São José (c. 1642), Georges de La Tour (1593-1652)
Celebramos hoje o Dia do Pai.
Lembramos nesta data S. José, pai adoptivo de Jesus,
homem da noite escura e do medo, mas também da confiança e da total
disponibilidade, que tudo venceu para ser parte integrante da Sagrada Família.
Lembramos nesta data todos os pais: os que o
foram biologicamente e os que o foram no afecto, porque não conseguiram ser no
sangue.
Lembramos nesta data todos os pais atingidos pelo
desgosto do desaparecimento de um filho, para que saibam encontrar um sentido
para a vida.
Lembramos nesta data todos os pais bafejados pela
alegria de uma paternidade fagueira, para que sintam nessa bonança o repto da
melhoria.
Lembramos nesta data todos os pais e filhos
desavindos, para que escutem o apelo da reconciliação.
Lembramos nesta data o nosso próprio pai, nas suas
fraquezas e virtudes, para que sintamos o desafio do agradecimento e do perdão.
Lembramos nesta data a nossa própria paternidade, para
que ela seja o reflexo da perfeição de S. José.
(A imagem foi tirada da net, mas a ideia foi roubada aqui. O texto foi publicado ontem no boletim da Paróquia de Santo António do Estoril)
Desde as eleições legislativas de 5 de Junho de 2011 foi, de certo modo, evidente, quais os posicionamentos que os órgãos de CS iriam tomar face ao poder político. Uns mais alinhados com a coligação do poder e outros a convergirem com a oposição. Quanto às televisões privadas, foi bastante óbvio que, após a decisão do governo de privatizar um dos canais da RTP, tanto SIC como TVI, com o temor de ver as receitas de publicidade a pulverizarem-se, têm seguido uma linha editorial oposicionista ao executivo de Passos Coelho. Relativamente a Balsemão e Pais do Amaral, apenas apetece dizer, tão " liberais " que eles são! É sempre a mesma ladainha dos empresários. Sim, o Estado deve emagrecer. Sim, o governo deve privatizar muitas das empresas do Estado. Sim, é necessária incrementar a concorrência. Mas no que toca aos seus sectores de actividade, é sempre um caso especial. Sempre foi assim e sempre há de ser.
No que diz respeito à imprensa escrita, também aí houve novos alinhamentos depois da mudança de governo. O Diário Económico (propriedade da Ongoing) mostra-se muito alinhado com o poder vigente. São por demais conhecidas as ligações da Ongoing ao PSD. Também o semanário Sol parece muito concordante com a coligação PSD/CDS. Este jornal sempre fez oposição cerrada a José Sócrates. Basta recordar o caso Face Oculta e a divulgação das escutas entre elementos do PS. O diário i é o que tem uma linha mais declaradamente oposta ao governo. Até ver, desconhecem-se as intenções. Será por uma genuína motivação doutrinária? Será por alguma interesse oculto?
Nota: sempre defendi que, à semelhança do que acontece nos países do mundo livre, os órgãos de Comunicação Social deveriam declarar a sua linha ideológica ao invés de tomarem posições encapotadas.
Hoje é Domingo e eu não esqueço a minha condição de católico.
Confesso as minhas limitações: para leigos como eu, de alguns evangelhos é mais difícil extrair ideias que se apliquem claramente ao nosso quotidiano. Desinspirado para alinhavar duas linhas minimamente interessantes num sábado de clima tristonho - nem chove nem faz sol... - penso nas trevas e na luz de que falam o texto de hoje. Penso nas minhas trevas e nas minhas luzes.
Há cerca de um ano, após ter almoçado com um grande amigo, escrevi sobre tentações. Também elas fazem parte do nosso lado negro. Vencê-las, dominá-las, e até reconhecê-las, é uma forma de deixar que a luz nos invada. No fundo, a escuridão não existe, é apenas a ausência da sua inversa.
