quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Duas Últimas

Confesso que não conhecia esta música ou, se a conhecia, não a fixara. Ouvi-a no outro dia em casa de amigos e achei-a bonita. Não sei se esta interpretação da Maria João e do Mário Laginha é mais bonita do que o original e, confesso, não tive curiosidade em comprovar. O youtube é algo bizarro - cantora e músico suspensos, o que não é uma metáfora totalmente descabida para a música em questão, cuja beleza e serenidade nos deixam também suspensos.

Há sempre por trás das letras uma certa aura de mistério: quem é Beatriz? Existiu mesmo, ou é apenas um nome que rima com triz e com feliz e com giz e com bis? O que ia na mente do Chico Buarque - ou sobretudo no coração -  quando fez estes versos?  O que seria para ele uma mulher de louça ou de éter?  

Não sei se é perigoso ser feliz. Sei que é perigoso tentar, porque nunca sabemos se tentamos da forma certa. Me leva para sempre Beatriz; me ensina a não andar com os pés no chão.

JdB




Beatriz

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

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