quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Caminho marítimo para a Índia (VI)

Duas coincidências significativas:

Sexta-feira passada, ainda em Nova Deli. Os embaixadores, J e R, convidam um casal com um filho para jantar. Ele goês, ela alemã, a especializar-se (não academicamente) em genealogia das famílias portuguesas de Goa. O filho formado em Portugal na U. Nova, doutorado em Washington, fazendo parte de um think tank indiano. Todos falam português. Numa espécie de momento antes da ordem do dia, perguntamos o que fazem os filhos respectivos. Diz-me a senhora: tenho uma filha que vive em Portugal, dona de uma empresa de traduções. Curioso, perguntei qual a empresa da filha. A empresa chama-se X, diz-me ela. Respondi-lhe: que coincidência, aqui há um ano troquei uns mails com a sua filha por causa de traduções... E no mesmo minuto mandei um mail para Portugal a contar que tinha conhecido os pais e o irmão em Nova Deli...

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Almoçamos ontem em Loutolim, na parte mais a sul de Pangim (o nome certo daquilo a que chamamos Goa) em casa de uma senhora com fortes ligações a Portugal, embora de família goesa desde sempre. Fala um português perfeito, e percebe-se que a Índia dela é a prévia a 1961. Ela e a filha oferecem-nos um almoço tipicamente goes, numa casa lindíssima tipicamente indo-portuguesa, de que parte foi convertida em pousada. A conversa corre fluida nos dois lados da mesa. A dado momento a filha da dona da casa fala de reiki, do curso que tirou em Portugal. E que é voluntária no IPO, no piso das crianças. Não resisto a dizer que sou presidente da Acreditar, que tive uma experiência interessante e marcante com reiki e que, numa dada altura, alguém de uma associação que colabora com a Acreditar me pediu para dar um testemunho. A senhora diz claramente: sim, sim, eu ouvi o seu testemunho em Fátima, no decurso de uma acção de formação.

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Podemos falar de coincidências, podemos falar de algo mais, sobretudo quanto à segunda história. Eu gosto de acreditar em algo mais, em intervenções superiores que provocam coincidências significativas, como dizia Jung. No decurso de uma semana sou beneficiário de dois acontecimentos no mínimo interessantes, que colocam os meus interlocutores num patamar mais próximo de mim, já que entre mim e eles o conjunto intersecção deixa de ser vazio. Podia dizer, de forma já estafada, que o mundo é um ervilha. Mas gosto de dizer que não sei se é ou não, e é-me indiferente. O mundo pode ser um local interessante, cheio de serendipismos... E isso é melhor que ervilhas.

JdB

PS: Dizem-me que as praias de Goa sul são muito melhores do que as praias de Goa norte, onde estivemos um destes dias. 

1 comentário:

aritnetoj disse...

Reconheço o Príncipe de Serendip...
Bjs

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