De então para cá mantenho a ideia sobre algumas tentações actuais: a tentação do adiamento, a tentação da auto-suficiência, a tentação do comodismo e do egoísmo, a tentação da vaidade ou do poder, a tentação de uma clarividência presumida. Poderia ainda falar da tentação da carne, tão presente na educação católica de muitos de nós, mas a castidade é um conceito que só por si daria um post.
O cardápio de tentações é vasto e aplicar-se-á a qualquer um de nós. Mal dominadas, redundarão em comportamentos que nos afastam do próximo. Interiorizadas, reconhecidas, combatidas - até mesmo reconciliadas -, ajudar-nos-ão a sermos melhores, percebendo e sendo mais tolerantes com as tentações alheias.
A escuridão não existe, é apenas ausência de luz. A luz máxima que poderemos ambicionar nesta época é a presença permanente de Deus nas nossas vidas, um Deus que não é senão amor.
Bom Domingo para todos.
JdB
EVANGELHO: Jo 3,14-21
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou em nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.
Cantar "a cappella" deveria chamar-se cantar à casa de banho, pois é no duche que mais se canta sem acompanhamento musical.
Sangue
Bom a aproveitar sangue é a sanguessuga; já o desperdício de sangue numa hemorragia chama-se sanguefuga.
Diferenças
Uma diferença entre o ténis e o futebol é que no ténis há um miúdo a apanhar bolas e no futebol (Sporting) há homens a apanhar bonés.
Contradições
O doente queria ser visto quanto antes; pode dizer-se que este homem é, ao mesmo tempo, paciente e impaciente.
Provérbio
Ouvi na televisão que determinados pássaros que se alimentam no mar estão a desaparecer devido a haver pouco alimento na água. Deviam informar esses pássaros que quem vai para o mar avia-se em terra.
Divorciara-se aos 49 anos
quando o topo da carreira a vira chegar. Dera 25 anos à multinacional e, numa
terça-feira invernosa, regressada de um conferência onde se discutira o
equilíbrio fino entre a saúde das populações e a riqueza das farmacêuticas, percebera,
pelo vazio humano da sala, que ocupava
um lugar cada vez mais residual no coração do marido.
Alguns meses antes, vítima
daquela perspicácia que mata as ilusões da alma, começara a vislumbrar o
esmorecimento sexual como terceiro parceiro da relação. Ela mantinha o desejo –
talvez fosse apenas o desejo – mas
ele esquecera-se dela, de um corpo mediano de praticante de badmington, e de um peito na fronteira entre o tem o tamanho certo e o que pena não ser um pouco menor. Esquecera-se ainda da assimetria colorida dos olhos,
fascinado por uma fadista que era em tudo média, e que trauteava o fado Vitória
como sinal casto de apetências lascivas.
Conheceu então o André que, aos 30
anos, se alcandorara a trainee com
responsabilidades de assistente pessoal. Era um rapaz com formação em marketing e um cabelo castanho
discreto que nascia dos lados, para terminar numa cumeada de baixo relevo. Na primeira entrevista que os colocou frente
a frente, Mafalda reparara que em momento algum o jovem retirara os olhos dos
seus próprios olhos, como se achasse indelicado fixar-se no último botão
fechado de uma camisa de qualidade. A educação de André cativara-a.
Durante um ano viajaram em
serviço. Mafalda partilhou com ele o seu gosto pela música renascentista, pela
literatura russa, pelos primitivos. Falou-lhe do futuro da medicina, da riqueza
das nações, do agnosticismo esclarecido e do novo cinema francês. André
ouvia-a, nunca baixando os olhos até ao ponto onde o decote discreto revelava a
sensualidade de sardas espalhadas a eito. Ela falava dos prémios Goncourt, do
Sundance Festival ou de marrons glacés
e ele sorria, numa veneração fixada no rosto.
Um ano mais tarde deitaram-se
pela primeira vez juntos, ao som da Torre Eiffel e de uma televisão onde
se ouvia we’ll allways have Paris.
