Passei três anos da minha vida na Foz do Douro, na zona
velha, de ruelas estreitas e húmidas e muito encanto e personalidade. Aconteceu
no início da década de 80, numa época em que o trabalho escasseava e os bolsos
se ressentiam. Por isso fui para Norte, que na altura, apesar de tudo, oferecia
mais possibilidades de emprego que Lisboa ou Setúbal. Foi igualmente um tempo
de despreocupação, palavra cara ao meu amigo e dono deste estabelecimento, e de
algum folguedo.
Quando vejo os assustadores números dos principais
indicadores económicos actuais, como o da percentagem de desemprego das pessoas mais
novas, não posso deixar de pensar nesses tempos também difíceis do começo da
minha vida profissional, e na sorte e nas oportunidades que apesar de tudo me foram
dadas. Tenho a sensação de que, nessa época anterior à nossa adesão à então
CEE, o país tinha dificuldades, mas estava menos “esgotado” do que agora, havia
ainda caminhos a percorrer e a explorar que actualmente tenho dificuldades em
vislumbrar. Deve ser da idade! Será que as novas gerações só terão
oportunidades idênticas às que tive se saírem daqui? Parece cada vez mais que
sim, e sinceramente tenho pena.
O mar da Foz é magnífico, bravio e forte. Lembro-me por
exemplo do “gilreu”, um rochedo grande e isolado, situado bem em frente à
marginal a uns bons metros da costa, e da praia do homem do leme, com as suas
muitas rochas escorregadias, a escassa e grossa areia e a água gélida. E do
Passeio Alegre ou do Castelo do Queijo!
Por isso escolhi estas duas músicas, uma de uma grande
banda nortenha que acompanha um vídeo com imagens sugestivas dessa costa que
vai da foz do Douro a Matosinhos, a outra que tem o nome da praia de que falei
e que é, para mim e de longe, a melhor música dos X&P.
Espero que gostem das músicas e que vão à Foz quando
estiverem lá perto!
Creio que foi ainda em 2010 que tomei conhecimento que estava a ser produzido um filme sobre Margaret Thatcher. Sendo eu apreciador da Sétima Arte, de biografias (escritas ou em vídeo) e ideologicamente convergente com as políticas de Thatcher, desde esse momento que ansiei pela estreia do filme em Portugal.
Pela primeira vez, desde que me lembro, li, vi e ouvi todas as criticas e análises sobre o filme mesmo antes de o visionar. Foram artigos no jornal, crónicas na rádio e até um documentário/debate na SIC Notícias com a presença de Martim Cabral (ex-jornalista da BBC) e Francisco Sarsfield Cabral (representante permanente da Comissão Europeia nos anos 80). Por mais que as opiniões sobre o filme fossem diversas, houve dois pontos em que todos concordaram: o magnânimo desempenho de Meryl Streep e o facto de o filme ser sobre a pessoa Margaret Thatcher e não sobre a primeira-ministra, ou tão pouco sobre o Thatcharismo. No que concerne ao primeiro tópico, não posso estar mais de acordo. O desempenho de Meryl Streep é a todos os títulos perfeito. Seguramente uma das melhores performances feitas por uma actriz. Já o filme não ser sobre a Thatcher política, mas sim sobre Maggie, concordo parcialmente. Nos primeiros 30/35 minutos do filme é verdade. A parte pessoal e a crescente demência da senhora é profundamente explorada. Porém, daí para a frente, há numerosos factos relativos ao Thatcharismo que são trazidos à ribalta. Desde os primeiros dois anos de mandato em Downing Street, em que os níveis de popularidade estavam pela hora da morte, à constante guerra aberta com os sindicatos (ódio de estimação de Thatcher), ao corte na despesa pública, passando pela política de privatizações de empresas e indústrias que os anteriores governos Trabalhistas tinham consagrado, graças à Quarta Cláusula do seu programa, pertencer à esfera pública e o total apoio à política de livre mercado.
