20 maio 2014

Duas Últimas

Tenho verificado pessoalmente, sem grande surpresa face ao que vou ouvindo e observando por aí, mas mesmo assim com alguma impaciência e pouco humor, que o avanço na idade não tem tido grande correspondência na qualidade do sono, antes pelo contrário.

Acontecem, às vezes com periodicidade demasiado curta, noites agitadas e longas, em que a entrada da claridade matinal pelas frinchas da janela demora tanto tempo que começamos a descrer da chegada da madrugada seguinte. E não há um galo para nos animar….

Nessas noites intermináveis, de minutos que parecem horas e de horas eternas, lá estamos nós acordados, ou a chorar os nossos pecados, como já hoje li por aqui, ou a rebobinar filmes normalmente negros e pessimistas, ou a transformar pequenas questões em grandes problemas universais, ou (last but not least) a estragar o sono de quem tem o azar de connosco compartilhar espaços exíguos.

Será que é a cabeça que não tem juízo? Não alcanço, no que me diz respeito, mas somos maus juízes em causa própria. E com hábitos tantas vezes teimosos e pouco salutares.

Dar um bom passeio a pé depois de jantar. Nunca ver o Belenenses depois das 19h. Deixar o PC no escritório e a televisão no off. Deixar-se ir no embalo de uma boa música. Conversar, arranjar mais tempo para os outros. São alguns exemplos de panaceias que tento incrementar. A bem de uma “noite sossegada”, como diria a minha avó.


A seguir, lembro duas versões de uma boa música, de uma excelente letra de um grande autor.

fq




19 maio 2014

Crónicas de um mestrando tardio *

Cada ser humano é auto-suficiente, não se definindo em relação a qualquer comunidade definidora

Penso que podia modificar-me e viver com os animais,
eles são tão serenos e reservados,
Quando me detenho a contemplá-los demoradamente,
Alheios por condição a queixas e fadigas,
Não estão acordados de noite a chorar os seus pecados,
Não me incomodam a discutir os seus deveres para com Deus,
Nenhum está descontente, nenhum endoideceu com a mania de possuir bens,
Nenhum se ajoelha perante outro, nem perante antepassados que viveram milhares de anos antes dele,
Nenhum é respeitável ou infeliz para o universo inteiro.[1]