Acharam que a frase era só para eles e beijaram-se como se não
houvesse dia seguinte, a pintura não existisse sem eles, a literatura não fosse mais do que o
romance que viviam. Esqueceram-se do mundo, excepto de uma nudez que ocupava
todos os seus sentidos. Exploraram tudo e, pela primeira vez, André não lhe fixou os
olhos, vendo Mafalda na plenitude de um corpo desnudo que lhe
era oferecido. No fim da noite, com a
imagem do frio nocturno e cinéfilo de Casablanca, Mafalda
comoveu-se, sentindo que talvez não merecesse tamanha alegria. André voltou a
olhá-la nos olhos e limpou-lhe uma lágrima furtiva.
O trainee mudou-se discretamente, levando pouca roupa, uma imagem de S. Judas Tadeu e a fotografia de uma avó sorridente que o pegava ao colo. Continuaram a viajar e ela mencionou-lhe a música
trovadoresca, o realismo mágico sul-americano, os genéricos e as saudades de um badmington que praticava com dedicação e destreza. Ele ouvia-a, sorria e, numa
cama larga com vista para a igreja da Estrela, beijava-a, acariciava-a,
dava-lhe prazer. No fim, como se fosse um ritual, limpava-lhe uma lágrima
furtiva, porque Mafalda continuava a sentir que talvez não merecesse tamanha
alegria.
Um dia Mafalda entrou em casa devagarinho, porque há quem imagine nos outros uma
alegria desmedida com o que é inesperado. Algo dentro dela a impediu do lugar-comum da surpresa! que se grita aos incautos. O
jovem, frente a uma televisão onde bebés flutuavam no éter fruto de uma gravidade que desaparecera, agitava os braços ao som de uma música de fundo que se repetia a cada segundo e meio, contorcendo-se e balbuciando sons ininteligíveis. Ao seu lado, no chão elegante de madeira corrida, meia dúzia de fotografias
dela própria. Os olhos tinham sido todos pintados da mesma cor, como se houvesse um qualquer horror à assimetria.
Mafalda manteve-se silenciosa. Numa fracção de segundo percebeu que os
princípios activos, o aquecimento global, a pintura abstracta, e até a ideia de
que teriam sempre Paris, eram a evidência de um monólogo gritante e sem retorno. Fechou a porta
e saíu, porque mesmo que tivesse dúvidas sobre a existência de uma certa
alegria, queria que André lhe limpasse uma lágrima furtiva.
O meu último post
foi sobre as fases da Lua. Só mais tarde tive conhecimento deste vídeo lindíssimo
da NASA. Aqui fica com um pouco de atraso.
Neptuno e Peixes
No próximo dia 20 estarei em Portugal e tenho falado mais vezes com amigos
e amigas para combinar encontros, reuniões, consultas. Uma delas disse a
propósito da crise “Sente-se um
sentimento geral de desalento”… Desalento … palavra 100% neptuniana.
Neptuno, o planeta que rege o signo de Peixes, tem uma órbita de 165 anos,
passando cerca de 14 anos em cada signo. Neptuno entrou definitivamente no
signo de Peixes no dia 3 de Fevereiro passado, e aí ficará até fim de 2025. Quando
um planeta lento transita pelo seu signo regente, o mundo recebe uma dose dupla
dessa energia.
Portugal está muito ligado à energia Neptuniana. A nossa história, os
nossos mitos, a nossa música e as características do nosso povo confirmam esta afirmação, apesar da carta do nascimento de Portugal ser especulativa.
Todas as energias astrológicas podem ser expressas de uma forma positiva ou
negativa. Armar-se em vítima, a depressão,
a fuga à realidade, render-se, escapar para o mundo virtual ou refugiar-se na
droga são algumas das manifestações negativas de Neptuno / Peixes.