Os primeiros tempos no Cabinet não foram tarefa fácil. Toda a essa situação foi revertida em 1982. O governo fascista da Argentina, numa clara tentativa de demonstração de poder, invade e ataca as ilhas Falkland pertencentes à Coroa Britânica. Ao confrontar-se com esse facto, a primeira-ministra, contra tudo e contra todos, inclusive contra os EUA, toma a decisão de fazer frente às forças militares argentinas. Envia uma esquadra britânica com o propósito de recuperar as ilhas do sul do Atlântico. A vitória foi fácil, dado a diferença de poderio militar entre as partes. A nação e a população rejubilaram. Nas ruas de Londres cantava-se I'm in love with Margaret Thatcher. A popularidade subiu em flecha. A decrépita economia, herdada do anterior governo Labour, registou uma clara prosperidade. Graças à desregulamentação dos mercados financeiros (devidamente coadjuvada pelo aliado Ronald Reagan) a City londrina incrementava o volume de negócios.
Mas já nos últimos anos da década de oitenta tudo foi posto em causa. Mesmo com a saudada queda do Muro de Berlim, para o qual Thatcher tanto contribuiu com a estreita relação que manteve com Mikhail Gorbachev, o anúncio de uma Poll Tax, de efeito regressivo, foi o Canto do Cisne para a carreira política de Maggie. Tendo grande parte do seu próprio partido contra si, nada mais lhe restou se não o pedido de demissão do cargo de primeira-ministra.
Talvez os líderes políticos actuais devessem ver Iron Lady e daí retirar algumas ilações. Tal como a extrema importância que Thatcher dava à ideias, e não tanto ao autor das ideias, e menos ainda à forma com eram propagandeadas. Num célebre debate na Casa dos Comuns, um deputado Trabalhista critica severamente o estilo de Thatcher. Esta responde dizendo-lhe para dar mais atenção ao que ela diz, e não à forma como o diz.
Uma crítica que se pode fazer ao filme é a total inexistência de passagens que ilustrassem a visão atlantista de Lady Thatcher. É inconcebível avaliar o Thatcherismo sem ter em conta a aliança com Reagan e toda a paixão que a Dama de Ferro nutria pelos EUA.
Hoje é Domingo e eu não esqueço a minha condição de católico.
Talvez todos nós tenhamos um pouco do paralítico de que fala o Evangelho. Talvez ele não fosse, sei lá eu, apenas um desgraçado a quem a doença ou o acidente atiraram para cima de um catre, impossibilitado-lhe uma vida fisicamente autónoma. Talvez a paralisia dele fosse apenas a do espírito - ou do coração. Paralítico não é só que não consegue andar mas, muitas vezes, o que não quer andar, que não quer deslocar-se na direcção da santidade a que todos somos desafiados.
Ontem conversava sobre uma parte da minha vida nos últimos anos, referindo pessoas - amizades antigas ou recentes - que estiveram comigo em momentos mais difíceis, que não deixaram que eu perdesse o norte - talvez mesmo um norte qualquer, porque a paralisia é a pior das navegações.
Em momento algum da minha vida senti que tinha perdido a fé. Tive essa graça, sobretudo porque em fases específicas ela me ajudou no desenvolvimento de uma espiritualidade que, a par das ajudas humanas, fizeram de mim um homem em paz - não um homem melhor, mas talvez mais consciente da importância de ser melhor.
Olho para trás e, salvaguardadas todas as distâncias, talvez tenha sido o paralítico a quem quatro metafóricos homens transportaram até à presença de Cristo. Tenho a sorte de os poder identificar quase todos, saber que ponta da enxerga levantaram à força de braço e de amizade, que contributo deles foi parte quase determinante nesta caminhada que vou fazendo. Alguns dos que pegaram no catre tinham uma fé mais mortiça ou uma prática religiosa mais inexistente. No entanto, mesmo que não o soubessem conscientemente, todos eles descobriram o tecto por cima de Jesus por onde eu deveria ser baixado.
