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02 junho 2026

Poemas dos dias que correm

 Poema da Auto-estrada 

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
Vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina
de impaciente nervura.
Como guache lustroso,
amarelo de indantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa, e bem segura.

Como um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe, Leonor,
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.

António Gedeão, in 'Máquina de Fogo'

***

Impressão Digital

Os meus olhos são uns olhos,
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem lutos e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão, in 'Movimento Perpétuo'

09 dezembro 2024

Do que dizem os olhos de cada um

Num romance, ou filme, de cujo nome não me recordo, alguém termina uma relação com alguém dizendo-lhe: não gosto da minha imagem que vejo reflectida nos teus olhos. Essa imagem não sou eu. 

No conto O Príncipe Feliz (citado por Irene Vallejo em O Futuro Recordado, Bertrand Editora, 2024), Oscar Wilde coloca na boca do rio a seguinte frase: porque quando se inclinava, eu conseguia ver a beleza das minhas águas nos seus olhos. 

Num dos seus poemas de que mais gosto - Impressão Digital - e que já citei abundantemente neste estabelecimento, diz António Gedeão:

Os meus olhos são uns olhos,
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns. 

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem lutos e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente. 

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

Tanto tem razão o personagem que põe fim à relação como tem razão o rio que vê a beleza das saus águas reflectidas no Príncipe Feliz. Quem tem mais razão ainda é o Gedeão, que alguns conheceram como Rómulo de Carvalho. Afinal, cada um vê o que quer nos olhos do outro. Talvez a pergunta, que tanto tem comovido entrevistados, o que dizem os teus olhos?, não tenha uma resposta verdadeira ou não tenha uma resposta falsa e, por isso, seja uma pergunta que pode devolver-se ao entrevistador: e tu, o que vês nos meus olhos? 

Conhecemo-nos através dos outros, através do que nos dizem, do que nos respondem, da forma como reagem às nossas palavras ou aos nossos actos, como comentam as nossas decisões ou dão opiniões sobre os nossos gestos. Está no domínio do sonho (que se transformará em pesadelo) achar que temos direito ou só queremos ver a luz nos olhos do nosso próximo. Provavelmente vemos tudo - o sol e a sombra, o que temos de melhor ou o que temos de pior, a luz e a escuridão. Por vezes vemos o que somos e não queremos ver, por vezes vemos uma imagem injusta, por vezes vemos o amor mas preferimos ver outra coisa, porque o reflexo nos parece desagradável. E quem disse que o exercício do amor era sempre agradável?

Vemos o que quisermos ver: vemos moinhos? São moinhos. Vemos gigantes? São gigantes. Acima de tudo, precisamos de escolher bem o que vemos nos olhos do outro.

JdB

11 julho 2024

Poemas dos dias que correm

Amador sem coisa amada

Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.
 
Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.
 
Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.  
 
antónio gedeão
poemas escolhidos
edições joão sá da costa
1999

12 outubro 2023

Poemas dos dias que correm

 LÁGRIMA DE PRETA

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão
(1906 - 1997)
In "Poemas escolhidos"

19 abril 2023

Poemas dos dias que correm

Aquela loura de preto 

Aquela loura de preto
Com uma flor branca ao peito,
É o retrato completo
De como alguém é perfeito. 

s.d.

Quadras ao Gosto Popular. Fernando Pessoa. (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973).  - 72.

***

Lágrima de preta 

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar. 

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado. 

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente. 

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais. 

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume: 

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão


13 dezembro 2022

Poemas dos dias que correm

Poema da auto-estrada

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta
Vai na brasa de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina
de impaciente nervura.
Como guache lustroso,
amarelo de indantreno
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa, e bem segura.

Como um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe, Leonor,
se o que lhe chegou aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.

antónio gedeão

13 julho 2022

Poemas dos dias que correm

Paredão do Estoril, 2 de Maio de 2022, 06.52h

Eu sei

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.
Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo. 