***

No século IV aC, Demócrito usaria pela primeira vez a expressão Ἀταραξία - ataraxia – que significa tranquilidade da alma, ausência de perturbação. O conceito exprimia um ideal de sabedoria, uma certa invulnerabilidade racional face aos desgostos de vária ordem, às doenças, às mortes dos mais próximos, a outras desgraças. A ataraxia, mais do que um destino, seria um percurso – o que leva à imperturbabilidade. Para Epicuro, era por aí que se alcançava a felicidade. “(...) trata-se de uma tranquilidade a que se chega por via filosófica e não outra (...)”[2]. Séneca, um dos grandes nomes do estoicismo, usaria, a este respeito, a expressão tranquilitas animis, título de um dos seus tratados.
“A filosofia não é uma habilidade para exibir em público, não se destina a servir de espectáculo; a filosofia não consiste em palavras, mas em acções. O seu fim não consiste em fazer-nos passar o tempo com alguma distracção, nem em libertar o ócio do tédio. O objectivo da filosofia consiste em dar forma e estrutura à nossa alma, em ensinar-nos um rumo na vida, em orientar os nossos actos, em apontar-nos o que devemos fazer ou pôr de lado, em sentar-se ao leme e fixar a rota de quem flutua à deriva entre escolhos.”[3]
Em A Conquista da Felicidade[4], Bertrand Russell disserta sobre nove causas para a infelicidade das pessoas: a infelicidade byroniana, o espírito de competição, o aborrecimento e a agitação, a fadiga, a inveja, o sentimento de culpa, a mania da perseguição, o medo da opinião pública. Na segunda parte do livro  - As Causas da Felicidade – Russel espraia-se sobre aquilo que nos daria felicidade: o gosto de viver, a afeição, a família, o trabalho, os interesses impessoais, o esforço e a resignação.
Em que difere o universo de Demócrito, de Séneca ou de Bertrand Russell e o nosso? Em muito. Em (quase) tudo. Do filósofo grego, ou mesmo do filósofo romano, distantes de trezentos anos, até hoje, inventou-se e descobriu-se um mundo de coisas – o carro, a máquina a vapor, a revolução industrial, o casamento por amor, a física quântica, os cristais de quartzo, a electricidade, a máquina de escrever, os cheques bancários e os cartões de crédito, as armas de fogo e o sistema de rega gota a gota, a cozinha de autor e a imprensa, os cruzeiros às Caraíbas e os serviços ao domicílio.    
Em 80 anos – o livro de Bertrand Russell foi editado pela primeira vez em 1930 - o mundo ocidental inventou a tecnologia e a aldeia global, o consumismo e o turismo de massas. Em 80 anos generalizou-se o voto, o conceito de liberdade e dos direitos humanos, enraizou-se o ideal da democracia; deu-se voz às minorias, criou-se a internet e as redes sociais, disponibilizou-se um telemóvel a cada cidadão, as vidas dos ricos e dos famosos passaram a ser escrutinadas para gáudio dos curiosos. Em 80 anos deu-se acesso generalizado às universidades, diminuiu-se a mortalidade infantil, aumentou-se a esperança de vida.  
Muito se inventou e criou em mais de dois mil anos para tornar a vida humana mais confortável, mais sadia, mais reconfortante, mais alegre; muito nos distancia da Roma ou da Grécia dos filósofos citados, ou mesmo da Inglaterra da primeira metade do século passado. Podemos alterar ligeiramente um pensamento, fazer substituições menores de palavras, actualizar a lista de factores geradores de infelicidade e da sua inversa. No fim, o resultado é este: procuramos ser felizes, apesar das diferentes expressões que damos a esse sentimento.
Nascemos, crescemos e formamo-nos em engenharia aeronáutica, em obstetrícia ou em arquitectura, quedamo-nos pela escolaridade mínima ou frequentamos cursos profissionais. Trabalhamos numa fábrica ou num escritório, entregamos a nossa vida ao próximo ou tentamos reproduzir, numa tela ou num busto, o mundo que vemos. Ensinamos, vendemos roupa por trás de um balcão, investigamos os efeitos disto naquilo, vendemos sonhos em forma de viagens ou de carros. Sentemos estes misteres numa só sala, voltados uns para os outros. Apesar de todos os códigos que identificam origens geográficas ou de berço, culturas e hábitos, há uma vontade semelhante sussurrada da boca de todos os que se sentam nesta babel: o desejo de ser feliz. A frase é comum, quer seja proferida com sotaque daqui ou dali, com uma articulação mais criativa ou mais simples. E no entanto nada mais, para além da frase, parece ser comum. A conquista da felicidade, na clausura de um convento ou na partilha de uma tribo, é uma procura única, incompreendida porque impartilhável. Nessa estrada que nos leva ao cume, cada ser é um cavaleiro andante, solitário na vastidão da pradaria.
Saiamos da sala onde se junta a diversidade e atentemos nos momentos de que se compõe a nossa vida: um jantar de amigos, uma esplanada ao fim da tarde, um concerto de música clássica, uma loja que vende retrós. Cruzamo-nos com um quadro numa exposição, um programa de televisão, uma igreja barroca ou um quarto com vista sobre a cidade. Talvez mesmo um álbum de fotografias anónimo, ainda que de paisagens conhecidas. À frente de cada observador existe uma infinidade de pormenores, de detalhes – ou de coisas óbvias. O que vemos e a que damos atenção? A resposta evidente, eivada do que se considera correcto, é a perfeição da execução, o profissionalismo do jornalista, a focagem, a vastidão da vista ou a estética da montra. Não obstante, esta espécie de camada sobrenadante comum e, por isso, forçosamente desinteressante, esconde o encanto daquilo que é próprio de cada indivíduo, e que é esmagado pela colectivização dos pensamentos de hoje.
Cada um de nós é dono de olhos, nariz, sensibilidade, cérebro, alma, dedos. E é por isso que, enquanto uns vêem entretenimento e técnica, outros vêem a assimetria dos olhos da rapariga no fundo da esplanada, a suave curvatura das costas da violinista, o anel exuberante do empregado da loja ou a aba de um chapéu n’A Ronda da Noite. Outros ainda, desatentos do linguajar do jornalista, fixam a atenção na senhora de meia idade que, na assistência, é paga para rir ou aplaudir sob instrução. A atenção de cada um assemelha-se à procura da felicidade: é única, incompreendida porque impartilhável.  Dos milhares de olhos, cérebros, bocas, almas, que vêem o mesmo quadro, ouvem o mesmo concerto, entram na mesma retrosaria, cada um busca o seu detalhe, indiferente à opinião dos outros, absorto do que se considera correcto ou lógico. É, mais uma vez, uma caminhada solitária.
Roland Barthes aborda o tema do detalhe aplicado à fotografia. Há o studium - uma espécie de interesse humano geral pela fotografia que nos remete para uma informação clássica, mais ou menos estilizada, mais ou menos conseguida em função da mestria do fotógrafo: uma paisagem, um par de velhos, um cão a dormir ao calor do verão. “... studium, que não significa, pelo menos imediatamente, o ‘estudo’ mas a aplicação a uma coisa, o gosto por alguém, uma espécie de investimento geral, empolgado, evidentemente, mas sem acuidade particular”.[5]  E há o punctum, um elemento que salta da cena e nos trespassa, que vem perturbar o studium. “O punctum de uma fotografia é esse acaso que nela me fere (mas também me modifica, me apunhala).”[6] 
A que obedece este punctum, aplicável à fotografia de Roland Barthes, mas cujo conceito pode ser replicado para a vida, porque a nossa existência não é mais do que uma sucessão de fotogramas? Obedece ao âmago de cada um, a um caminho interior que independe do mundo, da sociedade, do grupo, das modas, do meio ambiente. O punctum, esses pontos sensíveis que salpicam as fotografias, são algo intrinsecamente individual, vagamente explicado à luz da genética e, menos ainda, das influências do meio ambiente.

