sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Nova corrida, nova viagem...



Fruto do capricho do calendário e dos desígnios das coisas naturais da vida, continuo a saga dos aniversários para desta vez me dirigir a duas amigas que fazem hoje anos – a V. e a I. Da primeira sou amigo há seguramente 28 anos, da segunda há 2, mais mês menos mês.

Nada me impele a comparações porque cada vez mais me revejo na frase que alguém disse de volta de um baralho de cartas: cada jogo tem a sua beleza. Sou amigo por igual das duas porque ocupam planos complementares: uma vive cá, a outra vive longe; uma tem uma ligação mais recente, a outra mais antiga. Sei que ambas são detentoras de qualidades humanas muito grandes e, acima de tudo, serão incondicionais – tanto quanto é possível ser-se - no apoio que um dia tiverem de me dar. Falo do que sei. São amizades, fortes, leais, desabridas, francas, críticas - mas presentes. Não se pode pedir mais.

Foi muito tarde que aprendi uma expressão adequada às relações que vamos estabelecendo. Alguém de quem sou muito amigo também me falava de notas dissonantes. É um exercício interessante olharmos para os que nos são próximos e encontrarmos as características que destoam de um qualquer conjunto harmonioso. O que falha no meio daquele discurso e comportamento aparentemente tão normais? Uma obsessãozinha que não suporta livros desalinhados? Uma forretice que destoa da generosidade aparente? Um enervamento com cinzeiros sujos? Uma violência verbal com os idosos num discurso que é contido com os outros?

Dou por mim nesta prática, não para encontrar defeitos, mas quase como se fosse uma pesquisa engraçada, humorística, ligeira, que confere ao outro o estatuto de desviado saudável… Mas dou por mim, também, a procurar notas sonantes, o que me faz ser amigo de uma pessoa específica, quais as características que me despertam empatia, em que aspectos me revejo mais no outro. Olho para V. e para I. e este exercício torna-se muito fácil, porque lhes encontro inúmeros sons harmoniosos.

Para as duas aniversariantes de hoje segue um beijo de parabéns, em especial para quem é filha de um ano particularmente afortunado.

Nota: eu sei que a associação é um cliché, mas apeteceu-me ouvir James Taylor (tanto cabelo, em 1971...) neste recuerdo que lhes dedico e que também é uma música dos dias que correm.

1 comentário:

Anónimo disse...

Escolheu o meu preferido.Obrigada amigo pela parte que me toca!! Até já

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