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31 agosto 2023

Músicas dos dias que correm

Uma singela homenagem ao JdC, que gostava muito desta música (parece-me) e que a cantou (também parece-me) numa célebre noite de karaoke em Harare, para gáudio dos comensais.

JdB   

11 janeiro 2022

Música para o dia de hoje

 


When I'm sixty-four
When I get older losing my hair
Many years from now
Will you still be sending me a Valentine
Birthday greetings bottle of wine
If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four
You'll be older too
And if you say the word
I could stay with you
I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone
You can knit a sweater by the fireside
Sunday mornings go for a ride
Doing the garden, digging the weeds
Who could ask for more
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four
Every summer we can rent a cottage
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera, Chuck and Dave
Send me a postcard, drop me a line
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely, wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four

02 junho 2020

Duas Últimas

Muito provavelmente aconteceu comigo o que aconteceu com outros. Talvez mais com outros, dado o meu interesse menos entusiasmado pela chamada música pop do que a generalidade dos meus amigos da mesma idade. Contudo, em festivais, em boîtes, em festas ou, simplesmente, no remanso de um quarto, de um carro ou de um namoro, cantei muitas músicas pop. Hoje percebo que cantava muito sem perceber o que cantava; e percebo que a música, em quase todos os casos, tem mais poder sobre nós do que a letra. 

De facto, e na generalidade dos casos, cantava porque a batida da música - fosse lenta ou agitada - me impelia a isso. Talvez tenha mesmo, no desvario da minha adolescência, sei lá eu, cantado músicas que apelavam ao racismo, à expulsão dos professores, à morte dos padres ou ao incesto. Não sei, imagino eu. Não sei o que cantava, limitava-me a muitas vezes a papaguear palavras ao som de uma música que me agitava o interior.

Na sequência de uma das minhas leitura para efeitos de doutoramento (A Biography of Loneliness) li que Eleanor Rigby, uma música dos Beatles que conheço desde que ela chegou a Portugal, reflecte a preocupação que McCartney, o autor da letra, manifestava, desde criança, pelos idosos. 

[a título de curiosidade, estou a ler outro livro chamado A History of Solitude. Se Loneliness é solidão, solitude é estar sozinho... Dava-me jeito a facilidade dos brasileiros, que traduziram solitude (em inglês)... por solitude (em português)]

Eleanor Rigby seria uma velha solteirona que recolhe o arroz após um casamento que ela nunca gozará. Confesso que não fui investigar; mas fui buscar a letra para perceber que, de facto, cantei isto muitas vezes, talvez numa dada altura soubesse tudo de cor. Mas, na verdade, talvez não fizesse a mais leve ideia do que estava a cantar. Passadas algumas décadas, a pergunta all the lonely people / where do they all come from? já não faz sentido. Sabemos bem de onde vêm. 

JdB

--- 


Eleanor Rigby

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Eleanor Rigby
Picks up the rice in the church where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window
Wearing the face that she keeps in a jar by the door
Who is it for?

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Father McKenzie
Writing the words of a sermon that no one will hear
No one comes near
Look at him working
Darning his socks in the night when there's nobody there
What does he care?

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Eleanor Rigby
Died in the church and was buried along with her name
Nobody came
Father McKenzie
Wiping the dirt from his hands as he walks from the grave
No one was saved

All the lonely people (ah, look at all the lonely people)
Where do they all come from?
All the lonely people (ah, look at all the lonely people)
Where do they all belong?


23 agosto 2018

Duas Últimas

Soube, através de um artigo no Observador, da história do Hey Jude, uma das músicas mais famosas dos Beatles mas que, nem por isso, é uma das minhas preferidas. Não obstante, gostei de ler o artigo, porque acho sempre interessante saber porque e como nascem músicas ou letras, perceber que não é uma simples obra do acaso, mas que há uma motivação qualquer, mesmo que não seja Jude, mas Julian...

Deixo-vos com várias versões de Hey Jude, inclusivé a entoada pelos fãs do Manchester City. Uma música, a original, que fez 50 anos de idade...

JdB



28 julho 2017

Ontem e hoje

Estou de férias no litoral alentejano. Ontem transportei de carro para a praia duas crianças de 5 e 6 anos que a dada altura pediram para se ligar a telefonia - ou rádio, como se diz agora. Naquele instante tocava uma música em inglês, presumo que moderna, que eles cantaram a plenos pulmões. Presumo, igualmente, que não faziam a mais pálida ideia do que estavam a cantar. Mas, durante uns poucos minutos, dois miúdos pequenos acompanharam uma música sem se enganarem.