Bom Domingo para todos.
JdB
EVANGELHO – Mc 2,1-12
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum e se soube que Ele estava em casa, juntaram-se tantas pessoas que já não cabiam sequer em frente da porta; e Jesus começou a pregar-lhes a palavra. Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens; e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão, descobriram o tecto por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações: «Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?» Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: «Porque pensais assim nos vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Eu to ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’». O homem levantou-se, tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim».
Não gosto nada de dar 2 dedos de conversa; fico só com 3.
Azares
Vejo na TV que uma carro foi apreendido com material contrafeito. E o dono? Não terá também ficado contrafeito?
Pontos de vista
Há tempos fui passear até à Outra Banda; um amigo liga-me e pergunta-me onde estou; ia responder-lhe que estava na Outra Banda quando reparei que quem estava na Outra Banda era o meu amigo. Agora pergunto? Se eu não estava na Outra é porque estava na mesma.
Que loucura!
Aproveitamentos
Jacques Brel compôs uma sublime canção a que deu o nome de Ne me quittes pas.
(Em português Não me deixes pá - tradutor desconhecido).
Uma loja de faça você mesmo vai aproveitar-se do título da canção e arranjou um slogan: Ne me KIT pas.
15
de Fevereiro. Celebrou-se ontem o dia internacional das
crianças com cancro. A efeméride tem pouca relevância em Portugal, se bem que
noutros países haja actividades diversas, não só de angariação de fundos, como
de sensibilização da sociedade. Alguns números globais que revelam a dimensão
desta doença: prevê-se que em cada ano 175 mil crianças sejam diagnosticadas
com cancro. Destas, aproximadamente 90 mil irão morrer. Estes números
constituem uma aproximação, porque em muitos países não há registos e os
diagnósticos não são correctos. O cancro continua a ser a doença que mais
crianças mata nos países desenvolvidos. Este parágrafo pode parecer frio mas está cheio de lembranças, nomeadamente da minha passagem por Harare, onde as estatísticas serão particularmente negras.
Prémio Lux Woman. A minha querida amiga Piedade
Líbano Monteiro foi eleita Personalidade Feminina pela revista Lux, na
categoria Solidariedade. É um orgulho muito grande ver o nome dela a brilhar
mais publicamente. Há cerca de um ano, por causa de uma outra candidatura,
pediram-me um texto sobre ela. Partilho-o:
Há mulheres que são de antes quebrar que torcer. Não
no sentido da dignidade, que a têm sempre, mas
no sentido da acção, que as move em
permanência.
Conheci a Piedade quando ela - ao contrário de tantos
de nós, vítimas de uma correria sem norte – se recusava a admitir que o tempo,
como a água, podia ser um bem escasso. O relógio que ela
usava era apenas um instrumento para a pontualidade, não um limitador para a
solidariedade. Ao contrário de nós, escravos de uma vida demasiado agendada, a
Piedade olhava para o mostrador e decidia: tenho sempre tempo.
No meio de todo o vendaval que lhe fustigou a vida, a
Piedade poderia recostar-se e, perante a compreensão de todos, dizer: lamento, mas já não posso
mais; se não se importam deixem-me sentadinha em sossego. Mas, de facto, não foi assim.
Olhou para o relógio metafórico onde cabiam todos os necessitados e decidiu: tenho
sempre tempo. Depois, com o entusiasmo de
quem planeia umas férias no paraíso, sonhou, fundou e desenvolveu de forma
sólida a APSA, dedicada a quem sofre do
síndrome de Asperger, perante o orgulho com que os amigos sempre a fitam.
A Piedade tem a expressão caridade, no seu sentido
mais bonito, inscrita nos genes. Não desiste, vai à luta, enfrenta as
adversidades, olha para os outros, para quem mais precisa, e decide que tem
sempre tempo. Move-a um humanismo invulgar, uma espiritualidade cristã que nos
inspira pelo exemplo, nos desinstala pela comparação.