António Gedeão

09 setembro 2021

Poemas e fotografias dos dias que correm

 

Amarante, Setembro de 2021

Poema do fecho éclair


Filipe II tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro com pedras rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safiras, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.

Um homem tão grande
tem tudo o que quer.

O que ele não tinha
era um fecho éclair.


António Gedeão


16 julho 2019

Poemas dos dias que correm

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão, in 'Máquina de Fogo' 

***

Poema da Auto-estrada

Voando vai para a praia 
Leonor na estrada preta. 
Vai na brasa, de lambreta. 

Leva calções de pirata, 
Vermelho de alizarina, 
modelando a coxa fina 
de impaciente nervura. 
Como guache lustroso, 
amarelo de indantreno, 
blusinha de terileno 
desfraldada na cintura. 

Fuge, fuge, Leonoreta. 
Vai na brasa, de lambreta. 

Agarrada ao companheiro 
na volúpia da escapada 
pincha no banco traseiro 
em cada volta da estrada. 
Grita de medo fingido, 
que o receio não é com ela, 
mas por amor e cautela 
abraça-o pela cintura. 
Vai ditosa, e bem segura. 

Como um rasgão na paisagem 
corta a lambreta afiada, 
engole as bermas da estrada 
e a rumorosa folhagem. 
Urrando, estremece a terra, 
bramir de rinoceronte, 
enfia pelo horizonte 
como um punhal que se enterra. 
Tudo foge à sua volta, 
o céu, as nuvens, as casas, 
e com os bramidos que solta 
lembra um demónio com asas. 

Na confusão dos sentidos 
já nem percebe, Leonor, 
se o que lhe chega aos ouvidos 
são ecos de amor perdidos 
se os rugidos do motor. 

Fuge, fuge, Leonoreta. 
Vai na brasa, de lambreta. 

António Gedeão, in 'Máquina de Fogo' 

18 fevereiro 2019

Dos moinhos e dos gigantes

IMPRESSÃO DIGITAL

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandescente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão

***

Gosto sempre de citar estes versos, dos quais só a primeira quintilha sei de cor, para explicar poeticamente esta certeza que assenta numa dúvida: as coisas são o que são ou são o que vemos nelas? Ou, de outra forma, a beleza está sempre nos olhos de quem vê?

Não tenho respostas para nada, nem deambularei para as procurar. O que sei - e isso sei - é que nem sempre as coisas (entenda-se, por coisas, quadros, cidades, pessoas, relações) são aquilo que nos parecem ser, e por vezes ficamos com o olhar viciado. O grande desafio, na linha do que dizia Proust e eu citei neste estabelecimento há alguns dias, é munirmo-nos de um olhar diferente, mais do que esperar que aquilo que vemos se altere. Por vezes vemos obsessivamente da mesma forma, e Badajoz será sempre feio, Paris sempre bonito, alguém sempre antipático ou arrogante. 

Por vezes temos de aprender a olhar e, com isso, vermos beleza onde antes víamos fealdade. Mesmo que Gedeão nos diga  Vê moinhos? São moinhos. / Vê gigantes? São gigantes, nem sempre é assim. Por vezes moinhos são gigantes e gigantes são moinhos.

JdB

23 fevereiro 2018

Poemas para quem sabe a quem se destinam

Sísifo

Recomeça,
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

***

Poema do Fecho Éclair

Filipe II
tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro
com pedras rubis.
Cingia a cintura
com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.

António Gedeão

29 março 2017

Poemas dos dias que correm

Poema da Auto-estrada

Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
Vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina
de impaciente nervura.
Como guache lustroso,
amarelo de indantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa, e bem segura.

Como um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe, Leonor,
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.

António Gedeão, in 'Máquina de Fogo'

***

Impressão Digital

Os meus olhos são uns olhos,
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem lutos e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão, in 'Movimento Perpétuo'

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