terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Duas últimas

Até aos 10 - 11 anos, o meu Natal, para além da dimensão familiar, era muito pautado pelo ritmo alemão. Afinal, eu andava na Escola Alemã onde me lembro de haver um Padre católico e um Padre protestante para dar conforto espiritual (a palavra não é bem esta para miúdos de 10 anos mas não me lembro de uma melhor) aos estudantes. Lembro-me do apoio que me deu o Pater Helmle (se não me engano era este o nome dele) quando chumbei no primeiro ano do Liceu.

(E perguntam os meus queridos e fiéis amigos porque motivo chumbei eu no Colégio Alemão no primeiro ano do liceu? Não me lembro exactamente, mas penso que pela dificuldade em dizer a dentição do coelho e o aparelho digestivo do boi em alemão; ou talvez fosse pelas lesões cerebrais de quem levou fortíssimas ponteiradas pelo facto de ser canhoto...)

Enfim. O Natal na Escola Alemã era intensamente vivido. Lembro-me de estar à mesa a fazer trabalhos manuais - coisas para dar à família - sempre acompanhado por músicas adequadas à saison. Quando fui para o liceu de S. João do Estoril, o meu choque foi brutal - Natal eram férias, nada mais. Espírito natalício eram duas palavras, apenas. 

Deixo-vos com duas músicas cantadas na língua em que as aprendi. Hoje ainda sei quase tudo de cor, e já lá vão 47 ou 48 anos. Já não sei é o significado... Imaginar-me com essa idade, canhoto, sem perceber a dentição do coelho e com lesões provocadas por ponteiros a embaterem na cabeça pode ser um espectáculo deprimente - ou que suscita compaixão. Olho para o que era e dá-me vontade de rir... 

JdB


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