Há mulheres que são de antes quebrar que torcer. A
Piedade é uma delas. E todos nós agradecemos.
Livro. Leio O Sentido do Fim (Julian Barnes, vencedor do Man
Booker Prize 2011). Da contracapa: Tony
está agora reformado. Teve uma carreira, um casamento e um divórcio amigável. E
nunca fez nada para magoar ninguém – pelo menos acredita nisso. Mas a chegada
da carta de uma solicitadora desencadeia uma série de surpresas, acontecimentos
inesperados que lhe vão mostrar que a memória é afinal uma coisa altamente
imperfeita. O Sentido do Fim é assim
a história de um homem que se confronta com a mutabilidade do seu passado.
Silêncio. Há um ror de anos, um colega de fábrica
relembrou-me a sabedoria dos povos: se
temos duas orelhas e uma boca é para ouvirmos o dobro do que falamos. A
frase ficou-me no ouvido com o estatuto das coisas de almanaque. Durante muito tempo
mantive-me interventivo em conversas e discussões, batalhando,
argumentando, falando mais do que ouvia. A minha vida mudou, nas suas facetas
pessoal e profissional. Hoje convivo com o silêncio – e convivo bem, se bem que tema a adição. Sou
menos participativo, sou mais ouvinte e, nalguns casos, sou menos repentista,
isto é, os juízos que faço são atenuados por uma ausência benéfica de som que promove a introspecção.
Gostava que tudo isto fosse uma qualidade, um caminho que vou percorrendo.
Talvez não seja mais do que uma tristeza: com tanto silêncio à minha volta perdi a experiência e o gosto pela argumentação...
Silêncios. Por motivos profissionais, duas vezes por semana
ando de comboio (Estoril / Lisboa e regresso). Obsessivo que sou relativamente
a algumas menoridades da vida, dou por mim a embirrar com as conversas do próximo ao
telemóvel. Durante duas semanas apanhei um cavalheiro que ocupou sete estações e apeadeiros na partilha dos planos de caça, tendo informado, a quem o quis ouvir, do preço privilegiado de uma cadela nova. Ontem apanhei uma brasileira que, ao entrar no
Cais do Sodré, já vinha a debitar inutilidades no seu nokiazinho. Quando saí no Estoril ainda continuava, num monólogo apneico de endoidecer. Não fosse um lampejo de lucidez que ainda me resta e tinha-me
levantado para lhe dizer: cale-se!Por tudo o que é sagrado no seu Ceará natal,
cale-se. Já me viram isto?
Silence is golden. Se bem que ache o nome da banda ligeiramente perturbador... Fica a nostalgia, para que não falte argumentos a quem gosta de demolir as minhas opções musicais.
Esta semana encontrei-me, mais uma vez, na situação de explicar como a
astrologia, como fonte de conhecimento, foi marginalizada pelo racionalismo
cartesiano. Lembrei-me de que não conhecia a carta de René Descartes em graças à
maravilhosa internet, imediatamente a encontrei. Tive um baque…. Pensei que me
tinha enganado. Cartesianamente fui controlar as fontes de informação mas ele
tinha mesmo nascido em 31 de Marco de 1596, em Descartes, França. A vilória mudou de nome posteriormente para
celebrar o seu mais distinto conterrâneo. Enfin!
O meu olho astrológico descobriu a verdadeira causa da filosofia cartesiana.
Para explicar a minha surpresa tenho que me debruçar sobre uma das bases da
interpretação astrológica, e juntar alguma psicologia.
