domingo, 28 de setembro de 2008

Hoje é Domingo, mas...

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de Católico.

Se as prioridades estão definidas tão quanto possível na minha cabeça, o facto é que a logística das coisas nem sempre permite o alinhamento perfeito. Assim, a minha crónica domingueira normal foi sabotada por programação mais ligeira, numa dimensão de importância diferente.

Dentro de momentos a Bunny, uma enóloga elegante filha de uma Rodésia que ainda não desapareceu, virá buscar-me para mais um wine tasting envolvendo, desta vez, uma visita a uma vinha. Comecei o fim de semana com actividade semelhante na residência do número 2 da embaixada alemã (crónica a sair brevemente). Hoje mais uma...

Confesso, queridos leitores, que o meu nariz está pré-cirrótico. As minhas papilas gustativas estão num frenesi identificador de aromas. Os meus olhos estrabizam-se na demanda obsessiva das cores, das transparências. No disco rígido - de pouca capacidade, reconheço... - tudo se confunde: o shiraz com o pinotage, o riesling com o monte da ravasqueira, o mosel com o cheiro a citrinos, a África do Sul com a Alemanha, a ciência dos vinhos com a Ingrid que, ao meu lado, se ria em alemão com o teorema de Pitágoras em versão viagem à Beira.

Saio de cá um homem mais rico de cultura, de contactos amigáveis, de conhecimento do mundo. Saio, também, um enólogo, um escanção, um expert em vinhos - tudo em versão aspirada. Não li um folheto, não assisti a uma análise química. Identifico o feno e o petróleo nos vinhos, sei distintamente a que cheira o sulfito. Entrou-me toda esta sapiência pelo nariz, sairá ao menor espirro outonal.

Tenho a enóloga à espera no seu mercedes automático, metalizado, elegante, de última geração. Gostava muito de me quedar convosco nesta charla, but first things first.

Adeus, até ao meu regresso... Espera-se que sóbrio.

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