sábado, 11 de outubro de 2008

11 de Outubro de 2008


Hoje, há dezanove anos, nascia a minha filha Teresa. Lembro-me como se tivesse sido ontem: parto na saudosa ou não, depende das perspectivas, Clínica de S. Miguel, uma complicação para a mãe que me pôs às voltas numa sala de espera como se fosse um leão na jaula. As coisas complicaram-se e valeu o alinhamento de vários factores - a mestria de quem sabia, a sorte, a certeza de que não era chegada a hora, a fé, a resistência da parturiente que sabia fazer muita falta.

Já lá vai muito tempo e, quando olho para a aniversariante, não posso deixar de me sentir orgulhoso pelo trabalho que foi feito por quem lhe deu os genes, os valores e os princípios, por quem lhe tentou ensinar o caminho mais certo. Passe o orgulho pateta de quem fez parte desta equipa de educadores, acho que ficou uma obra asseada.

Não me posso esquecer, no entanto, que há uma parte de todos nós que tem a ver com vontade própria, capacidade de discernimento, escolha dos caminhos, opções de vida. Por melhor que eduquemos os nossos filhos, o resultado passa sempre por uma carta fechada. A nós, pais, cabe-nos ir sempre a jogo, pagar para ver, porque é a nossa obrigação, mas porque é o nosso gosto. A Teresa está por isso de parabéns duplos: porque faz hoje anos, e porque se tornou numa rapariga tão ajuizada quanto se pode esperar, com qualidades humanas que nos envaidecem.

Uso do direito de propriedade que tenho sobre este blogue para redigir e publicar estes parágrafos de pai extremoso, orgulhoso, satisfeito e esperançado. É a minha homenagem – tão pública quanto possível – a uma das pessoas que me são imprescindíveis. É também o cumprimento de uma promessa que lhe fiz. O pudor impede-me de dizer mais e não quero que a Teresa cresça inchada de vaidade.

Hesitei no acompanhamento musical deste post. Decidi-me por este, por várias razões: pai e filha a cantar, uma música cujo título representa uma parte do sentimento que teremos sempre um pelo outro, uma toada bonita e cantada irrepreensivelmente. Last, but no the least, talvez um dia nos encontremos os dois no karaoke e eu me lembre do furor que fiz em Harare, onde fui alvo do espanto que antecede o horror. Sabe-se lá se ela não quererá cantar esta música comigo, condoída da senilidade paternal. É o meu pai, sabiam? Coitadinho...

Fica um beijo de parabéns deste pai babado, e que é extensível (o beijo, não a baba) a quem lhe deu à luz e fez também da Teresa o que ela é hoje.

5 comentários:

Anónimo disse...

Lembro-me bem do passeio na jaula, e lembro-me para tentar esquecer.
Estamos todos de parabens.
Pai

Anónimo disse...

Obrigada pai!!! Que querido. Quando o pai fizer anos também tenho imensos episódios para contar seus ("É o meu pai, sabiam? Coitadinho...")Até já! Txu, hoje dois txu's porque merece.

Anónimo disse...

De Harare, parabéns à prima.

Anónimo disse...

Há sempre uma boa razão para festejar - a de hoje é muito especial!
Parabéns a toda a família.
Beijinhos

Anónimo disse...

A navegação na internete continua a ser um desafio à minha paciência!!! mas o ditado diz "mais vale tarde do que nunca" e portanto aqui vão os meus votos sinceros de parabéns para a Teresa e seu pai babado.

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