***

Viajamos, recolhemos imagens dos países e das cidades, das pessoas e das paisagens; criamos redes de amigos, de conhecidos, de colegas de trabalho; vemos, ouvimos e lemos; coleccionamos livros, cachimbos, selos, fotografias anónimas, cartazes tauromáquicos; temos memória dos avós, do cheiro a verão, da lentidão das músicas, do sabor dos frutos em Setembro, dos corpos juntos e das mãos dadas no escuro do cinema; criamos linguagens próprias, vocabulários familiares, expressões que mais ninguém entende; respiramos, comemos, bebemos. Definimos o que nos é imprescindível.
A nossa vida é uma criação permanente de famílias artificiais – objectos, pessoas, lugares – com as quais queremos viver, sem as quais definharíamos. Neste mistério que é existir, tudo levaria a crer que o gregarismo seria indispensável e estabeleceria connosco uma relação biunívoca – damos e recebemos, influenciamos e somos influenciados, definimos e somos definidos. Apesar desta aparente certeza científica, o facto é que o nosso destino é absolutamente único e irrepetível e, repiso, incompreendido porque impartilhável. Naquilo que verdadeiramente interessa – a conquista da felicidade, a procura da tranquilitas animis -  somos uma unidade fechada que procura a coesão dos seus órgãos. A existência dos outros não é mais do que uma inevitabilidade física, uma espécie de excrescência que medra agarrada ao nosso corpo, que pulsa e vive a ritmos próprios – e que tem uma dimensão atempadamente descartável. No que toca ao essencial – a demanda da ataraxia - somos auto-suficientes, como uma fábrica que é, simultaneamente, fornecedora e cliente, produtora e consumidora. Por isso, ausente de necessidades externas.
Isaiah Berlin afirmou: “quanto maior a área de não interferência, maior a minha liberdade.”[7] Nascemos para ser livres, crescemos para ser felizes, morremos na esperança do céu em que cada um acredita. Ainda que rodeados de gente, de multidões estranhas, de famílias artificiais, o que somos é o que nasce e morre connosco: o desejo de uma ausência de perturbação, o pormenor que só nós vemos, o fio de luz num altar que mais ninguém descortina. Somos como nascemos e como crescemos na nossa harmonia íntima. O resto são adornos artificiais que nada acrescentam a um figurino que é nosso – exclusivamente nosso. A auto-suficiência de cada ser humano, esta espécie de estanqueidade à comunidade envolvente é um facto, uma necessidade, uma condição de sobrevivência. É a nossa liberdade, de olhos postos no sossego que perdura.

Penso que podia modificar-me e viver com os animais...

 JdB

(* trabalho final da cadeira de Famílias Artificiais)




[1] Walt Whitman, citado em A Conquista da Felicidade (Bertrand Russell, Guimarães Editores, 2006). 
[2] Dicionário de Filosofia Moral e Política (Instituto de Filosofia da Nova – FCSH / Nova). 
[3]  Cartas a Lucílio, de Lúcio Aneu Séneca (Fundação Calouste Gulbenkian, 3ªed, 2007).
[4] Bertrand Russell (Guimarães Editores, 2006).
[5] Roland Barthes, in A Câmara Clara (Edições 70, 2013).
[6] Id.
[7] No original: “the wider the area of non-interference the wider my freedom (conferência inaugural na Universidade de Oxford (1957) subordinada ao tema: “Two concepts of liberty”).

