quinta-feira, 17 de junho de 2010

Deixa-me rir...

Imagino que os leitores deste blogue conheçam o jornal Financial Times (só podem!). Não sei é se todos estarão familiarizados com o seu suplemento de fim-de-semana How to Spend It (www.howtospendit.com). O nome diz tudo: como gastar o dinheiro que se tem. Presume-se, neste caso concreto, que é muito, muito, muito, muito, muito dinheiro….. literalmente, “dinheiro à séria”. Pessoalmente, um título destes e o “mundo” que isso significa, choca-me, choca-me mesmo. Sou absolutamente a favor da partilha e da divisão de bens (não imposta, claro!), não posso achar melhor as dádivas de milhões que o Bill Gates, a Jane Fonda, a Madonna, o Sean Penn, e outros tantos, têm oferecido para causas várias. Acho inclusivamente que isto devia ser uma prática “corrente” por parte de quem tem em excesso. Ninguém precisa, seguramente, de ter 10 casas em diferentes cidades, n propriedades no campo, na praia e na neve, torneiras de ouro na casa-de-banho, iates, aviões particulares, roupa e acessórios exclusivos, antiguidades aos pontapés, ser proprietário de meia Londres (como o Duque de Westminster) ou ainda haver países onde a riqueza se encontra concentrada em 5% da população!! É um atentado, uma afronta a quem não tem nada, a quem vive na rua, está corroído pela doença e vê os seus filhos a morrerem de fome à sua frente. Há qualquer coisa de errado neste desiquilíbrio social… mas isso daria origem a todo um outro post. Hoje estou mais light do que isto….

Mas apesar destas considerações, não consigo deixar de ser fascinada por esta revista. Visualmente, como seria de esperar, é muito atractiva (mas há melhor; para todos os efeitos é um suplemento de um jornal!): óptima fotografia, bom papel, sofisticação em todos os detalhes, em tudo o que é apresentado: sapatos, relógios, carros, roupa, pessoas. Sugestões de hotéis, de férias, de decoração, de compras, é tudo, assumidamente, para um conjunto de pessoas que se rodeia de luxo, verdadeiro luxo, no seu dia-a-dia.

Mas aquilo que realmente me atrai no How to Spend It, para além do seu lado visualmente apelativo, é o seu lado de procura de excelência, que se manifesta tanto na divulgação do que é Belo neste mundo, como também na procura das últimas trends a nível de ideias, de conceitos e de modos de vida. As entrevistas são feitas a pessoas que têm em comum o serem ricas, criativas, empreendedoras, intelectual e profissionalmente estimulantes, pessoas que fazem o futuro, desenham o futuro em termos da arquitectura que passamos a apreciar, da moda que passamos a vestir, do design de que nos rodeamos, da ciência que nos fascina, do turismo que procuramos . São pessoas com mundo, cosmopolitas, que se rodeiam de pessoas alike. Desta convivência, necessariamente fervilhante e estimulante, saem as últimas tendências que influenciam, quer queiramos quer não, as nossas escolhas mundanas. E não tem mal nenhum… sempre foi assim e sempre assim será … a não ser que o Homem evolua muito …. o que não prevejo para breve …

Já agora falo-vos da última trend em Inglaterra de que tive conhecimento ao ler um artigo no último How to Spend It: criar casas com fachadas personalizadas. Imaginem-se loaded with money e cansados (o tom tem de ser blasé!) com a fachada da vossa casa. Contratam os serviços dum arquitecto e ele remodela-vos a parede que separa o “vosso” espaço do espaço colectivo. Ou podem mandar construir uma casa de raiz, evidentemente. Mas sempre com uma fachada personalizada. Vi algumas destas casas no dito artigo e achei-as bem giras, curiosas, diferentes. O minimalismo zen que atingiu o seu apogeu no final do séc XX já era! Agora o que está a dar é decorar, é usar e gozar de padrões, texturas e efeitos. Com alguma contenção, como diz um dos arquitectos entrevistados. Para todos os efeitos, vivemos num espaço partilhado!

Parece que a influência agora é o movimento do Arts & Crafts, o famoso movimento estético da segunda metade do séc XIX, fundado por William Morris, que privilegiava a pequena indústria, a revitalização do artesanato criativo em oposição à produção em massa e o fim da distinção entre artesão e artista. Diz o tal artigo do HTSI: “Many of today’s architectural innovators share the same kind of interests (… com os artistas do A & C), while being happy to look back as well as forward in the search for inspiration. As a result, they’re inventing houses and apartment buildings with a real sense of character and individuality, and they are increasingly teaming up with clients and developers who are after the very same thing.”

Para terminar, dou-vos um exemplo apontado neste artigo: uma casa coberta de hera numa mews em Londres. Em frente, uma casa com uma fachada acabada de fazer. A nova fachada é constituída por placas finas de madeira e metal, em tons de beige e preto, a imitar, de forma estilizada, as folhas de hera opostas. Não acham bem giro? Eu acho.

Agora a música. Outro produto do UK. Uma voz soberba. Que me foi apresentada recentemente pelo PO. Beth Rowley, ladies and gentlemen. Recomendo vivamente o album Little Dreamer!





pcp

PS: E para quem, como eu, gosta de coisas bonitas e cool, aqui vão duas sugestões:
www.ted.com
www.thecoolhunter.co.uk

4 comentários:

Anónimo disse...

De facto, é sempre revigorante acompanhar as modas a nascerem e borbulharem pelo mundo, começando nas grandes metrópoles, que são a referência do in, como Londres. Na Alemanha, a coqueluxe de humor é a pintura fantástica das portas de garagem, a mostrar um Ferrari de colecção, ou uma adega antiga mto bem recheada, ou uma banda a treinar p/ o prox. concerto e outras imagens de welcome ao visitante! Num certo sentido, tb confirmamos que a "imaginação (pode) ser a louca da casa"! Obrig. pelas dicas e reflexao toda por junto, MZ

Anónimo disse...

Obrigada, MZ, pelo teu comentário. Já agora, ao passar esta manhã pela Fontes Pereira de Melo, vi um exemplo do que descreves na fachada em obras dum prédio. Creativo mas não particularmente bonito.... espero que na Alemanha as pinturas nas garagens sejam bem mais giras! Bjs. pcp

Maf disse...

pcp, esse prédio da FPM é mesmo, mesmo em frente do meu trabalho. Aliás, mesmo em frente do meu gabinete e também achei a ideia genial,embora não particularmente bonito. De resto, foi desenhada por "grafitters" com muito mau aspecto :-) Mas acho que a ideia podia pegar e seria uma bela forma de alindar esta nossa, já de si bela, Lisboa.

Anónimo disse...

Sabe, maf, as fachadas a que me refiro, as tais mencionadas no suplemento do Financial Times, são fachadas à séria, não simplesmente pintadas. A pintura é aliada das fachadas pobres, que querem simplesmente ser diferentes ou projectar mensagens mais ou menos provocadoras. Eu falo, ou melhor, o artigo fala, de verdadeiras fachadas: de vidro, de tijolo, de madeira, de metal, com padrões, com cores, com texturas diferentes e modernas. Sobretudo feitas por arquitectos! Peço desculpa se me expliquei mal. Queria mesmo falar desta nova trend de recriar a fachada das casas duma forma "rica". Obrigada. pcp

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