Os elementos em astrologia são quatro: fogo, terra, ar e água. Para quem está
habituado a lidar com a tabela dos 118 elementos este número parece ridículo, mas faço notar que os estados da matéria que eram três – sólido, líquido e gasoso
(terra, água e ar) – são agora quatro porque incluem
plasma (fogo). De qualquer maneira, estes quatro elementos que se encontram na
natureza fornecem uma síntese relativamente à forma como nos relacionamos com o
mundo. Resumidamente:
Fogo (Carneiro, Leão e Sagitário) – irradia energia, anima, dinamiza, dá
impulso criativo, entusiasma, comporta-se com optimismo, alegria, virado para
acção.
Terra (Touro, Virgem e Capricórnio) – elemento voltado para o prático, o
fundamental, o físico nomeadamente para o corpo humano, aprecia permanência,
forma, estrutura. Deseja segurança, incluindo a acumulação de bens.
Ar (Gémeos, Balança e Aquário) – simboliza a mente, a vontade de comunicar
quer por escrito quer oralmente, o mundo dos pensamentos e das ideias.
Adjectivos como intelectual, teórico, racional, lógico aplicam-se a este
elemento.
Água (Caranguejo, Escorpião e Peixes) – representa o mundo dos sentimentos
e das respostas instintivas. A capacidade de se ligar emocionalmente, de ser
vulnerável, de sentir dor. Este elemento comporta-se com intuição e com
compaixão.
Pessoas com falta de fogo nos seus temas natais deveriam ter pouco confiança
na sua criatividade e terem uma certa aversão pela acção e agressão. Encontrei
logo excepções: Sean Connery célebre pelos filmes de acção 007 e Mozart, um
vulcão de criatividade cujo fogo se ouve no concerto para piano K 22, 3º
andamento… Acho até que se podem “ver” as chamas a subir.
Aliás, sua criatividade foi de tal maneira forte e precoce que o consumiu
muito depressa.
Pessoas com falta de terra deveriam ter pouco ligação ao dinheiro e ao
corpo. Como se explica que Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo, tenha
pouca terra na sua carta, assim como Rodin que dedicou a sua vida a criar formas
do corpo humano e com sensualidade?
Outro exemplo, mais comezinho mas não menos interessante de uma carta com pouquíssima
terra, é o da modelo australiana Elle Macpherson que ficou conhecida por “The Body”.
Pessoas com falta de água deveriam ser pouco sensíveis… No mundo dos compositores
encontrei dois com muito pouca água: Claude Debussy que compôs “O Mar” e
Beethoven, onde a emoção não falta… basta ouvir a Sonata “Ao Luar“.
O universo diverte-se connosco quando não pôs água na carta de Mark Spitz,
nadador que ganhou 7 medalhas de ouro nos jogos olímpicos de Munique.
À primeira vista, uma pessoa sem ar estaria mais à vontade no mundo da acção
pura, ou no dos sentimentos e no dos assuntos práticos, mas já perceberam… o
Descartes não tinha ar na sua carta, aliás assim como Einstein e o grande escritor
de contos Guy de Maupassant.
Como se explicam estas excepções? Nós temos todos os elementos no
horóscopo mas a disposição dos planetas pelos elementos têm reflexo na psique
de cada um. Um elemento pode estar melhor ou pior representado. Se bem
representado pode ter uma expressão positiva ou negativa. Se pouco representado
lidamos psicologicamente com essa falta também de duas maneiras: ou ignoramos
as características desse elemento na nossa vida projectando-as nos outros e
dessas pessoas não reza a historia, mas, se estão presentes outros aspectos
reforçadores, entramos num mecanismo de (super) compensação tornando as características
desse elemento na nossa raison d’etre
e na fonte da nossa criatividade.
A frase cogito ergo sum isto é “penso
logo existo”, escrita pelo filósofo e matemático que alterou o pensamento científico
no séc. XVII, o pai da geometria analítica e do sistema de coordenadas foi, sem
sombra de dúvida, causada pela obsessão pelo racionalismo cuja raiz é a falta do
elemento ar no tema natal e, consequentemente, na psique de René Descartes…
Uma coisa tão simples como a falta de um elemento faz com que esta vossa astróloga, malgré tout cartesiana, ainda esteja a
escrever sobre ele… 362 anos depois da
sua morte (11 de Fevereiro de 1650).