18 maio 2014

V Domingo da Páscoa

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 14, 1-12)


Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Não se perturbe o vosso coração.
Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim.
Em casa de meu Pai há muitas moradas;
se assim não fosse,
Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar?
Quando eu for preparar-vos um lugar,
virei novamente para vos levar comigo,
para que, onde Eu estou, estejais vós também.
Para onde Eu vou, conheceis o caminho».
Disse-Lhe Tomé:
«Senhor, não sabemos para onde vais:
como podemos conhecer o caminho?».
Respondeu-lhe Jesus:
«Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vai ao Pai senão por Mim.
Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.
Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».
Disse-Lhe Filipe:
«Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».
Respondeu-lhe Jesus:
«Há tanto tempo que estou convosco
e não Me conheces, Filipe?
Quem Me vê, vê o Pai.
Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?
Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?
As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio;
mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.
Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim;
acreditai ao menos pelas minhas obras.
Em verdade, em verdade vos digo:
quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço
e fará obras ainda maiores,
porque Eu vou para o Pai».


O nosso lugar

Há muitas pessoas que passam vida inteira sem encontrar o seu lugar. Nunca conseguiram situar-se na vida ou no mundo e, às vezes, já com muitas décadas vividas, ainda andam à procura de um lugar.
Jesus diz-nos no Evangelho de hoje que vai preparar-nos um lugar, ou seja: todo o caminho de Jesus neste mundo (o caminho que Ele faz na nossa humanidade) é para levar a nossa humanidade – a humanidade de todos nós, que Ele fez sua – a um lugar! Esse “lugar”, que é o nosso fim e o fim de Jesus, também foi o princípio: Jesus diz que é o “Pai”. O próprio Jesus, ao resumir a certa altura a sua existência, diz: “Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16, 28). É esse o lugar! Jesus abre-nos o caminho para um lugar onde nós, finalmente, podemos achar realização e satisfação plenas.
Se Jesus nos vai preparar um lugar, porque é que Ele tem de entregar plenamente a sua vida para lá chegar, Ele e nós com Ele, depois de repartir o Evangelho connosco? Porque esse lugar é Deus e Deus é a vida partilhada, é a vida entregue, oferecida. Deus é a vida. Quando nós, com Jesus Cristo, nos entregamos, fazemos da nossa vida uma Páscoa…então, encontramos um lugar!  

D. Manuel Clemente (2013), O Evangelho e a vida. Conversas na rádio no dia do Senhor. Cascais: Lucerna, 125-127.

17 maio 2014

Pensamentos impensados

Cremes
Querer ser cremado não é propriamente querer um acabamento de luxo.
 
Anatomias do Cristovão Colombo
- Não posso jogar, lesionei-me num tendão.
- Qual tendão?
- Sei lá, um tendão daqueles.
 
Promessas
O ex-voto não é secreto.
 
Descobertas (tapadas)
Quando Cristovão Colombo chegou "àquela parte", apareceram-lhe 2 indígenas.
Colombo, pensando que tinha chegado à Índia, disse: NAMASTÊ.
Os homens entreolharam-se e um disse: o gajo está bêbedo.
 
Relatividades
Copo meio cheio é o mesmo que copo meio vazio.
Leite meio gordo será o mesmo que leite meio magro?
 
Gastronomia
Os melhores "pipis" são em S. Pedro de Moela.

SdB (I)

16 maio 2014

Pensamentos impensados

Alguém diga ao Benfica que eliminar a cedilha não faz parte do Novo Acordo Ortográfico.

SdB (I)

Duas Últimas

Diego Ramón Jiménez Salazar, cigano, nasceu em Madrid em 1968. Mais conhecido pelo nome de  Diego el Cigala, já passou por este estabelecimento, acompanhado pelo falecido Bebo Valdes. Decidi convidá-lo de novo, agora a cantar uma música de que gosto muito - Alfonsina y el Mar.

Conheci esta música na bonita voz da Simone (brasileira). A letra é de Mercedes Sosa e tem por trás uma tragédia, porque são os dramas que inspiram as coisas mais bonitas que o ouvido humano pode escutar.

Alfonsina Storni nasceu na Suíça, a 29 de Maio de 1892. Chamaram-lhe Alfonsina, que quer dizer "disposta a tudo". Aos quatro anos emigra para a Argentina, onde leva uma vida de dificuldades económicas. Escreve poemas incisivos e eficazes, sendo considerada, para a época em que viveu, uma feminista. Suicida-se em 1938, três anos depois de lhe ser diagnosticado um cancro.

Por la blanda arena
Que lame el mar
Su pequeña huella
No vuelve más
Un sendero solo
De pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda
Un sendero solo
De penas mudas llegó
Hasta la espuma.

Sabe Dios qué angustia
Te acompañó
Qué dolores viejos
Calló tu voz
Para recostarte
Arrullada en el canto
De las caracolas marinas
La canción que canta
En el fondo oscuro del mar
La caracola.

Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.

Cinco sirenitas
Te llevarán
Por caminos de algas
Y de coral
Y fosforescentes
Caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes
Del agua van a jugar
Pronto a tu lado.