Depreendo, sem necessidade de um enorme exercício de discernimento ou de adivinhação, que estas músicas que eles cantam - como cantaram outra a seguir, durante a qual discutiram se era os D.A.M.A. ou o AGIR - as ouvem na rádio, para manter o vocabulário ao nível da modernidade. Ouvem com os pais quando vão de viagem, de e para a escola, porque os Pais são gente saudável, que não ouve Mozart ou António dos Santos com um sorriso no rosto.

Recuo à idade deles. Recuo, portanto, a 1963, 1964. Imagino-me no Morris do meu pai (CE-33-83, parece-me) a ouvir rádio que, em bom rigor, não sei se tinha. Mas suponhamos que tinha, em benefício do raciocínio. E suponhamos que eu cantava a plenos pulmões as músicas famosas da época, que passavam na telefonia (para manter o vocabulário ao nível da História). O que ouviria eu? O que cantaria eu, com a mesma alegria que dois miúdos ontem, a caminho da praia do Malhão?





Talvez o Morris não tivesse rádio, pelo que tudo isto cai por terra. Ou talvez não tivéssemos a liberdade canora dos miúdos de agora, e tudo caia também por terra...

JdB

02 setembro 2014

Duas Últimas

O post é escrito sob o signo da falta de tempo, que dentro de minutos rumamos ao norte, num périplo minhoto e galego. No fundo, para os mais ousados de uma portugalidade estendida, um périplo sempre nacional.

Lembrei-me dos Beatles, já não sei a que propósito. Talvez porque tenha aberto o youtube à procura de inspiração e a música me tenha surgido aos olhos. Não sendo eu um melómano, mas simplesmente um apreciador de música, e não sendo entendido na discografia dos Beatles, só posso emitir uma opinião: while my guitar gently weeps é das músicas de que gosto mais, pelo menos numa resposta imediata a uma pergunta que ninguém me fez.

For your delight: a dita música, em duas versões diferentes. Escolham a melhor e digam-me, que estarei sempre atento, mesmo que a falar galego.

Adeus, até ao meu regresso...

JdB

21 fevereiro 2013

Deixa-me rir...


Caros Audiophiles, during these past 3 years, incredibly, I have never featured The Beatles. Like the theme song to Love Story, I keep thinking 'Where do I begin?'.

Well, February 11th marked the 50th Anniversary of the single-day recording of The Beatles' first album Please Please Me. This seems a good place to begin.

The anniversary has been celebrated by the BBC and Abbey Road Studios with a 'live' re-creation of that historic day through recordings of the whole album by various contemporary musicians and singers. An interesting idea, but in my humble opinion, a confused and forgettable failure: a few strange choices of singers, and some indecision whether to be faithful to the original versions or to try to offer something different. It seemed to me that the whole concept was planned at the last minute, and most musicians were too scared to perform with real fire and conviction. Panic instead of positive energy.

There have been many fantastic versions of Beatles songs by other artists, but sadly not on that 're-historic' day.

So, here, let's celebrate the original Fab Four.

Please Please Me still resonates with me today. It was one of the only pop albums in my parents' small collection, and I played it over and over and over from the age of four to fourteen when I started buying my own albums, singing along and playing my 'air' guitar into my bedroom mirror. I have a photograph of me aged four or five singing Beatles songs into a microphone and being recorded by my music-loving grandfather!

It may not be regarded as one of The Beatles "classic" albums, but to me it remains perhaps my favourite. Like one's first love, or first child, there is always reserved a special place in one's heart.

It is tempting to post the complete 32-minute album. How can I leave out the less-than-2minutes pop perfection of the uptempo yet introspective There's A Place (and it's my mind) ? Or the expressively melodic and naively romantic PS I Love You ? Or the personal Ask Me Why, or the slow-tempo plaintive singing of John Lennon on Anna (Go To Him) and Baby It's You ?!

But The Beatles founded their early Beatlemania success on uptempo 'beat' music,  and their first album, recorded in just twelve hours during a single day, captured the vibrant urgent raw energy of their 'live' stage performances. And it includes three of their most exhilarating pop/rock&roll songs which still sound fresh and timeless today and guarantee a full and wild dancefloor: I Saw Her Standing TherePlease Please Me, and Twist And Shout.

