segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Vai um gin do Peter’s?

Em começo de ano, calha formular bons propósitos, até como motivação para estrear, com o maior ânimo possível, um novo ciclo de 365 dias, que este ano até tem mais um – o célebre 29 de Fevereiro.

Nada como os poetas para suplantar os melhores propósitos, indo à raiz da questão, com desafios que mergulham nas renovações mais interiores. 

Para 2016, a atitude desintoxicante recomendada por José Gomes Ferreira (1900-1985) franqueia um caminho seguro para que o Ano venha Novo e puro: 

«É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir» 
(in “As aventuras de João sem medo”)

Só um poeta para acreditar que podemos voltar a espantar-nos com o que nos rodeia e já catalogámos de conhecido, i.e., incapaz de nos surpreender. A exigência do poeta encontra eco num aforismo lapidar de Oscar Wilde (1854-1900) sobre o caminho para ser feliz, numa fórmula de aparência menos provocatória do que o habitual, no escritor irlandês:

«Nada amadurece como a felicidade.»

Convenhamos: não soará demasiado banal associar felicidade à capacidade de apreciar o dia-a-dia, em crescendo? Parece uma via de realização irritantemente simples e frágil, a depender em excesso da vontade de nos encantarmos de novo com o (aparentemente) comezinho que é 95% da nossa existência. No fundo, trata-se de gostar da realidade. Onde arranjar tamanha boa vontade, só óbvia nas crianças acabadas de chegar ao mundo? Com desejos por cumprir ou até mesmo falhados, apetecerá ser feliz? Por outro lado: serão as nossas típicas reivindicações realistas e justas? Dúvidas e reservas multiplicam-se.

Aos milhões de jovens que, em 2013, transbordavam no extenso areal de Copacabana, o Papa Francisco pediu a «coragem para serem felizes»! Crescer por dentro requer mesmo coragem e boa dose de realismo…
                         
Seremos capazes de mais felicidade, já hoje? Todos ficariam a ganhar. Poderíamos pedir melhor para 2016? 

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

1 comentário:

Anónimo disse...

Maria Zarco, não tens nível. Não apanhaste a herança genética do Gonçalvez Zarco. Tens um cérebro pelintra.
Estou ansioso para ver esta linhas publicadas no Adeus.
Adeus

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