Bájame la lámpara
Un poco más
Déjame que duerma
Nodriza, en paz
Y si llama él
No le digas que estoy
Dile que Alfonsina no vuelve
Y si llama él
No le digas nunca que estoy
Di que me he ido.

Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fueste a buscar?
Una voz antigua
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.

JdB





15 maio 2014

Largo da Boa-Hora *

Há muito que deixámos de ser tribais, há algum tempo que deixámos de ser comunitários.
A aldeia foi substituída pelo bairro, este pela rua e esta pelo condomínio, e este é tão opaco que a vizinhança se reduz à partilha de elevador.
Vivemos dispersos e separados uns dos outros, com barreiras e distâncias que nos afastam.
Hoje, a amizade, e até a família, exercem-se por marcação, como qualquer outro serviço. É preciso combinar previamente, ajustar agendas, conciliar disposições, tirar a senha para o encontro.
O estar juntos, que antes resultava do casual e natural encontro de quem coincidia nos mesmos espaços e tempos de existência, é agora, para acontecer, um acto premeditado, planeado.
A geografia e geometria separam cada vez mais e, paradoxalmente, com a cumplicidade das novas tecnologias de contacto (intencionalmente não as designo de comunicação) como seja o sms, o telemóvel e o email.
Nunca vi um sms comunicar uma lágrima ou um sorriso, nunca vi um telemóvel desvendar um olhar de ternura ou de dor, nunca um email abraçou alguém.
A comunidade tornou-se um imenso arquipélago, em que cada núcleo familiar restrito é uma ilha, e no qual as águas são tão profundas que é sempre preciso barca e barqueiro para nos visitarmos, e está sempre sob um denso nevoeiro tal que nem consente o irmo-nos vendo à distância de um aceno.
Resultado: abandonamo-nos reciprocamente.
Pergunto-me porque é que as coisas são assim. Não culpo apenas as distâncias físicas que nos separam, busco e encontro outras explicações, que aqui deixo para reflectirmos.
A primeira é que interiorizámos, como paradigma civilizacional, que pouco ou nada precisamos dos outros, e estes pouco ou nada precisam de nós.
Numa lógica de predominância de valores materiais, o “outro” perde importância à medida que vai estando assegurada a nossa auto-suficiência material.
Cada núcleo familiar restrito constrói permanentemente a sua independência, a sua autonomia, a sua capacidade de sobrevivência, com recursos próprios, um ter tudo o que se quer, mesmo que seja algo de uso ocasional ou temporário.
Partilhar teres e haveres não faz parte da actual lógica; o “emprestar”, o “dispensar”, o “dividir”, não fazem parte do modelo da sociedade (que ironia, o sentido da palavra sociedade é precisamente o oposto…)
No mesmo sentido, o apelo aos outros para ajudar num empreendimento já não faz qualquer sentido. Quando antes se chamava a “malta” para ajudar a varar o barco na praia, hoje recorre-se ao mercado, e compra-se a tarefa.
Concorre igualmente para o isolamento a falta de entrega a causas, projectos e acções, comuns e comunitárias, a militância social, cultural, recreativa.
Pertencer-se e dedicar-se a um grupo de teatro amador ou de canto, aos bombeiros voluntários, ao grupo recreativo do bairro, à junta de freguesia, à paróquia, ou ao que seja de todos e para todos, à vivência colectiva, é hoje uma raridade que torna o participante numa “ave rara”, num “carola” ou num “santo”, que não se consegue explicar sem um juízo de extravagância, hoje que nem para administrador do condomínio se consegue encontrar um voluntário…
Tornámo-nos todos egocêntricos com ambições e quereres de auto-suficiência e indiferença ao colectivo. Trilhamos, assim, caminhos de isolamento e alheamento.
Todavia, não nos culpabilizemos demasiado. É que concorrem para estas atitudes, para estes comportamentos de isolamento, a justificada preocupação que a vida de cada um nos origina, a angústia destes dias plenos de preocupações que vão correndo sucessivamente em desgaste e temor do amanhã. Na verdade, há medo e esgotamento, e estes originam a busca do refúgio no núcleo restrito, na “casa” de cada um.
É real a componente da exaustão que marca as nossas vidas, de um cansaço que paralisa e predispõe para a fuga do refúgio da “casa”, sem querer ouvir, ver ou saber de mais nada. Até pelo temor de que o contacto com os outros possa originar mais trabalhos, empenhos e preocupações.
Não é despicienda esta vertente de moral e espiritualmente estarmos a ser consumidos, diria até arruinados, por um sistema, por uma máquina trituradora que sobrevive e se alimenta do nosso esgotamento, da nossa mecanização, do sermos autómatos num quotidiano ditado por um “big brother”.
Para muitos, o bálsamo de cada dia é “não haver problemas”. Para quê procurá-los por via do confronto com os outros, quando aliás nos reconhecemos incapazes, sem ânimo ou força, para ajudar?
Muito do nosso “autismo” actual advém da sensação de já nem forças termos para levar a nossa “canga”, quanto mais as dos outros.
A meu ver, importa inverter este estado de coisas, porque, na realidade, e como desde sempre, nós precisamos dos outros e os outros precisam de nós. Necessidade que se não é premente e actual no domínio do ter, o será seguramente no domínio do ser.
O caminho pode estar no conformarmo-nos com as contingências e limitações modernas, que são inevitáveis pela actual natureza das coisas, sem, todavia, prescindir do objectivo de estarmos uns com os outros. Trata-se, pois, de refundar os paradigmas desse convívio.
Basicamente, prescindir do acessório, do mundano, do convencional e protocolar e retomar a essência do encontro, do contacto.
Redescobrir a autenticidade e simplicidade do convívio, despindo-o de tudo o que é supérfluo para aproveitar e desfrutar o que temos de realmente importante para dar e receber do outro.
Como me dizia alguém, “sentimentalizar” a relação, por oposição à prática da sua “materialização”.
No concreto, falo de inovar tempos, modos e espaços de encontros, proponho passeios por parques e jardins onde estavam cinemas e saídas nocturnas em diversões; proponho tertúlias de conversa ao serão onde estavam jantares em restaurantes; proponho hospitalidade sem mais que dar do que nós próprios; proponho redescobrir a visita como tal, e não como acontecimento social.
Muitas serão as formas de inovar no modo de nos relacionarmos, que serão tão mais gratificantes quanto mais descomprometidas com o “social”, e mais empenhadas no reforço de uma intimidade e autenticidade de partilha.
Voltemos a encontrar-nos como que por acaso. Ficcionemos a imprevisibilidade e deixemos o improviso acontecer.
Mas tal não bastará. Tenhamos presente que estarmos juntos é uma riqueza, é um bem escasso, pelo que teremos que elevar o conteúdo desses momentos, não os desperdiçando com banalidades e vulgaridades, seja de atitudes, seja de pensamentos, seja de comunicações.
Estou certo que nos reencontraremos mais e melhor.