"1-2-3-4". John, Paul, George, Ringo. "She was just seventeen / you know what I mean". There could not be a more electrifying introduction to their first album. At aged four I could not understand or care, but by fourteen I knew what they meant...:



The title song was their first big hit. Interestingly it began life as a mid-tempo solo ballad, like a moody Roy Orbison, but producer George Martin suggested a faster tempo with harmonised voices. So John & Paul quickly re-arranged the song. As soon as the recording was finished, George Martin pressed the intercom button in the control room and said: "Congratulations, gentlemen, you've just made your first Number One":



The climax to the album was also the final song recorded, around 10pm at night. John Lennon by now was struggling. They knew he had only one or two attempts possible before he lost his voice. First, some warm milk and honey to soothe his throat. What happened next is still today celebrated as one of the most raw intense and primal vocals ever recorded. Come on, come on, come on, come on baby now!  




A proxima.
 
PO

11 outubro 2011

Duas últimas


O post de hoje tem a respaldá-lo (do verbo respaldar, muito usado por gente de Coimbra) três razões:
- Gosto da música, razão que, por si só, seria bastante;
- É a única música que eu sei cantar (e lindamente, digo eu) no karaoke de Harare;
- Fala do Sol e diz que o Sol devolve sorrisos e derrete o gelo.
Enjoy it.
JdC


16 dezembro 2010

Deixa-me rir...

"Caros audiophiles, this week I wish to add to recent posts by JdB and PCP by also commemorating John Lennon.
Millions of words have been spoken and written about him and I cannot really add anything more inspired.
A few years ago I happened to be in New York on an anniversary of his death, not a particular one like the 30th just passed, and so decided on that cold winter evening to walk along Central Park to the Dakota building where he had lived and to look for the Strawberry Fields garden memorial nearby. I did not expect that there would be much activity, perhaps a few admirers, some bouquets of flowers, some messages of love and thanks. But actually there were at least 300 people, some with guitars singing together, some holding candles, praying, remembering, bringing a heart-warming sense of communion and community. I suppose I should not have been surprised, especially in the city where he made his life after The Beatles and where he was killed.
The Beatles had been a phenomenon, still remain so. But John Lennon tried to burst the balloon of this global mania, to claim that they were just four ordinary but talented guys from Liverpool who had been very very lucky. He wanted to move away from this thing called "The Beatles" constructed around them. And so, it seems to me, after the Beatles, he came back down to earth, to find a life more personal, more spiritual, yet still using his influence to try to fight for the things he believed in.
This capacity for reflection and rebellion was already apparent during The Beatles in songs such as Help and Revolution, and the first song I choose is In My Life which he himself considered to be his first serious song, a meditation on his past life experiences, which of course now sounds a little fatalistic and most poignant in the light of his own death.



I think John Lennon's sincerity, his willingness to express his own feelings into his songs (whereas Paul McCartney prefers to create abstract stories), his rebellious spirit and his humanity are the characteristics which make him so loved, as a human being as much as for his music.
Elton John composed a wonderful eulogy to his good friend, which captures the essence of the man and our sense of loss:



And finally, since Christmas is around the corner, here is John Lennon's eternal Christmas wish for love and peace in our hearts and around the world:



I wish you and your families um Bom Natal.

A proxima,
PO

08 dezembro 2010

Moleskine

Hoje. Corria o ano de 1646. Nas cortes celebradas em Lisboa, D. João IV declarava a Virgem Nossa Senhora da Conceição Padroeira do Reino de Portugal, prometendo-lhe, em seu nome e no dos seus sucessores, o tributo anual de 50 cruzados de ouro. Agradecendo à Virgem a especial protecção dispensada na nossa luta pela independência, ofereceu-lhe a coroa real que, desde essa data, mais nenhum rei ou rainha de Portugal usaram. Prometeu ainda, solenemente, “tomar por Padroeira de nossos Reinos e Senhorios a Santíssima Virgem Nossa Senhora da Conceição, (...) confessar e defender, até dar a vida, sendo necessário, que a Virgem Senhora Mãe de Deus foi concebida sem pecado original...”.

Do Evangelho de hoje. Maria disse então: "Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra."