Tenho dois tipos de amigos: aqueles que o são inteiramente; e os que eu denominaria como amigos parcelares. Eu explico.
Os primeiros são os verdadeiros amigos. São os confidentes, os conselheiros, aqueles com quem conto nas horas difíceis e com quem partilho as minhas alegrias. Com eles falo de quase tudo, desde assuntos pessoais até trivialidades mundanas, passando por política, futebol ou os peitos da Bárbara Guimarães.
Já os parcelares são isso mesmo. Não deixam de ser amigos, mas são-no só para determinados efeitos. Com eles converso de assuntos específicos e evito questões pessoais. A escolha dos temas de conversa é alternativa e não já cumulativa como com os amigos verdadeiros.
Vem este intróito a propósito da música que eu posto hoje e principalmente do seu autor, Ludovico Einaudi.
Descobri o Einaudi exactamente através de um desses amigos parcelares. Mas o mais curioso é que a música não era de maneira nenhuma um tema da nossa agenda bilateral. Sem que nada o fizesse esperar, esse tal amigo resolveu um dia oferecer-me a obra completa do Ludovico Einaudi. Fiquei sem jeito como se um tabu se tivesse quebrado. Apeteceu-me dizer que a nossa amizade estava a ser extravazada e que eu não estava preparado para iniciar esta nova relação musical. Por fim aceitei o presente, agradeci e não voltámos a falar no assunto.
Chegado a casa ouvi toda a obra do Einaudi de uma enfiada, quase compulsivamente. É de facto um compositor fantástico com dezenas de músicas muito bonitas.
Escolhi esta por duas razões: porque tem a inspirá-la um tema africano e porque se chama Chanson d' Amour e hoje é o dia dos namorados. Percam 9 minutos do vosso tempo e garanto-lhes que não se vão arrepender.
Hoje, deparamo-nos com
obras de arte, que ainda não têm lugar nos museus ou noutros locais consagrados. Mas nem por isso deixam de cumprir a sua função de transmitir
beleza ao mundo, interpelar e iluminar-nos
por dentro.
Por exemplo, os bons
filmes publicitários deviam constar no património da Sétima Arte. Muitas
daquelas pequenas narrativas são obras marcantes. Não é por acaso que nos
ficaram gravadas na memória.
Quem não se lembra dos spots
da Martini, com imenso glamour, a transportar-nos até aos monumentos lindos da
Itália medieval ou até aos circuitos da Fórmula 1, cheios de beautiful people, ou
até aos últimos andares dos arranha-céus de Manhattan, de acesso reservado a
CEOs e a um catering especial de cálices de Martini Rosé, servidos por uma
modelo em patins?
Outro caso de sucesso foi
a campanha de divulgação da Expo’98, num filme com bebés muito redondinhos a
nadar animadamente entre algas e peixes de todas as cores, explorando o fundo
dos oceanos. O segundo spot da mesma série acrescentava à geração do futuro,
maravilhosamente representada pelos recém-nascidos, um desfile de habitantes de
todo o planeta a passear-se pelo universo subaquático, vestidos com os fatos tradicionais,
milenares.
Recentemente, uma empresa
britânica(1)promoveu os seus serviços com enorme sentido de humor.
Aliás, já é considerada a melhor curta-metragem publicitária da Grã-Bretanha,
em 2011. Imagina-se uma velhinha, com aspecto de avó amorosa, entrar numa
missão de policiamento arriscado? E tudo em velocidade relâmpago, à maneira dos
thrillers?
Depois da emoção da
velhinha, tão despachada, uma outra emoção aconteceu no Brasil, no final de
2011, também a ver com arte… fotográfica! Naturalmente, com o excelente
contributo da natureza, que criou um cenário irrepetível.
