terça-feira, 24 de julho de 2012

Duas últimas

Há tempos, numa conversa sobre viagens, perguntavam-me qual teria sido o melhor banho de mar - ou talvez a melhor praia - que já tinha experimentado. Respondi que tinha sido, seguramente, no Rio de Janeiro.

Tenho de reconhecer que não sou um globetrotter no que diz respeito a praias. A mais exótica onde estive, por assim dizer, foi na do Savane, nas margens do rio com o mesmo nome (Beira, Moçambique). Foi o meu único banho no Índico. Fora isso, apenas no Atlântico, Mediterrâneo mais interior, Marrocos, ilhas gregas, Madeira e Açores. Na Grécia, por sinal, tomei talvez o pior banho de todos: um mar parado e quente, propício ao nojo que provocam as águas que nos parecem estagnadas.

Fui ao Rio de Janeiro pela primeira vez em 1975. O meu contacto com o estrangeiro resumia-se, até então, a Londres, Badajoz e Madrid. O cenário não era brilhante, mas não era pior do que o de muita gente da minha idade e condição. Era o que era... Desembarcar no Galeão no dia 26 de Dezembro de 1975, sentir o bafo quente e húmido do Verão à chegada, quando tinha sentido o frio cortante do Natal à partida já se afigurava uma emoção. Ir no dia seguinte à praia, ao Leblon parece-me, e ver aquele areal imenso, o mar batido, o brasileiro falado, o requebro das moças, o chá mate servido em copinhos na praia, as sanduíches de ovo ao fim da tarde no Bob's assemelhava-se, para um jovem de 17 anos como eu, a uma antevisão do paraíso. A praia, para um viajante reduzido, europeu e urbano, era muito mais do que um banho fresco num clima quente - era uma experiência. Era uma excitação.

Hoje, em lembrança desse tempo, deixo-vos com Alfredo da Rocha Viana Filho, mais conhecido por Pixinguinha, um dos maiores compositores da música popular brasileira e que mais contribuiu para a consolidação e divulgação do choro. As interpretações são diferentes, todas superiores, mas o tema é o mesmo. Porque cada um de nós, homens, tem a sua rosa.   

JdB






1 comentário:

Anónimo disse...

Meu caro,
Estive no RJ uma única vez, e por pouco tempo. Deu para ver a beleza extraordinária e pouco mais.
Se lá voltar, hei-de tomar banho naquelas praias de estarrecer!
Das 3 versões musicais com que nos brindaste, aprecio sobretudo a última, instrumental.
Abr
fq

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