segunda-feira, 30 de julho de 2018

Moleskine

Família
Fruto do que sou e da minha circunstância, durante muito tempo o conceito família assentava noutros aspectos que não apenas o sangue (e excluo deste raciocínio os laços formais que se criavam por via de um casamento). Família podia ser gente que, não tendo os mesmos antepassados do que eu, se constituía como um pilar importante da minha vida. Este fim de semana estive num casamento onde fui conhecer primos cuja existência era apenas informativa. Gostei de os identificar, de ir a uma casa que, não sendo da minha família, fazia parte de um certo imaginário; gostei de recolher histórias, ligar pessoas que habitavam a minha mente na forma de nomes, não na forma de parentescos específicos. Ontem, a importância da família veio toda por via do sangue. Estou a mudar?

Escuta
1º nível: tenho tempo para ouvir o outro;
2º nível: exerço com o outro uma escuta activa;
3º nível: perante o outro revelo as minhas fragilidades e as minhas vulnerabilidades.
A intimidade só se consegue com o 3º nível; os outros são indiferença, aconselhamento técnico ou diálogo biunívoco.

Confiança cristã
Falo com alguém, cuja amizade e intelecto prezo, sobre alguém que nos é comum. Perante alguma desesperança agreste deste amigo comum, questiona-se este meu interlocutor sobre a (in)existência de um modo de vida cristão assente na esperança, na confiança, numa certo optimismo relativamente ao divino. É uma boa questão: a vida cristã assente na confiança (olhai os lírios do campo...) não deixa espaço para o pessimismo? O pessimista empedernido é, num certo sentido, um cristão descrente? 

Casamento
Poucas coisas há que me prendam tanto a atenção numa missa do que a homilia dos casamentos. Numa altura em que grande parte deles são celebrados por padres amigos dos noivos, gosto de ouvir o que eles dizem - e neste gostar está, também, a disponibilidade activa para interiorizar um pensamento, uma ideia, um caminho. Fixo este último casamento, no passado sábado, e o evangelho em que Cristo diz a Zaqueu que quer ficar naquela noite em casa dele.  Primeira nota: Zaqueu, que era um homem baixo, sobe a uma árvore para onde Jesus o interpela. Zaqueu em cima de uma árvore não é um pormenor despiciendo. Cristo quer olhar para cima, não olhar de cima. E fixo ainda os verbos assinalados pelo padre, filho de um amigo e colega antigo de liceu, editor do meu livro (escrito com a Rita Jonet): reconhecer, cuidar, mostrar.

JdB     

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