sexta-feira, 27 de julho de 2018

Da lentidão





Objecto-Casa

O objecto deste poema é aquela casa em frente
           6 meses
           3 meses
           um telhado para colocar.

O objecto são umas quatro paredes
           lentas
           penosas
           6 meses ou mais – quem sabe?

           Pelas quartas-feiras
           Uma carga de tijolo,
uma caixa grande de vidros de cor,
três centos de pregos,
para um homem lentamente habitar.

O objecto deste poema
           é a lentidão sagrada do construir
           da casa sita em frente da minha janela.

O objecto é o mistério da renovação do tempo.

O objecto é a quase realização
           um telhado para colocar
           6 meses
           3 homens
           uma habitação para cá do infinito.


E. M. de Melo e Castro in Antologia para Iniciantes (Porto, Editora Ausência, 2003)

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