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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rei de Copas

Irritações várias


Higiene
Irrita-me que se diga escovar os dentes; em Portugal sempre se disse lavar os dentes e o facto de ser com uma escova não é obrigatório nomear-se o objecto.

Dejectos
Irrita-me ver os passeios cheios de caca dos cães e não ver os donos a apanha-la. Aliás, por lei (portaria ou similar?) é obrigatório e nunca vi ninguém preocupado com com a porcaria.

Bicha
Irrita-me que se diga fila em vez de bicha; o facto de bicha ser, no Brasil, palavra para indicar homens com determinados maus costumes, é lá com eles. Aliás em Portugal não se faz fila que é uma coisa muito direitinha; cá, é tudo aos "esses" para ver se se passa à frente.

Ternura
Irrita-me Ver o Dr. Cavaco Silva de mão dada com a sua esposa (que palavra!); deve ser porque é politicamente correcto. Também gostava de saber onde está escrito o cargo de Primeira Dama. Haverá segunda? Tudo isto me cheira a americanices.

Saudações
Irrita-me que me digam bom fim de semana; acho mesquinho só dois dias; costumo dizer: pois eu desejo-lhe o resto dos seus dias.

Bebida
Irrita-me, quando quero beber um café ter de especificar que é bica cheia. Em Portugal sempre se bebeu cheia pelo que quem quisesse uma "italiana" é que deveria ter de especificar.

Comer
Irrita-me o barulho das pessoas a comer pipocas nos cinemas, além de que o cheiro me agonia. Aliás o Decreto- lei 315/95 de 28 de Novembro interdita tal prática.

Você
Irrita-me que me tratem por você pessoas que eu não conheço e com menos 65 anos que eu. A palavra é de tal maneira horrível que normalmente não se escreve, põe-se v. O equivalente castelhano é usted, que também não se escreve, abrevia-se para ud. Penso que a palavra se generalizou com as novelas brasileiras, Você começou por Vossa Mercê, passou para vocemessê, depois você e os brasileiros dizem cê. Quando eu era novo dizia-se você é estrebaria.

Nome próprio
Irrita-me que me tratem pelo nome próprio pessoas que não conheço; todos o dias recebo chamadas de bancos, tv cabo, etc. a tratarem-me pelo nome próprio; outra brasileirada. Em Portugal, a menos que sejam íntimos, as pessoas tratam-se pelos apelidos.

Pai Natal
Irrita-me a proliferação de "pais natais" que se vêm em bandos a subir pelos prédios. Está perder-se o presépio em favor dum qualquer boneco que nem sequer sei se é cristão. É um personagem ajudado pela Coca Cola. Embora não goste estrangeirismos, abro uma excepção para a árvore de Natal introduzida em Portugal pelo Rei D.Fernando II a quem o nosso País tanto deve.

Questões
Irrita-me quando me põem questões. Pôr uma questão é um acto que se faz em tribunal; aliás pôr uma questão vem do francês "poser une question"; em português fazem-se perguntas.

SdB (I) 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Rei de Copas


10 originalidades da história de Portugal, que regista uma invulgar profusão de fenómenos insólitos. Haveria tantos exemplos para dar, que os 10 aqui lembrados são apenas a ponta do iceberg:  

1 - A única grande potência colonial, com uma metrópole de pequena dimensão.

2 - A primeira potência europeia a inaugurar um império ultramarino, e a última a perdê-lo.

3 - O único império onde o soberano viveu vários anos numa das colónias (o Brasil), facilitando-lhe a independência.  

4 - Dos países mais antigos da Europa.

5 - Celebrou a mais antiga aliança internacional, firmada com a Inglaterra (1386 e 1387).

6 - O país que mais depressa encontrou solução para resolver a extinção da Ordem dos Templários, sem perdas para o reino. Note-se que outros igualmente expeditos, como o Reino de Aragão, há vários séculos que perderam a soberania.  

7 - Em matéria de canonizações, detém dois recordes: 
     - o processo mais breve, com Sto. António de Lisboa (ou de Pádua), em menos de um ano.
     - o primeiro caso (e até agora o único!) de canonização de crianças, com os 2 Pastorinhos de Fátima: Jacinta e Francisco Marto.

8 - O extremismo violento da Primeira República, elogiado por Lenine, que apontou Portugal como país de referência na aplicação (legislativa) da radicalidade comunista. Mas que pouquíssimas marcas deixou na mentalidade generalizada da população portuguesa, pouco permeável a radicalismos ideológicos.

9 - Um povo invulgarmente tolerante com os erros grotescos dos seus governantes, mas invulgarmente intolerante com o mais leve assomo de ocupação estrangeira: dos romanos, aos castelhanos, passando pelos ingleses durante as Guerras Napoleónicas (porque D.João VI insistia em manter-se no Brasil, a salvo dos tumultos que assolavam a Europa).