A noção de dissolução de limites, de que as coisas se
podem espalhar sem controlo, põem a imaginação, o inconsciente colectivo com os
seus mitos assim como as doenças transmissíveis e www (world wide web) dentro
do âmbito Neptuniano. Aqui encontramos também a procura do divino, transcender
a nossa condição de mortais, o amor infinito, a música, a arte. Os oceanos, os santuários,
os bares com as suas bebidas e hospitais são alguns dos locais ligados a esta
energia. Os sonhadores, os poetas, os místicos, os salvadores, mas também os
fraudulentos e os fracos, são personagens deste arquétipo.
Uma vez que durante os próximos 14 anos Portugal vai apanhar
com uma dose dupla de si próprio, vou dar algumas sugestões de como usar esta energia
de forma positiva.
O que se passou nas épocas anteriores em que Neptuno esteve em Peixe dá
pistas. A lista não é exaustiva, escolhi só algumas áreas:
Na saúde:
1192- 1207O álcool
é usado pela primeira vez para fins medicinais.
1356-1370 A gripe
é identificada como doença.
1520-1534 Paracelso
inventa o láudano, uma tintura de ópio usada até ao séc. XX.
1684-1697 Anton van Leeuwenhoek observa
a bactéria.
1847-1862 Louis Pasteur descobre que os germes são a
causa das doenças e, ao mesmo tempo, Florence Nightingale introduz noções de higiene
nos hospitais da guerra da Crimeia. Também nesta época é extraída, pela primeira, vez a cocaína pura.
Na literatura, musica, mitologia e
superstição:
1192
– 1207
·Aparece “Elder Edda” colectânea de mitologia escandinava
que deu origem aos deuses nórdicos e que inspirou o Senhor dos Anéis.
·Em França, Robert de Boron escreve “Roman de Merlin”, o mago ainda anda na
cultura actual.
·Wolfram von Eschenbach escreve “Parzifal”, poema épico sobre a procurado Holy Grail.
1356-1370
·Petrarca escreve “Il Canzoniere”, influenciando
a poesia amorosa durante séculos.
·É inventado o instrumento que deu origem
ao piano.
1520-1534
·Fernão de Magalhães inicia sua circum-navegação:
a Terra não tem principio nem fim… é global.
·Outro fenómeno global: a publicação da bíblia
poliglota pela Universidade de Alcalá.
·Um cometa, que mais tarde é baptizado Halley levanta uma
onda de superstição.
1684-1697
·Newton e Halley estudam o cometa conhecido pelo nome
deste último.
·La Fontaine publica as suas fábulas.
·Nasce J.S. Bach.
1847-1862
·Fundação Bach Gesellchaff publica as obras completas de
J.S. Bach.
·Wagner completa “Der Ring des Nibelungen” inspirado pelas
lendas nórdicas escritas no ciclo Neptuno Peixes de 1192-1207.
·Verdi está em plena produção.
·Chopin, o grande romântico morre, sucedido por Liszt.
·Melville publica Moby Dick, a baleia que se tornou um
mito.
.
Em Portugal
·Almeida Garrett, expoente do Romantismo, escreve Folhas Caídas, obra-prima no género.
·O fado, a nossa canção absolutamente Neptuniana, surge em
Lisboa por volta desta época.
Em face de tudo isto aqui fica o meu conselho para os
Portugueses aproveitarem ao máximo a estadia de Neptuno em Peixes: Não entrem
na histeria colectiva do “2012”, não fujam da realidade para o mundo virtual,
mas não percam os sonhos: encontrar a cura para o cancro, fazer descobertas
submarinas, difundir o fado, que é a nossa herança, pelo mundo, escrever, fazer
musica, ter imaginação, inspirar gerações futuras. Usar a internet para promover
o nosso vinho, o nosso azeite. Aqui ou no estrangeiro, conforme sugestão tão
criticada de Passos Coelho, tanto faz, porque a Terra desde Fernão de Magalhães
que não tem fronteiras.
