terça-feira, 28 de outubro de 2008

Memórias breves


Saí do Zimbabué há pouco mais de três semanas. À medida que vou retomando a minha vida social, os meus amigos, ou aqueles que vão sabendo indirectamente da minha aventura, perguntam-me:

- E que tal a experiência africana?

Não consigo responder outra coisa a não ser:

- Fantástica. Por mim voltava já amanhã.

Obviamente que não voltaria tão cedo, por um conjunto de motivos que me dá prazer, mais do que me constrange. Mas não deixo de pensar em África e em tudo o que me fascinou e encantou: as cores, o espaço, o silêncio, os verdes, os vermelhos e os castanhos, a simpatia das pessoas, a distância que se percorre como se fossemos ali ao lado, as fardas das crianças a voltarem da escola, a hospitalidade de quem nos acolhe como se fossemos da casa, os programas sociais diferentes, os personagens que encontrei e que decoraram algumas das minhas crónicas.

Talvez esteja numa onda mais nostálgica, como se comprova pelos posts a recuperarem músicas da minha juventude muito juventude. A nostalgia talvez já não seja o que era, mas tem-me enternecido a lembrança de inocências antigas, amanhãs despreocupados, noites felizes a dançar Janis Joplin ou Melanie Safka, cartas escritas com caligrafias juvenis mas palavras apaixonadas.

Desta vez regresso ao passado mais recente, aos meses de Agosto e de Setembro e dedico este escrito aos meus companheiros do último jantar em Harare: a Bela, a Teresa e a filha, a Manuela, o Alberto e a Ana, o Toni e a Sílvia, a Cristina e o marido, o anfitrião JdC.

Têm-me perguntado qual a “coisa” mais bonita que vi em África. Poderia ter nomeado imensas, mas escolho sempre uma, porque aliou a vista deslumbrante à paz interior; juntou o que os meus olhos viram com o que o meu coração sentia: a montanha sagrada de Ngomakurira. Fica por isso a fotografia.

Adeus, até ao meu regresso…

1 comentário:

Anónimo disse...

Vá....
mas volte, por si e por nós que o lemos e sentimos...
Gosto do que escreve, e de ousar a ser assim (tão raro hoje...), (ainda que nem sempre possa vir por aqui, ou me atreva a comentar)
estou a estrear nestas lides, mas vou-me atrevendo a continuar, a perseguir as utopias, ainda que se afastem à medida que caminho...
Muitas vezes vi (poeticamente) os blogues como garrafas atiradas ao mar, agora cibernaútico, gritos roucos desesperados que ninguém ouve, que muita gente vê, mas prefere ignorar, aligeirar o sentir, num apressado passo que não dá azo a tristezas, medos, inseguranças, utopias, verdadeiros sentires de quem não se esconde por detrás de múltiplas máscaras.
Gosto do que escreve, por isso lhe peço que não vá de vez...
Obrigada pelos sorrisos que me trouxe, pelos mimos que deixou nestas pegadas que foi fazendo. Eu apanhei algumas garrafas, segui alguns passos,
e volto ao mar levada pela maré.

Bem haja.
Um abraço
a.

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