sexta-feira, 21 de maio de 2010

transumância

na ilha dos amores, camões escrevia já
o cântico dos cânticos,
epopeia lírica aos pés do altar-mor,
uma estátua ao que poderia ter sido.

terrível cousa esta, leitores futuros meus,
extirpar a espantosa dor
do que está mais do que morto, em nós,
mas algures, lá longe, transborda de vida.

fazer o luto de flores vivas,
carrear esse tráfego nocturno e viscoso
de animais mortos
que ainda caminham.


gi.

3 comentários:

Anónimo disse...

Al Berto? Camões? Florbela Espanca? Gi? Um poema a 4 tons! pcp

Anónimo disse...

Camões e Al Berto, é bem-visto, sim senhor(a). Florbela Espanca nem por isso. Em todo o caso é o subsconsciente criativo, e a memória de muitas leituras e devoções, a funcionar. Mas, em tão ilustre companhia, até nos sentimos corar um bocadinho..
Flores e obrigado,

gi.

Anónimo disse...

Eu disse Florbela porque ha um tom dramatico no que escreveu. Mas sim, realmente, tem razao ... pcp

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