quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

1988-2015

in memoriam dos meus rapazes

tínhamos todos aquela idade
em que podíamos ainda pensar
que o mundo se não iria
esquecer de nós.

em tua casa: o cheiro a granito,
a agulha do gira-discos,
bússola apontando 
para nortes cheios de haze 
e de eternos spleens,
a que, mais tarde, nos agarraríamos
na esperança - vã, sabemos agora - 
de irmos a tempo de agarrarmos
aquilo a que soe chamar-se
a nossa espécie de vez.

tantos anos depois,
é disso que me recordo,
aos domingos à tarde, 
enquanto, neste cortejo de fantasmas,
aguardo a dose de metadona 

e não me chega a super-realidade

da minha tão triste vez.

gi.

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