sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Caminho marítimo para a Índia (VIII)



Visitar Jaipur (no Rajastão) é visitar outra Índia. Como visitar Pangim é visitar outra Índia. Curiosamente, visitar "índias" que desapareceram, que não voltarão mais, fruto da modernidade, dos erros históricos, das tentativas de democratização. Jaipur e Goa vivem do que foram: a Índia dos marajás e a Índia dos portugueses. 

A Índia de hoje é melhor do que a Índia anterior a 67 ou a 61? Acredito que relativamente a Jaipur sim, mas tenho dúvidas se melhor relativamente à presença portuguesa. Em Jaipur, com o desaparecimento de uma hierarquia social composta por reis, rajás, marajás (de baixo para cima) desaparece também uma Índia feita de privilégios, de enormes assimetrias sociais ou de riqueza (seria mais ou menos isto: um marajá chefia dez rajás que chefia dez reis que chefia..., que chefia...) onde o topo da pirâmide, um clube para 100 ou 200 no Rajastão, gozava de um enorme poder económico. 

(É preciso lembrar que, segundo me dizem, a expressão "luxo asiático" se aplica à Índia).



Encontrei este sikh na visita ontem ao Amber Fort. Explicam-me que um sikh tem sempre cinco elementos consigo: um turbante, uma barba comprida, uma espada e um pente no cinto e uma pulseira. O esquema de castas na Índia é complexo, e ao que parece os sikhs são uma espécie à parte. Talvez este cavalheiro olhe (sou eu a fantasiar...) para um passado de que fez parte e que por agora existe nos filmes, nos saudosistas, nos programas de viagens ou numa raça de gente que ainda assoma à varanda de um forte para imaginar o que teria sido a vida se a História fosse outra.

JdB 

    

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