ATM

(* publicado inicialmente em 25 de Março de 2009, neste estabelecimento) 

14 maio 2014

a vida dois pontos

Fotografia de JMAC, o homem de Azeitão



a palavra entardecendo subitamente,
cristais baços rodeados por andorinhas
formando constelações em baixo-relevo

e um par de louva-a-deus devorando-se
de amor.

gi.

13 maio 2014

Fátima

Ontem, ausente no Funchal, não pude ir. Mas lembro-me bem da minha primeira procissão das velas em 2001, ano de todos os anos. Que o espírito dessa peregrinação me continue a iluminar.

JdB



Imagem tirada da net


Das frases que começam por "olha, olha..."

Imaginemo-nos a deglutir uma cápsula mágica. Não para que alguém que nos é externo e mais sabedor examine os órgãos de que se constitui o nosso corpo – baço, fígado, apêndice, cólon, esófago – mas para que nós próprios vislumbremos a imaterialidade do nosso físico: carácter, actos, feitios, comportamentos.

(Interrompo o parágrafo inicial para uma dúvida partilhada: a cápsula é mágica ou é maldita? Procuramos ou fugimos?)

Imaginarmos a possibilidade desta fantasia da técnica é ter a certeza de que veríamos a Luz e a Sombra – melhor, Deus e o Diabo – a conviverem no mesmo espaço e no mesmo tempo, digladiando-se pela nossa alma frente a uma mesa de poker ou a um tabuleiro de xadrez.

(Revisitar a letra do Spanish Train, de Chris de Burgh, é perceber esta menção.) 

Qual o desenlace desta contenda entre as Trevas e a sua inversa? O desenlace é sempre incerto, porque incerta é a alma humana.

***

Ir à missa, rezar, entregar-se a uma espiritualidade possível ou reconfortante é (quase) tudo. É perceber a debilidade daquilo que nos forma, mas é também aforrar reforços para os momentos de maior necessidade: a fraqueza da fé, o confronto com tempos particularmente difíceis, a lembrança permanente do que é o bem e o mal. Ir à missa não é uma recompensa. Uma igreja não é uma espécie de olimpo onde residem os deuses da moral e dos bons costumes, nem é um senado onde só ingressam os virtuosos da pátria.

