terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Duas Últimas

Quase no final de 2013, um ano muito difícil para tanta e tanta gente, mas em que também muita gente desconhecida, muito português, ajudou e ajuda o outro numa dimensão que ela própria desconhecia, apetece perguntar como foi possível Portugal deixar-se chegar até aqui.

Naturalmente que a resposta não é fácil nem óbvia. Mas uma coisa é certa, a crise nacional vem de longe, muito longe. Diria que desde finais do século XVIII, desde a célebre tríade igualdade, liberdade, fraternidade importada da revolucionarite regicida francesa, foi sempre a piorar. Fomos jogando cada vez mais o jogo dos fracos, dos direitos com poucos deveres, das pequenas e grandes traições, das negações das raízes da nossa Nação milenar, até à situação actual em que nos colocámos, de total dependência e subserviência daqueles que pouco se importam connosco, excepto quando o nosso mal estar os puder de alguma forma afectar.

Só por má fé se pode porém dizer que os actuais governantes deveriam ser, eles especificamente, julgados pelos seus actos. Se revisitássemos a história, não sendo preciso ir muito longe, e se semelhante regra aplicássemos, rapidamente verificaríamos que a justiça ainda mais entupida ficaria se chamasse a prestar contas tantas incompetências e traições de que essa mesma história mais ou menos recente sobejamente dá provas.

Períodos houve de algum bem-estar, designadamente após a adesão à então CEE, todavia fruto sobretudo de bens e riquezas não gerados por nós. Emprestados, portanto, com hipoteca da soberania nacional. Sendo certo que por definição os empréstimos são para pagar, assim alguns aprendem logo desde pequeninos, o momento inevitável da reversão haveria de chegar. Apressado pela crise de contornos mais ou menos idênticos que alguns próximos também não evitaram.

A culpa da “medonha situação”, essa é dos outros, sobretudo dos que fizeram o que tinham de fazer e trataram de se acautelar, nossa é que não.

Pena que pouco se tenha aprendido de grandes escritores como Herculano, Eça, ou Torga, para só referir alguns, que descreveram e impiedosamente malharam nos enormes vícios endémicos das governações, pois os mesmos perduram e nalguns casos até se agravaram.     

Aqui vos deixo com uma música de Sérgio Godinho, compositor e intérprete de referência a nível nacional, de finais dos anos 60 do século passado para cá (autor de vasta obra, o nosso Bob Dylan), para tentar demonstrar que, em áreas diferentes, sou no mínimo tão multifacetado como ele……

Espero que apreciem.

fq




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