10 - Uma geográfica insólita, que bloqueia o acesso da grande massa territorial da Península Ibérica ao Atlântico!  Não por acaso, este facto causou a maior estranheza aos grandes conquistadores europeus, de Napoleão a Hitler, questionando-se sobre a enigmática existência de um enclave independente num espaço de aparência contínua. Mais estranho ainda por se tratar de um enigma tão antigo. 

Maria Zarco  

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Rei de Copas


As 11 coisas que mais me irritam em Lisboa:

1) a quantidade inaceitável de carros estacionados selvaticamente por todo o lado;
2) os buracos nas ruas e nos passeios nas zonas consideradas “nobres”;
3) as obras, públicas e privadas, que não terminam;
4) a falta de “verde”;
5) ter-se deixado que a outra margem do rio se industrializasse (deveria ser uma Buda e Peste ou uma Istambul Oriental e Ocidental);
6) a falta de gente chique nas ruas, gente bem vestida, elegante, cuidada;
7) a falta de gente preta, amarela, exótica, mal vestida, bem vestida, num delicioso caos humano e cosmopolita;
8) os cafés sem gosto nem charme (que são às dezenas): azulejos nas paredes, montras de vidro cheias de bolos, pastéis de bacalhau e “sandes” e uma televisão num canto;
9) ser uma cidade quase impossível para se andar de bicicleta;
10) desleixo generalizado;
11) os lisboetas, nascidos ou não na capital, quase unanimemente acharem que Lisboa é a cidade mais bonita do mundo, a cidade mais extraordinária à face da terra.

PCP

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Rei de Copas

(imagem tirada da net)

As dez coisas que mais me irritam em Lisboa (ordenadas aleatoriamente, passe o contra-senso...):

  1. A fauna que pulula pelo Chiado;
  2. Gente lenta, gorda e esteticamente preguiçosa a andar no meio dos passeios (sobretudo quando tenho pressa), como se fossem a linha da frente de uma qualquer manifestação;
  3. A prepotência dos polícias feios, porque se for uma senhora agente interessante não é mais do que o exercício assertivo da autoridade;
  4. As calçadas quando tenho compromissos, estou cansado ou tenho calor - ou tudo isto em conjunto;
  5. A sinalização (em particular a do túnel do Marquês) particularmente grave para quem não tem sentido de orientação e vem da província estorilense;
  6. Obras em permanência, como se fosse uma espécie de promessa ou sacrifício;
  7. A ideia de que as lojas dos chineses podem crescer, criando-se uma espécie de bairro grande timoneiro;
  8. O ruído das pessoas, dos carros, das buzinas, dos táxis; o trânsito caótico; a falta de civismo dos carros parados em segunda fila, que esperam o Rúben ou o Martim que vem do liceu, que não podem ir de autocarro mas que fumaram uma ganza e beijaram a Carlota ou a Vanessa como se não houvesse amanhã;  
  9. A vista para a margem sul; a obscenidade de beleza de quem vem da margem sul;
  10. O desaparecimento do Hotel Bragança, no princípio da Rua do Alecrim, que imaginei ser queirosiano (não era aquele...) mas que não era mais do que um potencial pardieiro. Faz parte do meu imaginário, o que querem...  

JdB

Nota: enviem-me as vossas listas para o meu email, que as publicarei seguramente.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Rei de Copas

(imagem retirada da net)

Nota prévia:


Fujo do frio como o diabo da cruz. Gosto de calor, de roupas leves, de teses queimadas e de brisas mornas. Vou pois ter a honra de inaugurar uma nova rubrica de listas neste prestigiado blogue com o "top ten" dos maiores calores que apanhei até agora. Foram situações extremas, na maior parte dos casos muito desagradáveis e que só confirmam o adágio popular de que "tudo o que é de mais chateia". A classificação tem mais a ver com o incómodo de que me lembro sentir do que propriamente com a temperatura. Todas as situações aconteceram contudo bem acima dos 40ºC.
Os 10 maiores calores (no sentido literal) que apanhei na minha vida e onde

1º Khyber Pass (fronteira entre o Paquistão e Afeganistão)

Se relativamente à maior parte dos outros casos não me lembro da temperatura 
exacta que fazia, neste caso lembro-me bem. Quando saí do automóvel para 
participar numa cerimónia oficial ao ar livre o termómetro marcava 49 graus.
A região, terra de esconderijo do Bin Laden, de terrorismo e de todo o tipo 
de tráficos, é um lugar de uma beleza rara. Desolado, rude e extremo (no 
Inverno as temperaturas descem aos 20 graus negativos), transmite-nos 
simultaneamente uma sensação de encanto. Por lá passaram o Alexandre da
 Macedónia, o Gengis Khan e outros conquistadores mais modernos. Todos se
deram mal. Se calhar foi por causa do calor.