Ir à missa não é um prémio – é a procura de um prémio. Apesar disto, que me parece ser de uma meridiana clareza e um fortíssimo lugar-comum, subsiste a ideia pontual, porém reiterada, de que aos fiéis se exige um comportamento irrepreensível, porque a coerência lhes é imposta como a pulseira electrónica a um condenado. “Olha, olha, tantas missas e depois é isto...”

Desconheço a motivação dos milhões de pessoas que assistem à missa por esse mundo fora. Não conheço, sequer, a motivação daqueles que frequentam a mesma missa que eu, muito embora conheça algumas vidas com que me cruzo semanalmente. A minha imaginação lista todas as motivações: os que cumprem uma rotina desconcentrada, os que vão como companhia absorta, os que estão atentos e disponíveis para aprender, os que entendem já saber o suficiente, surdos por convencimento.

Errar no dia a dia – o rancor, o orgulho, o mau feitio, a inveja, a falta de caridade ou de atenção, o egoísmo, a ausência de ética – atinge-nos a todos, sejamos crentes ou ateus, budistas ou muçulmanos. Afirmar “olha, olha, tantas missas e depois é isto”, porque um praticante se portou menos bem – ou mesmo mal... - numa determinada área da sua vida, não será muito diferente da intolerância manifestada aos desportistas arredados do pódio: “olha, olha, tantos treinos e depois é isto”.

Continuarei a ir à missa - e continuarei a falhar. Se a minha panóplia de motivos contemplasse apenas um, teria a clareza que advém da ausência de dúvidas: nada nem ninguém me desafiou tanto à santidade como a Igreja Católica, com todos os seus defeitos, falhas, incoerências, vergonhas. Não vou à missa porque sou, vou à missa para ser. E como não o consigo, repito todas as semanas. Quem olhar para mim – ou para outros, infinitamente melhores do que eu – e,  face às minhas falhas, lhe ocorrer a frase “olha, olha, tantas missas e depois é isto ...“ tem ferroada para o resto da (minha) vida.

Dentro de mim – como dentro de muitos que me lêem, estou certo – Deus e o Diabo travam uma luta constante num comboio que, canta Chris de Burgh, runs between Guadalquivir and old Seville. Ambos disputam a minha alma, ambos me apresentam os seus argumentos. Deus mostra-me o Amor, por vezes difícil, exigente; o Diabo mostra-me a sua inversa – por vezes mais divertida, por vezes com uma ideia falsa de gozo imediato. Só me resta torcer pelo meu clube, dando-lhe trunfos para que o jogo seja mais manso...

Olha, olha...

JdB 

12 maio 2014

Vai um gin do Peter’s?

Uma pequena mostra do tesouro acumulado pela corte dos Romanov (a partir de 1613) e da dinastia de Rurik que os precedeu, está patente na Gulbenkian, até 18 de Maio: «OS CZARES E O ORIENTE: Ofertas da Turquia e do Irão no Kremlin de Moscovo»(1).


As 66 peças em exposição são expressivas do gosto de duas das grandes civilizações orientais: a Otomana e a Persa no período safávida, nos séc.XVI e XVII, onde o relacionamento com a Rússia era cultivado ao detalhe para contrabalançar o relacionamento tenso e conflituoso com a Europa, sobretudo pelo lado da Turquia. Nada como as trocas comerciais para aproximar os povos e criar um clima amistoso. O intercâmbio de presentes entre as várias cortes imperiais, as visitas de cortesia dos Embaixadores para selar as alianças político-económicas deram origem à colecção de preciosidades, disponíveis aos milhares nos depósitos do Museu do Kremlin. A Portugal foi cedida uma parcela ínfima. Parece que quem da Gulbenkian se deslocou a Moscovo para ver a totalidade do património, ficou maravilhado e, simultaneamente, atordoado com a arrumação densíssima das peças, mal deixando reconhecer a beleza individual de umas e de outras.

Em contrapartida, na Fundação, gozam de condições expositivas excepcionais, com um enquadramento arquitectónico a fazer sobressair cada obra, per se, deixando-a respirar. O jogo de espelhos, a transparência das vitrinas de vidro no meio da sala, as paredes em redor vazias e em negro para criar um fundo neutro de realce dos muitos brilhos dos artefactos expostos, ou os focos luminosos a incidir apenas sobre o que está exposto, produz um efeito esplendoroso, como se tivéssemos entrado no interior de um estojo de jóias gigante. 

Tecidos, armas, ourivesaria, objectos e vestes de aparato, utensílios do quotidiano da vida cortesã dão uma ideia da magnificência das civilizações a que pertenceram. Vários dos têxteis provêm da Colecção Gulbenkian, como a capa de cavalo turca, posteriormente bordada na Rússia e exposta no átrio do Museu.

