interessante de Rui Veloso.

08 dezembro 2015

Duas Últimas para a Solenidade da Imaculada Conceição

A Imaculada Conceição dos Veneráveis (~1678, Murillo)

Consagração a Nossa Senhora

Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a Vós, e em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro neste dia e para sempre, os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser.

E porque assim sou Vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como propriedade vossa.

Lembrai-Vos que Vos pertenço, terna Mãe, Senhora Nossa.

Ah, guardai-me e defendei-me como coisa própria Vossa 




19 novembro 2013

Duas últimas

O aforismo romano mens sana in corpore sano revela um desejo de consonância entre o corpo e a mente. Neste desejo está subjacente um equilíbrio entre aquilo que em nós é palpável e o que não é. Talvez possamos, por isso, ler esta frase como algo de intrinsecamente egoísta: o meu corpo está são se a minha mente estiver sã; ou, inversamente, a minha mente está sã se o meu corpo o estiver também.   

O que aconteceria se levássemos este aforismo a uma certa descentralização de nós próprios e o recitássemos de outra forma: o meu corpo está são se a tua mente estiver; ou, de uma forma talvez mais correcta, a minha mente está sã se o teu corpo estiver. A mudança de pronome possessivo - ou a conjugação de dois pronomes possessivos, meu/minha, teu/tua - abre uma perspectiva diferente, estende o próprio corpo para além dos nosso limites físicos. A nossa saúde mental ou física já não depende exclusivamente do nosso corpo/mente, mas do corpo/mente de outros. A um ideal individualista conseguiremos opor, com este novo fraseado, um ideal mais gregário?

Sejamos mais audazes e alarguemos este conceito a um universo (quase) ilimitado. Se entendermos que a condição de saúde do nosso corpo/mente está dependente da existência (aparentemente saudável) de algo que nos é extrínseco, conseguiremos então deduzir que nem tudo depende do que está dentro de nós. Logo, construímos relações de inseparabilidade óbvias que derivam de uma semântica livre: não consigo viver sem oxigénio; talvez mesmo não consigo viver sem ti. Ou ainda, não conseguiria viver sem os meus filhos, mas, também, ser-me-ia impossível viver sem os meus cachimbos ou sem a proximidade do mar. Esta condição de inseparabilidade estende-se em possibilidades imensas e permite que estabeleçamos famílias artificiais construídas por pessoas, famílias, lugares, coisas. De que não conseguiríamos abdicar? O que nos é imprescindível para viver? Que famílias artificias são as nossas?

***

Deixo-vos com dois fados, em cujas letras é forçoso atentar-se. Não chega ouvir, apreciar a voz ou a música. É preciso entender as palavras que são colocadas umas atrás das outras, como se a sequência certa fosse aquela, muito embora as combinações fossem quase infinitas.

JdB



08 dezembro 2011




Consagração a Nossa Senhora


Ó Senhora minha, ó minha Mãe, 
eu me ofereço todo a vós, 
e em prova da minha devoção para convosco, 
Vos consagro neste dia e para sempre, 
os meus olhos, os meus ouvidos, 
a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser.
E porque assim sou vosso, 
ó incomparável Mãe, 
guardai-me e defendei-me como propriedade vossa.
Lembrai-vos que vos pertenço, terna Mãe, Senhora nossa.
Ah, guardai-me e defendei-me como coisa própria vossa.




Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
o Anjo Gabriel foi enviado por Deus
a uma cidade da Galileia chamada Nazaré,
a uma Virgem desposada com um homem chamado José.
O nome da Virgem era Maria.
Tendo entrado onde ela estava, disse o anjo:
«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».
Ela ficou perturbada com estas palavras
e pensava que saudação seria aquela.
Disse-lhe o Anjo:
«Não temas, Maria,
porque encontraste graça diante de Deus.
Conceberás e darás à luz um Filho,
a quem porás o nome de Jesus.
Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo.
O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David;
reinará eternamente sobre a casa de Jacob
e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao Anjo:
«Como será isto, se eu não conheço homem?»
O Anjo respondeu-lhe:
«O Espírito Santo virá sobre ti
e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra.
Por isso, o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.
E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice
e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril;
porque a Deus nada é impossível».
Maria disse então:
«Eis a escrava do Senhor;
faça-se em mim segundo a tua palavra».


28 novembro 2011

Património imaterial da Humanidade

O Fado nasceu um dia, 
quando o vento mal bulia 
e o céu o mar prolongava, 
na amurada dum veleiro, 
no peito dum marinheiro 
que, estando triste, cantava, 
que, estando triste, cantava. 

Ai, que lindeza tamanha, 
meu chão , meu monte, meu vale, 
de folhas, flores, frutas de oiro, 
vê se vês terras de Espanha, 
areias de Portugal, 
olhar ceguinho de choro. 

(...)


Fado Português (José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo')











07 novembro 2010

Katia Guerreiro




Sou fã da Katia Guerreiro desde que a ouvi cantar pela primeira vez. Diria mesmo, sem desprimor por outras que conheço que é, actualmente, a minha fadista preferida. Além do mais, tive a sorte de a conhecer pessoalmente quando, há dois ou três anos, deu um pouco do seu tempo para participar numa angariação de fundos a favor da Acreditar, fazendo - para além de uma actuação a solo - um dueto com a Maria João (sem Mário Laginha).

Comemorando 10 anos de carreira, dará um concerto no Coliseu de Lisboa, no próximo Sábado. Infelizmente talvez não possa ir, mas fica aqui o desafio, para que não percam.


JdB

25 novembro 2008

Músicas dos tempos que correm



Ontem tive o privilégio de assistir a um concerto de Katia Guerreiro no Tivoli, durante o qual apresentou o seu novo disco Fado, já disponível no mercado. Não vou tecer comentários ao espectáculo, porque tenho a sorte de não ser especialista de nada, muito menos de música. (Quase) tudo para mim se resume ao gosto ou não gosto. E gostei muito, porque a Katia Guerreiro é a voz feminina do fado que mais aprecio actualmente.
Há quem, como eu, goste de fado desde sempre. Há quem tenha aprendido a gostar, há quem esteja disposto a tentar - o que já não é mau. Este post de hoje é dedicado, por isso, aos que se incluem na última categoria, em particular a quem, como eu, corria satisfeito e inocente nos recreios da Escola Alemã no final da década de 60 e que reencontrei há algumas semanas.
Pela segunda vez em poucos dias, este Adeus, até ao meu regresso publica fado. É bom sinal...

JdB

PS: já vi imagens mais interessantes, mas é o que há...

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