15 setembro 2011

Moleskine

Mudanças. Fruto da dinâmica própria da igreja católica, Santo António do Estoril tem um novo prior - desta feita o Pe. Ricardo Neves, que me acompanha espiritualmente (ainda que com irregularidade) há alguns anos. Um dia, após a primeira missa na Igreja da Boa-Nova, escrevi ao prior vigente dizendo-lhe, entre outras coisas, que se Deus me desse saúde ainda veria, para além dos dois priores que ali estavam, mais dois ou três. Não me referia a um longevidade própria, nem lamentava a excessiva rotação dos sacerdotes. Constatava, apenas, que os padres são elementos importantes mas não determinantes na vida da igreja, e que o serviço que cada um dos leigos entende prestar é à igreja, não a quem está lhe está localmente à frente. Talvez seja uma verdade lapalaciana, mas ajuda a perspectivar as coisas, reduzindo as eventuais tensões e críticas à sua verdadeira e ínfima dimensão.

Livro. Brevemente num estabelecimento perto de si.


Casamento. A idade e a amizade de quem convida leva-me a casamentos de filhos de amigos. Assim aconteceu este fim de semana, perto de Constância. É inevitável a comparação dos casamentos de hoje com os do meu tempo (25 a 30 anos). A festa é hoje muito mais para os noivos do que para os pais dos ditos, vendo-se isso na distribuição mais lógica do número de convites; dantes (e passe a expressão medieval...) o convite era feito pelos pais da noiva, que suportavam os custos da festa, enquanto hoje, fruto da equidade e das novas dinâmicas familiares, por vezes são quatro nomes com apelidos diferentes a encimar o convite e a assinar o cheque; presumo, em todas estas festas, uma noite de núpcias peculiar, porque custa-me a crer que duas pessoas - ainda que jovens - dancem e bebam desalmadamente até às 5 da manhã e depois tenham genica e sensualidade para se beijarem e amarem ao som de velas e música romântica.   

Acreditar. O dever, o gosto e os mínimos para prestar um bom serviço levam-me a representar a associação. Vou a todas, desde que a minha presença não deslustre e seja eficaz. Já fui a eventos nos quais a Acreditar tinha um lugar de parceiro ou beneficiário, com uma presença naturalmente discreta, como a da Vogue Fashion Nigh Out. Mas também fui a outros em que a associação tinha um lugar de destaque, com direito a palavras de abertura ou de agradecimento. Nestes últimos, sempre que os fotógrafos e jornalistas sentiam a liberdade para exercer o seu mister, a Acreditar desaparecia, trocada pelas carinhas larocas das novelas do fim de tarde ou pelas pessoas que têm jet-set escrito no cartão de visita. Do ponto de vista da estética a opção do jornalista é a acertada - quem vê novelas e quem me conhece sabe do que estou a falar. Do ponto de vista jornalístico... Faz sentido não haver uma única pergunta quanto ao que fazemos, porque fazemos, como fazemos? De facto, as revistas cor-de-rosa não vivem da dor alheia. 

Vogue Fashion Night Out 2011. T-shirt cujas vendas revertiam para a Acreditar. Fica o agradecimento à Vogue por esta parceria.



JdB

1 comentário:

Maf disse...

Mudanças - de facto o serviço deveria ser à igreja, instituição, independentemente de que encima a igreja, paróquia. Mas, na verdade, assim não é e por mim falo .....
Livro - lembro-me da Rita mais ou menos nesta idade; k amor !
Casamento - JB você está a esquecer-se de um pequeno grande pormenor.... para os jovens de hoje, a noite de núpcias serve exactamente ao contrário. É a noite em que eles descansam, pois para se beijarem e amarem já tiveram mil e tantas outras noites. Frutos da modernidade ....
Acreditar - a verdadeira missão, o verdadeiro serviço é visto aos olhos de Deus e não aos olhos dos homens, hélàs !

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