quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Duas Últimas

O Evangelho de São Marcos do último Domingo, relatando a cura do leproso por Jesus, deu-me mais uma vez a oportunidade de relembrar um Santo cuja vida muito me impressiona, o Padre Damião, Jozef de Veuster por batismo, missionário católico belga nascido na Flandres em 1840.

Damião de Molokai, como também é chamado, chegou a Honolulu, Havai, com 24 anos. Poucos meses depois da chegada, foi ordenado sacerdote, passando a ser membro da Congregação dos Sagrados Corações.

O arquipélago do Havai era à época um reino "teoricamente" independente - o primeiro estado indígena não europeu a sê-lo, até 1893, quando o reino foi derrubado, tendo posteriormente sido anexado pelos EUA, que nunca reconheceram a independência, em 1898 - com graves problemas sanitários resultantes de doenças trazidas pelos europeus e que os locais desconheciam.

A lepra era uma delas, por certo a mais terrível. Os leprosos eram segregados e enviados para uma ilha do arquipélago chamada Molokai, uma colónia da morte onde não será difícil imaginar as condições de degradação, sofrimento e desordem em que as pessoas viviam.

Voluntariando-se face a um apelo do seu vigário apostólico, e conhecendo naturalmente os enormes riscos que corria, Damião chegou a Molokai em 1873. A sua obra na ilha, em cerca de 16 anos - morreu com a doença em 1889, com 49 anos - de (re)dignificação das condições gerais de vida dos seus habitantes, de promoção de actividades e da instrução, de apoio espiritual, é um exemplo absolutamente marcante de uma vida que é oferecida em prol dos outros, dos mais desfavorecidos e excluídos, dos que de facto não têm ninguém.

Foi canonizado em 2009 pelo Papa Bento XVI.

Pessoas como o Padre Damião não haverá muitas, mas há-as em todos os tempos. Inclusive nos tempos actuais, em que as situações extremas a precisar de auxílio serão diferentes mas não serão seguramente menores.

Por falar em tempos actuais, deixo-vos com 2 músicas de que gosto especialmente do recente novo álbum de Sérgio Godinho, compositor e interprete nortenho que se perpetua no tempo!

Espero que gostem das escolhas.

fq



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