Ontem. Bênção dos presépios, enquadrada numa noite de oração. Retomo um tema: há um desafio – talvez não tão óbvio – em pertencer-se à Igreja (melhor: de ser-se igreja) numa paróquia com elevados índices de riqueza, escolaridade, cultura, lado a lado com uma pobreza que vai desaparecendo de uma forma mais óbvia, mas que subsiste. Olhava à minha volta. A tentação de se descortinar a hipocrisia em quem nos rodeia é fácil: jovens aparentemente em êxtase, gente de meia idade com um ar devoto, caras serenas de quem sente uma proximidade própria com o altíssimo. Por trás desta imagem de (im)perfeição humana, há seres ostensivamente egoístas, incongruentes, pouco atentos ao próprio, com uma língua viperina e fácil. A irritação com esta falsidade é fácil e escancara-nos a porta. Como nos impedimos de a franquear? A certeza metafórica de que a igreja é como um ginásio: vamos para estar em forma, não porque estamos em forma. Há ainda a sabedoria popular: cada um sabe de si, Deus sabe de todos. E sobra a pergunta para prémio gordo: sou melhor do que os outros?

Ontem ainda. O prior percorre o corredor central da igreja benzendo os presépios ou imagens que cada um trouxe. Quase a assomar ao altar, já no regresso, apercebo-me de uma senhora provinda de um local mais recuado na ala lateral, e que agita os pés como quem peregrina apressadamente. Estende o seu presépio até ao limite do tamanho dos braços e percebo-lhe a angústia. No local onde estava, nenhum pingo de água benta humectou as suas mãos nervosas ou o Menino na sua manjedoura, pelo que, em bom rigor, não sentiu a bênção. Imagino-lhe o pedido: o senhor prior importa-se de agitar o hissope com mais energia? Quer que lhe ateste a caldeirinha?

De hoje, mas há 30 anos. John Lennon seria assassinado no dia de hoje, mas em 1980. Quis postar, da discografia dos Beatles, uma das músicas de que mais gosto: while my guitar gently weeps. Certo da dúvida sistemática, ligo ao meu filho que profere a resposta demolidora: George Harrison. Numa conversa (a dele) de amigos (também dele) interrompida para minudências, duas palavras de um jovem deitam por terra as poucas ilusões que tinha quanto à minha cultura. Num assomo de magnanimidade e compaixão com que muitos olham os indigentes, sugeriu-me esta música:


13 abril 2010

John. Paul. George. Ringo.

Passou no outro dia por mim um miúdo que não teria mais de dez anos. Vinha a cantar o ‘Yellow Submarine’, dos Beatles. É por isso que digo cada vez com mais convicção:

Os Beatles são a maior banda de sempre.

Para mim são também a melhor, mas alguns não concordam porque gostos não se discutem, e o que eu gosto é diferente do que tu gostas, e não me podes obrigar a ouvir o mesmo que tu ouves, e blá blá blá, todas as frases com pretensões a politicamente correcto que muitas pessoas dizem com um ar arreliado e indignado, porque não se podem questionar gostos alheios, dizem elas.

Voltando ao miúdo. É espantoso ver alguém cantar uma música de um CD que é trinta anos mais velho do que ele, de uma banda que provavelmente não conhece, mas que ouviu em algum lado e cuja música ficou no ouvido.

E isto só acontece com os Beatles, porque nenhuma criança cantarola o ‘Satisfaction’ dos Rolling Stones, ou assobia o solo de guitarra do ‘Shine On You Crazy Diamond’ dos Pink Floyd. E são também grandes bandas e grandes músicas. Mas só os Beatles conseguem pôr músicas na cabeça de alguém, sem essa pessoa saber quem canta ou onde a ouviu. E isto torna-os a maior banda de sempre. Não é por serem dos artistas mais ricos e famosos de sempre, por terem vendido uma enormidade de CD’s, por terem feito história em termos de tempo de permanência nas tabelas. É só por isto.

E esta minha opinião é bastante recente. Porque, até me ter começado a interessar realmente por todos os CD’s que editaram, era só mais um miúdo a assobiar o ‘Yellow Submarine’.

É sempre difícil escolher poucas músicas dos Beatles para sugerir às pessoas; é conforme os dias que escolho as músicas deles de que mais gosto. Abaixo estão duas que, à hora a que escrevia este texto, eram as que me apetecia ouvir.

PS: Só mais uma coisa: há músicas e álbuns que são feitos à frente do seu tempo. O ‘Helter Skelter’ e o ‘Tomorrow Never Knows’ são claros exemplos disso. Foram feitas na década de 60, mas podiam perfeitamente ser um single editado na semana passada por uma banda recente. Não pus essas músicas na lista porque não são as mais imediatas deles, mas aconselho vivamente a que se oiçam.


SdB (III)

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