quarta-feira, 24 de julho de 2019

Crónicos de um doutorando tardio - ofertas para o 1º semestre 2019 / 2020

Questões canónicas (João Figueiredo)

A partir de exemplos práticos de análise literária, a realizar nas sessões, e da discussão de textos habitualmente classificados como teóricos, o curso pretende discutir um conjunto de questões centrais ao estudo da literatura. Algumas das perguntas a que se tentará dar resposta são:
     -Qual a diferença entre descrever e interpretar?
     -O que fazemos quando tentamos perceber um poema?
     -O que torna uma interpretação boa?
     -Há factos nos estudos literários?
     -Como escolhemos entre várias interpretações de um mesmo texto?
     -O que é, afinal, a teoria da literatura?
O conjunto dos textos a discutir, composto por ensaios críticos e ensaios que reflectem sobre o que fazem os críticos, propõe um cânone mínimo da crítica e da teoria literárias, e entre os autores a estudar encontram-se I. A. Richards, Frank Kermode, E. D. Hirsch, Stanley Fish, W. K. Wimsatt & M. C. Beardsley, Michael Riffaterre, T. S. Eliot, Stanley Cavell, Steven Knapp & Walter Benn Michaels, Richard Rorty.


Shakespeare e dívida (Miguel Ramalhete Gomes)

Na sequência da crise financeira de 2007/2008, o peso da dívida veio a sentir-se não apenas nos orçamentos dos estados, mas também na literatura e no seu estudo. Contudo, a dívida é uma das relações económicas mais antigas que conhecemos: está na linguagem que usamos e na literatura que lemos. Neste seminário discutiremos a presença e implicações da dívida em três peças de Shakespeare: The Merchant of Venice, Timon of Athens e Coriolanus (assim como em duas fontes desta peça, Plutarco e Tito Lívio). Partindo da experiência contemporânea da dívida e do trabalho de Marc Shell e de David Graeber, entre outros, exploraremos o efeito do dinheiro que é devido na conceptualização do valor, nas relações sociais e nos corpos dos endividados. A frequência do seminário não depende de literacia financeira prévia.


Teoria geral da interpretação (Miguel Tamen)

A maior parte das teorias sobre interpretação defende que a palavra designa uma única actividade; tal actividade será linguística, quase de certeza mental, possivelmente “artística.”  A palavra ‘interpretação’ designa porém muitas coisas diferentes, nem todas linguísticas ou mentais ou artísticas.  O seminário será dedicado aos vários sentidos em que falamos de interpretação; a partir deles tentará encorajar uma imagem mais geral do tópico e das suas dificuldades.

Procederemos em cada sessão por analogia com actividades ou descrições familiares; os assuntos serão apresentados por uma ordem crescente de complexidade que permitirá relações com discussões anteriores.  Não será usada bibliografia específica, ou expostas teorias bem-conhecidas sobre o assunto; embora possa eventualmente vir a ser indicada bibliografia de apoio a propósito de questões particulares.

No fim de cada uma das primeiras dez sessões cada participante será convidado a escrever um ensaio de menos de 500 palavras: esses ensaios não serão classificados.  Quem tiver entregue dez desses ensaios poderá depois escrever um ensaio final, de cerca de 2000 palavras, durante as últimas quatro semanas do semestre.   Além disso, cada participante terá que formular pelo menos uma objecção oral a uma das analogias usadas para motivar a discussão.  A nota do seminário será o resultado da ponderação do ensaio final e da participação oral.


Analogical Words and Analogical Thinking (Brett Bourbon)

The most basic and powerful mode of thinking proceeds by means of analogy. Analogy drives poetry, creativity, and human insight.  Analogical thinking is literary thinking. And it is much more.  It remains, however, poorly understood, linked somehow with metaphor it remains suspect.  On the other hand, much of what we imagine we know depends on analogy (the idea that we have a mind, e.g., we know only by analogy).

In this course, we will explore analogy as a mode of thinking and as an aspect of language and art.  We will begin with ancient Greek modes of thinking and then jump forward into ideas of language and poetry in the 18th century and in modernity.  We will also examine examples of analogy in science, in poetry, in philosophy, and in our everyday lives.  We will also explore the following four related concepts—metaphor, caricature, parody, and salience.

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