segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Vai um gin do Peter’s?

A história dos meninos talentosos e cheios de ambição, que singram no MIT e em Harvard tem muitas semelhanças entre si, quase a corresponder à simplificação de Tolstoi, que dizia: as famílias felizes são todas iguais. Na tipificação do grande escritor russo, só as infelizes teriam uma história única, carregando um sofrimento irrepetível.

No lado dos felizes, um destes estudantes de sucesso no MIT e depois no MBA de Harvard, onde ficou a leccionar, nasceu em 1951, nos subúrbios nova-iorquinos, de pais judeus alemães fugidos à perseguição nazi. Educado na ortodoxia judaica, professava a fé dos antepassados com enorme afinco, chegando a passar uma boa temporada num kibutz, em Israel. Mal ingressou no MIT e se deixou contagiar pela mania da superioridade, a tomar-se por génio e a endeusar a ciência e a tecnologia como os demais (segundo a descrição do próprio, anos depois), a fé soçobrou como um castelo de areia. Acreditar numa religião  – excepto se muito exótica – era entendido como uma cedência passadista, entretém de gente ignorante. Só mais tarde contestou esse falso entendimento do espírito científico e esse arreigado desrespeito pelas diferenças, nos antípodas do que deveria respirar-se num ambiente académico saudável.   

Entretanto, a rápida ascensão na carreira, acompanhada de um enriquecimento fulgurante, tornaram-lhe evidente o vazio da sua vida, apesar do conforto e status adquiridos. Talvez na lucidez desta auto-avaliação, sem pejos em chamar os bois pelos nomes, se tenha começado a distanciar do padrão característico de muitos prodígios das universidades de economia e finanças dos EUA, precisamente por serem as melhores e mais prestigiadas do mundo. Isso dificulta-lhes (explicou depois) descerem ao reino do comum dos mortais, alimentando-se da crença de pertencerem à casta superior dos sobredotados. 

Há ainda um outro momento especial e diferenciador na biografia deste dito sobredotado: a maior desilusão da adolescência, aos 12 ou 13 anos, quando no ritual judaico de passagem para a idade adulta – Bar Mitzvá (filhos do mandamento) –  o prometido acesso a Deus não aconteceu. Tudo ficou demasiado igual.  

Bom, o menino já grande, chamado Roy Schoeman (numa simplificação dos nomes de origem germânica), começou a aguentar mal a falta de sentido de vida. Numa das tentativas desesperadas de fazer alguma coisa: resolveu ir meditar para o campo, a ver se reordenava ideias e ganhava serenidade. Curiosamente, alguma coisa aconteceu, ou melhor, começou a acontecer, pois abrira-se uma caixa de pandora, que tem sido tema de conferências dentro e fora dos EUA.   



Num testemunho interpelativo e bem articulado, munido das óptimas técnicas de comunicação aprendidas em Harvard, Roy Schoeman (RS) não se cansa de contar como deu a reviravolta. Quer dizer: os negócios, a azáfama e o êxito no trabalho continuaram iguais, mas por dentro rodou 180º… ou talvez um pouco menos, embora o efeito seja incrivelmente revolucionário.

No salto quântico dado, a história de RS é bastante atípica, para dizer o menos, embora feliz e por isso a contrariar q.b. a convicção de Tolstoi. De menos invulgar terá duas componentes: a experiência espiritual de contornos semelhantes aos breves estádios post-mortem em que surge uma luz maravilhosa e personificada de quem ninguém se quer mais afastar (considera-se sempre um azar ter de voltar à existência terrena); e considerar um privilégio a oportunidade de poder dialogar com a senhora mais bonita com que alguma vez se cruzou. 

Essa senhora –  compreensivelmente fulcral na sua mudança de rumo –  confidencia-lhe dados curiosíssimos, em concreto para os portugueses. Quando RS insiste em perguntar-lhe qual a oração preferida, a resposta foi dita em português (!), pelo que ficou ininteligível para Roy, que apenas conseguiu transcrever a sequência fonética e depois descodificá-la com uma portuguesa radicada nos EUA. Decifrado o enigma, descobriu que se tratava de uma das rezas ensinadas pelo Anjo de Portugal aos Pastorinhos de Fátima, mas cuja origem remonta a 27 de Novembro de 1830(1) (no filme, aos 23:24):


Por causa dessa grande Senhora, RS(2) tem a interpretação mais bonita do seu percurso de judeu, plenamente cumprido e aprofundado na passagem para o Novo Testamento, citando outros judeus convertidos – os irmãos Lemann: «The Jew become Catholic is the religious man par excellence, who has grown into his fullness, as the seed grows into the flower...  The religion was initially patriarchal, that is, identified with the family of the Patriarchs; then it was enlarged into a chosen people who were given the beautiful name People of God; and finally, in being universalized it became something even more beautiful, the Kingdom of God, the Catholic Church which is for all people.  This is always the work of the Eternal, the progression from the less perfect to the more perfect, from the particular to the general.»  

O melhor é ouvi-lo, porque os crack do MIT e Harvard explicam-se lindamente. RS tem ainda outras conferências com interpretações pessoais sobre os fenómenos da actualidade visivelmente turbulentos e incertos. 

Uma última notícia sobre a mesma Senhora: a comunidade do Estoril e Cascais angariou fundos para a (re)construção da Clínica de S.José em Erbil, no Curdistão Iraquiano e tomou ainda a iniciativa de oferecer àquela cidade massacrada por uma guerra feroz, uma imagem da Virgem de Fátima.  Bem que RS é um exemplo vivo dos benefícios da presença maternal de Maria, que agora se vão poder estender a uma multidão dilacerada pela dor. 

Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

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(1)  Data da aparição mariana a Sta Catarina Labouré, no coração de Paris, surgindo na inscrição do quadro oval que Nossa Senhora lhe revelou para ser reproduzido numa medalha, que pudesse ser veículo das graças que o céu quer derramar sobre os homens de boa vontade. Em Portugal ficou conhecida como medalhinha milagrosa. Na altura, a jaculatória — «Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós» – constituiu uma novidade absoluta, que contribuiu para a proclamação oficial do dogma da Imaculada Conceição, a 8 de Dezembro de 1854, por Pio IX.



(2) Site de Roy Shoeman – http://www.salvationisfromthejews.com.

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