2º Bombaim (Índia)

Também aqui me lembro da temperatura que apanhei: 47 graus. E o pior é que
 às 2 da manhã estavam ainda 37 graus. Acrescente-se uma humidade a rondar os 
100% e temos a antecâmara do inferno. Tive ali a sensação de que o calor 
pode ser insuportavelmente opressivo. Disseram-me que estive lá na altura
pior. Que depois vêm as monções e que, com elas, vem a libertação. Só pode.



3º Manaus (Brasil)

Que me desculpem os brasileiros, mas Manaus é um buraco infecto, pegajoso e
irrespirável. Tem no entanto um povo muito simpático, um teatro lindíssimo e 
umas caboclas de fazer parar o trânsito. Foi importante no curto período em
 que teve o monopólio do comércio da borracha e os seus habitantes acham que 
vai voltar a sê-lo um dia com base nas riquezas ainda inexploradas da
 Amazónia. Tomei banho na piscina do hotel à meia-noite e sequei-me ao ar sem 
precisar de uma toalha. Tal era o calor.



4º Tete (Moçambique)

Moçambique não é propriamente um país frio, mas os moçambicanos consideram
 Tete o pior que lá há em termos de calor. Passei por Tete algumas vezes a
caminho do Malawi e pude confirmar os relatos dos soldados portugueses que lá estiveram em operações militares. Um autêntico forno, garanto-lhes, com 
temperaturas a rondar os 45 graus. Ao que parece, o trabalho nas minas de 
carvão da região é considerado um dos mais difíceis do mundo. Dentro das 
minas as temperaturas ultrapassam, e bem, os 50 graus. 



5º Nicósia (Chipre)

Quando o avião estava para aterrar no aeroporto de Larnaca (que serve a
cidade de Nicósia) o piloto informou que na capital de Chipre estavam àquela
 hora 44 graus. Lembro-me do bafo que entrou no avião quando a porta se abriu 
e lembro-me também da água da piscina do hotel ser quente ao ponto de não 
apetecer tomar banho. Na volta turística que dei pela cidade não houve 
igreja na qual não entrasse. Não por nenhum súbito acesso de Fé ortodoxa,
 mas porque eram os únicos sítios frescos onde se podia estar.



6º Sevilha (Espanha)

Sevilha é, segundo consta, a cidade da Europa que detém o record da 
temperatura mais elevada. Não estive lá no dia do record, mas os dias de 
Verão que lá passei deram para perceber que o calor faz parte integrante da
 vida daquela cidade. Nas horas mais quentes não se vê ninguém na rua, porque
efectivamente não é humanamente possível andar na rua. É uma espécie de 
Sibéria ao contrário. A minha mãe tentou andar 100 metros para apanhar um
 táxi e desmaiou.



7º Darwin (Austrália)

Haverá certamente sítios mais quentes no interior da Austrália, mas Darwin é 
seguramente a cidade litoral com temperaturas mais altas ao longo de todo o ano. Estive lá num Verão particularmente rigoroso e lembro-me concretamente 
do vento escaldante e das enormes dores de cabeça que provocava. A cidade
 mais próxima fica a 4 horas de avião. No meio apenas um enorme deserto de
 onde sopra o vento. Nos jardins públicos de Darwin vêm-se centenas de
 aborígenes alcoolizados à procura de sombras para curar as bebedeiras.
 Pudera...



8º Dubai (Emiratos Árabes Unidos)

Dubai tem o típico calor do deserto apenas temperado por uma ténue brisa
marítima. É o Algarve nos piores dias elevado à décima potência. No entanto,
 tudo lá é tão climatizado que se consegue estar vários dias sem se dar pelo 
calor. O pior é quando se tem que vir à rua durante o dia. Armei-me em
independente e resolvi caminhar do hotel até um centro comercial lá perto.
 Pensei que ia ter um treco. Fiquei completamente desidratado e, à chegada ao 
centro comercial, devo ter bebido alguns três litros de água.



9º Roma (Itália)

Muita gente já deve ter ido a Roma no Verão e sabe pois o calor que lá se
 pode apanhar. Lembro-me concretamente de um dia de Julho em que tinha umas 
horas livres entre duas reuniões e resolvi fazer turismo a pé, engravatado.
 Acabei por ter que ir a correr ao hotel tomar um duche e mudar de roupa pois
fiquei encharcado em suor. Lembro-me também de ter desligado o ar
 condicionado antes de adormecer e de ter acordado no meio da noite como se
 estivesse dentro duma sauna. 



10º Almodôvar (Portugal)

Que me lembre, foi em Almodôvar que apanhei o maior calor em território 
português. Vinha do Algarve para o Alentejo e parei para pôr gasolina. O 
termómetro do carro indicava 43 graus.




JdC

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