terça-feira, 3 de julho de 2012

Duas últimas

(...)

Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloquentes.
Sabem o que falam, e sabem falar na hora certa.
São cativantes, sabem fazer-se presentes, sem incomodar.
Sabem conquistar uma boa amizade. 
Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade,
visão aguçada sobre os valores da vida, sabem tratar uma mulher com respeito e carinho.
São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser,
de pensar, e de viver.
Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais
e mais emocionantes.
Homens mais amadurecidos têm maior desenvoltura no trato com as mulheres,
sabem reconhecer as suas qualidades, são mais espirituosos, discretos,
compreensivos e mais educados.
A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades maravilhosas
deve-se a vários fatores:
a opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades, formação própria e familiar,
suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc... mas eu creio que em parte, há uma  boa parcela de
influência nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações da sua juventude, um tempo não tão remoto,
mas que com certeza, não volta mais.
Viveram a sua mocidade (época que marca a vida de todos nós)
em um dos melhores períodos do nosso tempo:
Os anos 60/70. 
Considerados as "décadas de ouro" da juventude, quando o romantismo foi vivido e cantado em verso e prosa
A saudável influência de uma época, provocada por tantos acontecimentos importantes, que hoje permanecem na memória,  e que mudaram a vida de muitos.
Uma época em que o melhor da festa era dançar agarradinho e namorar ao ritmo suave
das baladas românticas.
O luar era inspirador, os domingos de sol eram só alegrias.
(...) 
Foram e ainda são os Homens que mais souberam namorar:
Namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, com respeito e com carinho,
olhos nos olhos tinham mais valor...
A moda era amar ou sofrer de amor.
Muitos viveram de amor... outros morreram de amor...
Estes Homens maduros de hoje, nunca foram Homens de "FICAR"
Ou eles estavam a namorar pela certa, ou estavam na "fossa", ou estavam sozinhos.
Se eles "ficassem", ficariam para sempre... ao trocar alianças com suas amadas.
 (...)
A juventude passou, mas deixou "gravado" neles, a forma mais sublime e romântica de viver.
Hoje eles possuem uma "bagagem" de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência
que foram acumulando com o passar dos anos.
O tempo se encarregou de distingui-los dos demais:
Deixando os seus cabelos cor-de-prata, os movimentos mais suaves, a voz pausada,
porém mais sonora, hoje eles são Homens que marcaram uma época.
Eu tenho a felicidade de ter alguns deles como amigos virtuais,
mesmo não os vendo pessoalmente, percebo estas características através de suas palavras e gestos.
Muitos deles hoje "dominam" com habilidade e destreza essas máquinas virtuais,
comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos pois ainda se encantam com versos, rimas, músicas e palavras de amor.
Nem lhes diminuiu a grande capacidade de amar, sentir e expressar seus sentimentos.
Muitos tornaram-se poetas, outros amam a poesia.
Por que o mais importante não é a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias e sim os raros valores de suas personalidades.
O importante é perceber que os seus corações permanecem jovens...
São Homens maduros, e que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de
PODER ADMIRÁ-LOS !

***

Enviaram-me ontem o texto acima, atribuído a Zelia Gattai, escritora e mulher de Jorge Amado. Fala dos quarentões, cinquentões e sessentões. Enfim, fala também da minha geração, dos meus amigos mais próximos, hoje (quase) todos na casa dos cinquenta. Revi-me nalguns aspectos, gostaria de me ter revisto noutros, sobressaiu algo da minha nostalgia crónica. O ficheiro (um daqueles inacreditáveis powerpoints cheios de letras que se enrolam e caem em cascata, em serpentina, como chuva alfabética) vinha acompanhada de uma música de que gosto muito e que partilho convosco em duas versões distintas.


Nota: sábado passado fui aos anos do meu amigo JS, que completou 40 anos de vida - e sobre o qual já aqui escrevi. Temos uma amizade recente, mas, estou certo, forte e leal. A festa foi tudo o que poderia ser - e mais não se quereria: qualidade, simpatia, simplicidade, riso e comoção nos olhos do aniversariante, vista deslumbrante, vitualhas magníficas, fados pelo Camané, lembranças de quem já partiu, lembranças de quem está longe, educação a rodos, amabilidade beirã, um bolo de anos pecaminoso... 
O post de hoje é-lhe dedicado: não só porque lhe devo muitas e boas finezas de amizade, mas porque o texto acima também é para ele, mesmo que só seja quarentão desde domingo...

JdB
    

3 comentários:

Anónimo disse...

Quando as pessoas são assim, generosas (como o escriba acima), por vezes, sem darem por isso, ajudam os outros (como este escriba) a serem um bocadinho mais.. tudo isso que nos ocorre, ao ler o texto, enquanto escutamos as duas versões da canção.

Eu é que agradeço a sua activa contribuição para um dos momentos mais bonitos - arrisco, mais felizes- da minha vida.

Muito obrigado.

Com a amizade forte e leal, do


JS

Anónimo disse...

Também me revi nalguns aspectos (poucos....).
A musica do EC, sobretudo o solo final, e a fotografia do 1º video, magnificas.
Abraço,
fq

ALA disse...

Felizmente ainda há homens assim.
Adorei o Clapton e o Yves Montand é imbatível de charme.
Bela homenagem a quem merece.

Um imenso abraço ao JS.

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