segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Duas Últimas

6ª feira de noite regressava a casa vindo de um jantar com ex-colegas do meu antigo emprego. Na Rádio Amália, que oiço constantemente, um cavalheiro dava uma entrevista. Falava normalmente bem, discernia sobre questões técnicas sobre música, informava que tocava também Beethoven, tinha 59 anos e escrevera um livro. Falou da sua vida, dos seus hábitos, do filho Samuel (que significa salvo por Deus) que se chama assim porque tinha o cordão umbilical à volta do pescoço e o problema foi detectado em cima da hora. Durante uns minutos não percebi quem era, mas fui-me deixando levar por uma conversa à qual não dava muita atenção, mas que ia fazendo companhia. Percebi, por fim, que o entrevistado se chamava Emanuel, e era o homem em cima do qual (passe a expressão) se tinha criado a expressão música pimba

Ontem fui entrevistado, enquanto presidente da Acreditar, pelo Peter Greenberg, um jornalista da CBS especialista em viagens, que leva no seu passaporte 400.00 milhas por ano (cito de cor). Sabe tudo sobre viagens: os hotéis, as exposições, os restaurantes, as fotografias enganadoras, a melhor opção quanto a malas duras e malas moles (e sim, há uma discussão grande, não consensual...). Foi no site dele que aprendi um conceito que me parece ser novo: voluntourism. Aplicado ao caso que lá me levou, um dia telefona-me alguém e diz: hello Jao (os estrangeiros não conseguem dizer de outra forma...). I will be in Lisbon on tourism for the rest of the week and I'd like to do some voluntary work with Acreditar. Can I show up tomorrow? A ideia é boa - a retribuição, a dimensão solidária associada às viagens de lazer. Sentei-me no hotel Farol Design e, enquanto aguardava que me chamassem, abri o telefone para ler as notícias. No Observador dei de caras com a entrevista, ao dito jornal, do Emanuel. Pareceu-me premonitório...

Deixo-vos com Emanuel em duas músicas que o celebrizaram e que, temos de confessar pelo menos quanto à primeira, podem ser remédio santo para uma pista de dança que morre lenta e indesejavelmente. Sim, eu sei que estamos no Natal e que, já agora, uma música da época faria sentido. Lá iremos, que agora é Emanuel.

JdB
  


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