quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Das aulas de compensação


Goa, Janeiro de 2017

Há qualquer coisa que liga as aulas de compensação (e também as "explicações") à ida à missa dominical. Talvez haja algo que ligue uma formação em reiki, em programação neuro-linguística ou em áreas comportamentais de qualquer espécie a estas aulas de compensação. Por outro lado, e numa imagem mais ligada à meteorologia, todos nós somos uma espécie de caixa (embora possa ser uma bola, um triciclo ou um livro) expostos a uma ventania carregada de areia. Isto é, temos um formato, uma superfície, uma textura que representa aquilo que somos ou que gostaríamos de ser. Se nos deixarmos ficar ao tal vento carregado de areia, essa caixa (ou bola, ou triciclo, ou livro) enchem-se de areia, alterando o formato (visível) a superfície, a textura. Nesse sentido, há algo que liga a ida à missa, mas também a formação em reiki ou em programação neuro-linguística a esta metáfora da caixa.

Para algumas pessoas - nas quais me incluo - o cristianismo, sobretudo, é um referencial de qualidade. É nos ensinamentos de Cristo que me revejo, é aquilo que Ele disse e fez que eu quero seguir. Este é o meu modelo de comportamento perante a sociedade e os mais próximos. É no cristianismo (e por associação na Igreja Católica) que eu tento ser melhor. Outras pessoas haverá, cuja caminhada de melhoria com elas próprias e com o mundo que as rodeia é feita com outras ferramentas, já aqui referidas: é ali que encontram paz, ensinamento para a vida, correcção de falhas interiores ou no seu relacionamento com o próximo. 

Num certo sentido, vou à missa todos os domingos porque sou mau aluno. A missa é a minha aula de compensação. Conseguiria viver sem ir à missa? Sim, mas não seria a mesma coisa. Preciso da missa para melhorar - e preciso dela todas as semanas, como se contratasse um explicador matemática que me ensinasse a fazer integrais duplos. O que é a missa? É a limpeza regular de uma caixa que se foi tapando com a areia do tempo. Se eu não a limpar regularmente, um dia já não percebo quem sou e a minha natureza - ou aquela que eu gostaria de ter - foi de tal maneira tapada que não se recupera mais. Há quem vá à missa, quem faça cursos na área comportamental. Num certo sentido, é tudo o mesmo: sermos melhores, relacionarmo-nos melhor, aprendermos mais, sermos mais. Como somos maus alunos, temos de ter aulas de compensação: chama-se missa dominical ou aplicação regular do que aprendemos nos cursos. 

A visão acima é redutora, jocosa, pateta. Olhem, é o que é, quase às dez horas da noite.

JdB   

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