terça-feira, 22 de junho de 2010

Sossego traiçoeiro

Fazes poupanças da alma

Com as manias da razão

E pedes sempre mais calma

Custa-te largar a mão.


Sobre as coisas que assustam

Não demoras a pensar

Imitas aqueles que escutam

E vais-te deixando andar.


Sobra-te tempo pra tudo

Sobretudo pra gastar

E deixas-te andar mais que mudo

Não gostas de atrapalhar.


O sossego é traiçoeiro

Surpreende quem quiser

A verdade é que és um estrangeiro

Até prá tua mulher.


E a certeza esmorece

Enquanto avanças na canção

A vida é sempre diferente

E precisa de um refrão.


Agora contas plos dedos

O que sabias de cór

A tabuada dos medos

Não tem lugar no amor.


E há-de chegar o dia

Em que tu vais perceber

Só te deram esta vida

E foi feita pra viver.


Zdt (cancioneiro dos improvisos)

1 comentário:

Anónimo disse...

Porque arriscar a poesia é sempre correr riscos. Porque correr certos riscos - os riscos certos - merece aplauso. E porque, veja lá, me lembrei do António Variações, ao ler alguns destes seus versos..

..aqui ficam os devidos aplausos.

gi.

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