terça-feira, 17 de setembro de 2013

Duas Últimas

Sábado fui ao casamento de alguém que me é particularmente querido. Conhecemo-nos muito de volta dos tachos, prova evidente de que a gastronomia pode ser um forte gerador de empatia entre as pessoas. No caso concreto, estou certo, ajudou, não foi de todo determinante, porque até o crochet ou o modelismo bastariam. 

A comparação dos casamentos de hoje em dia com os do meu tempo, celebrados na sua grande maioria no início/meados da década de 80, é um exercício déjá vu, sem grande originalidade. Hoje, os convidados dos copos-de-água são maioritariamente os amigos dos noivos, o que me parece algo da mais elementar justiça. Recuo 30 anos e os casamentos eram ao fim da manhã/princípio da tarde, o que propiciava o uso do protocolar fraque. Hoje essa fatiota está reservada para os noivos, pais e padrinhos, estes últimos numa profusão generosa Os casamentos de hoje sugerem fato escuro, saias por vezes curtas - e dança. Porque há música, retomou-se (embora não saiba, de facto, se algum dia foi hábito e quando terminou...) o costume da abertura do baile. A generalidade dos noivos cede à tentação, ao gosto, ou ao facilitismo do Danúbio Azul. Em boa verdade, sou muito pouco apreciador de valsa e, gostando de dançar  - pese embora uma qualidade duvidosa - detesto dançar a valsa, mais ainda aquela específica.

Os noivos de sábado, mesmo havendo quem quisesse cortar as veias de neurose, arrojaram-se numa criatividade de se lhes tirar o chapéu. Apreciei a audácia - e aplaudi. Poucos foram os minutos que dancei, porque os costumes e a educação mandam que se guarde o início para a família mais próxima: este com aquela, depois aquela com o outro, e ainda aqueles dois. Mesmo assim arrastei comigo uma jovem que teimava em afirmar que não sabia dançar, o que era obviamente mentira, porque houve ligeireza suficiente e ninguém se queixou de pisões.

Deixo-vos, por isso, com a abertura do baile de sábado. Leonard Cohen, em Dance Me To The End of Love. Dança-se bem melhor do que o Danúbio Azul, digo-vos. E direi aos noivos, quando regressarem do sol nascente.

JdB

     

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