Num dia especial, em que
as condições atmosféricas ofereciam um espectáculo único, na espantosa baía do
Rio de Janeiro, a estátua do Cristo do Corcovado parecia pairar acima das
nuvens. Aconteceu numa manhã abençoada do último dia de Outubro, imortalizada
pela câmara de um fotógrafo atento:
Volto à publicidade, com um
outro par de filmes memorável. O primeiro é da Honda (2006) e recorre à música
para demonstrar rigor e precisão: um coro estacionado
numa garagem gigantesca replica os sons bem cadenciados do último modelo da
marca japonesa. Escusado será dizer que os silêncios são tão determinantes
quanto os variadíssimos timbres da super máquina.
v
Parodiando, deliciosamente,
com a Honda e a ideia de um motor musical a merecer um coro profissionalíssimo,
uma carrinha modelo pão-de-forma
também arranjou um coro à altura da sua música…
A terminar: um
contributo da chamada arte urbana, feita por pintores que, a pouco e pouco, têm
vindo a ganhar alguma visibilidade. Alguns assinam trabalhos brilhantes, que
ajudam a melhorar o aspecto das cidades… e até dos carros. Em Moscovo, murais
lindos cobrem as empenas de inúmeros prédios antigos, com ícones e telas
gigantescas. Arte sofisticada, nada a ver com o estilo urbano-depressivo dos grafitti comuns.
Desenhos de Scott Wade
Deve ser bem
gratificante espalhar imagens bonitas pelas ruas por onde todos passam. Nesse
aspecto, é bem louvável o efeito dos magníficos painéis de arte bizantina que
forram as principais estações do metro moscovita. Como tudo o que é belo,
lava-nos até à alma.
Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico,
para daqui a 2 semanas)
_____________
(1)St John Eye Care Centre, a publicitar o rastreio oftalmológico dos reformados.
Às vezes também
gostaríamos de ter um milagre destes, na nossa vida! De um segundo para o
outro … puf! ….. alguém operava um milagre e aquele problema aparecia
resolvido, aquela doença curada, aquele relacionamento passava a ser
feliz.Faz parte da nossa natureza
almejarmos feitos grandiosos, grandes conquistas, grandes vitórias, grandes
gestos….. aliás acredito que foi essa vertente do ser humano que nos fez querer
sair da idade da pedra e avançarmos sempre mais e mais, até aos dias de
hoje.Mas, numa escala mais pequena e
falo de cada ser humano individualmente, a ambição de grandes feitos e grandes
gestos tolda-nos muitas vezes a visão e impede-nos de descobrirmos os pequenos
e constantes milagres que se operam na nossa vida, no dia a dia.
Quando nos cruzamos
com uma pessoa que nos faz trazer ao de cima o melhor que há em nós, é um
milagre! Quando acordamos de manhã e sabemos que o sol voltou a nascer sem que
mão humana para isso concorresse, é um milagre! Quando o nosso coração bate
pela primeira vez de paixão por alguém, é um milagre! Quando um sonho se torna
realidade, é um milagre! Poderia continuar ad aeternum dando exemplos.Mas onde quero chegar é:quem, de entre nós, nunca viveu um desses
momentos que acabo de exemplificar? E quantos, de entre nós, tem a consciência
e a gratidão de reconhecê-los como pequenos milagres da nossa vida? Não estamos
nós tão habituados a tomar tudo como garantido, como um direito? Não estamos
nós sempre a exigir que tudo e todos, até a natureza, se adapte às nossas
conveniências e desejos?
Façamos como este
leproso e peçamos a Deus que nos cure da lepra dos tempos de hoje … a raiva, a
inveja, o ódio, a arrogância, a intolerância, o egoísmo, a impaciência, o
desamor!
Domingo, Se Fores à
Missa …..Pede um Milagre!
Maf
EVANGELHO Mc 1, 40-45
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e
suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a
mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra
e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não
digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o
que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que
partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não
podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e
vinham ter com Ele de toda a parte.