As 4 mini-secções temáticas ajudam a caracterizar os 200 anos em foco. Mal se mergulha na penumbra da sala, somos surpreendidos pelo ícone de Nossa Senhora do Leite (séc.XIV), cravado de pedrarias lindas sobre um revestimento de ouro a contornar a imagem da Mãe com o Menino ao colo. São sempre uns Meninos muito acordados os que posam na iconografia ortodoxa.


Note-se que «Icon of the Mother of God» é a tradução directa da denominação russa, menos dada às invocações marianas e aos títulos particulares que proliferam nas figurações ocidentais. 

I – HORDA DE OURO
Reúne peças de épocas mais recuadas, dos séculos XII e XIII, trazidas da Mongólia para a Rússia, na vaga de conquistas do Grande Khan. «Horda de Ouro» corresponde à expressão russa para referir a sumptuosidade da tenda onde se abrigava o quartel-general itinerante do conquistador. A ofensiva mongol acabou por aglutinar um vasto território de principados russos, dos búlgaros do Volga, dos persas e dos gregos, convertendo-se depois, habilmente, em plataforma mercantil entre o Extremo Oriente, a Ásia Menor e o Ocidente. A prosperidade económica da região favoreceu a simbiose entre as culturas orientais em contacto, como o demonstra a mistura de estilos nas peças emprestadas a Portugal.

II – IRÃO NO PERÍODO SAFÁVIDA
Confirmando os interesses comerciais comuns na partilha das rotas do Mar Negro ao Cáucaso, do Volga ao Cáspio, as embaixadas entre a Rússia e o Irão multiplicavam-se, recheadas de tesouros para selar as alianças estratégicas das potências asiáticas, muito ciosas a demarcar a sua zona de influência face às soberanias europeias, a iniciarem a constituição dos impérios ultramarinos. 
Gerindo equilíbrios mais amplos, russos e iranianos procuravam também manter uma convivência cordial com o Ocidente, evitando o empobrecimento das posições isoladas no xadrez geoestratégico global. 


Mini reportagem da SIC Notícias com entrevistas à Directora do Museu do Kremlin e à Comissária da exposição na Gulbenkian:


III – A TURQUIA OTOMANA
Desde os primórdios da formação do estado turco, no final do século XV, que a Turquia valorizou sobremaneira as relações diplomáticas com o seu grande vizinho euro-asiático, organizando visitas de Estado com poderosos séquitos compostos por representantes das finanças e do comércio e os altos dignitários religiosos com a presença dos próprios patriarcas ortodoxos, para além dos líderes políticos. Assim, os Czares foram obsequiados amiúde com ricas manufacturas preparadas nos melhores ateliers da capital – Istambul – ao longo dos séculos XVI e XVII. O facto é que durante aquele período, a Rússia recusou sempre integrar as alianças europeias anti-turcas, que bem a assediavam para obter os seus favores.

Nos objectos expostos, curiosamente, o relógio de bolso com esmalte e embutidos, datado de seiscentos, reveste um mecanismo de Genebra, provando o notável avanço do Ocidente a nível tecnológico.
Mecanismo relojoeiro suíço (séc. XVII) enriquecido por invólucro turco com ouro e gravuras em esmalte

O Império otomano apreciava enormemente as artes, mantendo uma vida cultural intensa, igualmente benéfica para a ourivesaria e joalharia, muito do gosto turco. As diferentes etnias reunidas no território do novo Estado contribuíram também para a diversidade do estilo artístico nacional.   

Objectos vindos da Turquia, usados pelo Kremlin como adornos nos actos oficiais,
em cerimónias religiosas e em campanhas militares.


Eloquentes do requinte dos ourives turcos. 

Peças de aparato para exibição do poderio bélico em paradas militares.

IV – A RÚSSIA DOS CZARES
As mercadorias e as ofertas turcas e persas sinalizam os tempos de intercâmbio pacífico e fecundo com Moscovo, influenciando a arte russa e consolidando as políticas de cooperação. Vários dos originais que chegavam aos domínios dos Czares eram, depois, enriquecidos pelos artífices dos Romanov, acrescentando a uma base já de si minuciosamente trabalhada e cintilante, o fulgor sofisticado da corte russa. Sobretudo nos têxteis e tapeçarias as apropriações e personalizações foram frequentíssimas.

Nada como uma boa exposição para viajarmos no tempo, explorando épocas remotas que, através da arte, melhor nos cativam e interligam com outras gentes, proporcionando uma comunhão incrível entre gerações de séculos e geografias bem distantes.

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
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 (1) http://www.gulbenkian.pt/Institucional/pt/Agenda/Exposicoes/Exposicao?a=4668

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