segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Da conversão

Em Goa, pérola antiga do nosso império, fui à Igreja de Santa Mónica, personagem ilustra da Igreja Católica  e de quem sabia muito pouco, pouco mais do que ser mãe do Bispo de Hipona. Porque é santa?, pergunta alguém. Parece que rezou muito pela conversão de Santo Agostinho, responde outro alguém. 

O que era a conversão de alguém naqueles séculos oferece-me poucas dúvidas. Converter era colocar as pessoas do lado de cá da barbárie, dar-lhes uma alma, um baptismo, um temor, um conjunto de princípios e mostrar-lhes o salvador do mundo, sem o qual nada fazia sentido. Converter alguém era civilizar alguém, esconder-lhes o corpo pecaminoso no caso de África ou Brasil e revelar-lhes o amor. Não havia salvação fora da Igreja Católica.

O que é converter alguém nos dias de hoje, dado que ainda se fala em conversão? Não fará sentido colocar as pessoas do lado de cá da barbárie, porque não há garantia de que estivessem do lado de lá. Não é dar-lhes uma alma nem dizer-lhes que não há salvação fora da Igreja Católica, porque me parece que há. Parece-me então que converter alguém é mostrar-lhe o Bem, sendo que esse Bem não é exclusivo de uma confissão religiosa, mas de todos os homens de boa vontade. No caso dos cristãos, converter é mostrar aquilo que para nós é o supremo Bem, somatório de todas as perfeições e ausência absoluta de todo o mal. Esse bem chama-se Jesus Cristo. 

Ora, quando rezamos pela conversão dos povos, rezamos pela sua conversão a quê? À Igreja Católica? À religião cristã? Ou rezamos pela sua conversão a uma espécie de luz onde os princípios são harmoniosos, as vidas justas e rectas, onde impera a atenção ao próximo? A nossa "luz" tem um nome. E esse nome deve ser universal?

Dúvidas de um cansaço de fim de noite.

JdB 

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