Terça-feira da terceira semana: Espaço para a autenticidade
Gosto, mas gosto muito, que a primeira palavra de Jesus no Evangelho de João seja uma pergunta (e seja aquela pergunta): “Que procurais?” (Jo 1,38). Consola-me ir percebendo que o que sustenta a arquitetura dos encontros e dos desencontros que os Evangelhos relatam é uma espécie de coreografia de perguntas, um intenso tráfico interrogativo, construído a maior parte do tempo a tatear, sem saber bem, com muitas dúvidas, muitos disparos ao lado, muita incapacidade até de comunicar. Isso é uma âncora, por muito que nos custe, pois uma vida só assente em respostas é uma vida diminuída, à maneira de uma primavera que não chegou a ser.
Não sei como vai rebentar em nós a primavera, como se vai acender este reflorir que a natureza insinua, este renascer que o gesto pascal de Jesus espantosamente (res)suscita na nossa humanidade. Sei apenas que nas perguntas, mesmo naquelas que são difíceis e nos estremecem, reencontramos a vida exposta e aberta, certamente mais frágil, mas a única que nos permite tocar as margens de uma existência autêntica.
Todos somos habitados por perguntas e elas cartografam zonas silenciosas, territórios de fronteira do nosso ser. Estes dias reencontrei a pergunta de Pilatos (ainda no Evangelho de João): “O que é a verdade?” (Jo18,38). E dei comigo a aproximar esta pergunta de uma das frases emblemáticas de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,2). Sem querer relativizar a natureza densamente dogmática do enunciado, dei comigo, porém, a revisitá-lo em chave existencial. E era como se Jesus, mestre da vida que incessantemente se reformula em nós, nos desafiasse a uma apropriação. Sim, a uma apropriação.
É necessário que perante a multidão dos caminhos percorridos e a percorrer cada um de nós diga: “eu sou o caminho que percorro”. É decisivo que as verdades que acordamos não sejam uma sobreposição, mas uma expressão profunda do que somos: “eu sou a verdade”. É urgente que a vida não seja só a acumulação do tempo e do seu cavalgar sonâmbulo, mas que cada um, pelo menos uma vez, possa dizer plenamente: “eu sou a vida”. Acho que é disto que o mistério pascal fala.
Hoje escolhi duas músicas de uma banda que eu pensava já
ter desaparecido há muito: os Pavlov´s Dog, grupo nascido no Missouri, no
começo da década de 70 do século passado. Mais propriamente em Saint Louis,
cidade fundada por franceses na confluência do Mississípi com esse seu
afluente.
Extinto ou não, o certo é que pelo menos em 2010 o grupo
se voltou a reunir para uma digressão que incluiu Portugal, tendo realizado em
Lisboa, no final desse ano, um concerto a que tive o prazer de assistir. Foi no
“Santiago Alquimista”, ao Castelo/Graça (bairros a que me ligam gratas
lembranças da adolescência!), um local em dois pisos, bizarro e escuro, mas
acolhedor e apropriado para concertos mais íntimos, como era o caso.
Foi num Domingo à noite e fui sozinho, o que me impediu
desde logo de partilhar com alguém próximo as sensações de um concerto e de uma
música que me caíram muito bem. Mas enfim, nem sempre se consegue convencer a
família ou algum amigo a sair numa noite fria de Domingo para ouvir alguém que
se conhece mal, como era o meu caso, ou não se conhece de todo.
Realço desde logo David Surkamp, vocalista e personagem
principal da banda, que apesar de já não ser novo, é ainda senhor de uma voz
bem original. Também gostei da violinista, bem mais nova, que aliava à destreza
musical uma presença em palco visualmente deveras agradável.
Espero que gostem das músicas seleccionadas desta banda
que foi buscar o seu nome ao mestre russo que teorizou o desenvolvimento de
comportamentos em resposta a estímulos (reflexos inatos e reflexos condicionados),
utilizando cães nas suas experiências.
Se não gostarem, peço-vos paciência, virtude cristã que
devemos cultivar neste tempo de Quaresma.